Silos personalizados e a rentabilidade do produtor

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Marcelo Fernando Pimenta
Graduando em Agronomia – Centro Universitário das Faculdades Integradas de Ourinhos (Unifio)
marcelofpimenta@outlook.com
Aline Mendes de Sousa Gouveia
aline.gouveia@unifio.edu.br
Adilson Pimentel Junior
adilson.pimentel@unifio.edu.br
Engenheiros agrônomos, doutores em Agronomia e professores – Unifio

Armazenar grãos em silos é um dos métodos mais eficazes para manter a qualidade e garantir a possibilidade de comercialização do produto fora do período de sazonalidade. Os produtores podem comercializar parte de suas safras, analisar o mercado para encontrar as melhores condições e aumentar as chances de lucro sob o produto.
Dessa forma, à medida que tecnologias mais modernas estão sendo usadas para proteger a produção de grãos, os silos personalizados adicionaram tecnologia e formaram um sistema completo de limpeza, controle ambiental, secagem, classificação e transporte de grãos.

Novas tecnologias

No mercado de silos temos várias tecnologias implantadas para auxiliar de maneira satisfatória o armazenamento de grãos que irão garantir a manutenção da qualidade do produto. São eles:
Sistema automatizado de alimentação de lenha em fornalhas: a alimentação de fornalhas e caldeiras sempre foi cenário de diversos acidentes. Nesse sistema, a lenha ou cavacos de lenha alimentam secadores automaticamente, a partir de sensores no corpo do secador e na própria fornalha, aumentando a eficiência energética e econômica do processo.
Secadores de coluna: esse tipo de secador veio em substituição aos tradicionais secadores de cascata ou de fluxos mistos. Neste dispositivo há menor revolvimento do produto no corpo do secador, promovendo uma secagem mais homogênea e com até 4% de impurezas na massa de grãos;
Determinadores automáticos do teor de água do produto no secador: esses equipamentos são acoplados aos secadores fazendo a coleta, em tempos programados, de amostras de grãos que têm o seu teor de água determinado durante a secagem, facilitando a melhor tomada de decisão quanto à continuação ou término do processo.
Sensores digitais de temperatura de grãos para secador: cabos de sensores digitais no interior do equipamento enviam informações em tempo real e sem fio da temperatura da massa de grãos para uma central, onde os operadores do secador podem verificar se a temperatura programada está de acordo com o que está sendo observado, permitindo, assim, verificar possíveis problemas, tanto no secador quanto nos sistemas de aquecimento do ar.
Sensores de CO2 na massa de grãos: um dos principais produtos da respiração, o CO2, ao ser medido por esses sensores, permite verificar possíveis focos de deterioração na massa de grãos, além de avaliar a eficácia de outros processos utilizados para reduzir a deterioração no armazenamento.
Re-circulador de fosfina: a fosfina vem sendo utilizada no controle de insetos e pragas há tempos. Todavia, com o passar dos anos, muitas espécies de insetos vêm adquirindo resistência ao princípio utilizado, além de questões estruturais das unidades que reduzem sua eficácia. Assim, esses equipamentos promovem a recirculação do gás fosfina da massa de grãos, aumentando sua eficiência no controle dos insetos e pragas.
Exaustores com sistemas de iluminação natural para silos, graneleiros e armazéns: os exaustores já vêm sendo utilizados há anos para a redução da movimentação das correntes de ar quente no interior de silos e graneleiros. A tecnologia atual conta com sistema de iluminação natural que promove, além da exaustão, a iluminação pela entrada de luz natural do sol no interior de silos, armazéns, depósitos, dentre outros, permitindo que diversos tipos de trabalho e reparos sejam executados no interior das estruturas com mais segurança.
Automação e gerenciamento da aeração/refrigeração utilizando sensores digitais: realizado durante anos utilizando termopares convencionais, o controle da temperatura da massa de grãos passou a contar com equipamentos mais eficientes e precisos. Além de maior eficácia, esses sensores permitem que os preceitos da Agricultura 4.0, ou “era da internet das coisas”, possam ser aplicados aos processos de aeração e refrigeração, promovendo sistemas de gerenciamento e correto manejo, que podem ser acessados a qualquer momento de forma remota, com maior quantidade e precisão de dados, a partir de computadores conectados à internet ou em dispositivos móveis, como celulares e tablets.
Há, ainda, empresas do setor que criaram sistemas que interligam todos os dados obtidos pelos sensores digitais de temperatura e umidade relativa do ar que ficam no interior da massa de grãos com modelos de equilíbrio higroscópico das espécies que estão sendo armazenadas, promovendo maior eficiência, considerável redução de gastos energéticos e perdas pós-colheita.