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domingo, junho 26, 2022
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Soja Louca II é reconhecida como nova doença

Prejuízos de até 60% já foram contabilizados com a Soja Louca II, que tem medidas estratégicas recomendadas para o campo, depois de sua descoberta

 

Créditos Embrapa Soja
Créditos Embrapa Soja

Há 10 anos os pesquisadores da Embrapa e parceiros trabalhavam na identificação da causa da Soja Louca II (SL-II), que já é reconhecida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) como uma doença causada pelo nematoide Aphelenchoidessp.

Desde a safra 2005/06, a Soja Louca II vem causando reduções de até 60% na produtividade da soja, principalmente em regiões quentes e chuvosas como os Estados do Maranhão, Tocantins, Pará e Mato Grosso. A doença apresenta como sintomas principais: plantas de soja com haste verde, retenção foliar e abortamento de vagens antes de finalizar seu ciclo.

“A identificação do agente causal da SL-II representa uma descoberta importante, porque direciona as atividades de pesquisa para a definição das estratégias de manejo, o que trará um enorme alento aos produtores que amargam prejuízos com uma doença até então desconhecida”, revela o pesquisador Maurício Meyer, da Embrapa Soja, que contabilizou a doença em 3,3 milhões de hectares na última safra.

Só no Tocantins foram 870 mil hectares, enquanto no Pará o mal está em toda a área plantada. No Maranhão são 780 mil hectares, e no Mato Grosso, considerando o Norte e o Vale do Araguaia, 1,28 milhão de hectares. “Provavelmente é uma área de risco de ocorrência e de perdas com Soja Louca no Brasil, ou seja, 10% da área plantada no Brasil“, calcula.

Quando o problema foi detectado, os pesquisadores da Embrapa descartaram as hipóteses de ataque de percevejo (agente causador da Soja Louca I), problemas nutricionais ou distúrbios fisiológicos da planta. “Esses sintomas, observados na década de 1980 em algumas áreas de soja, eram conhecidos por Soja Louca e também causavam a incidência de haste verde e retenção foliar no final do ciclo da cultura, mas a Soja Louca II era diferente”, explica Meyer.

Naquela ocasião, amostras de hastes e folhas de soja, coletadas em áreascomerciais e experimentais no Maranhão e no Pará, com e sem os sintomas de Soja Louca II foram enviadas ao laboratório da Epamig, em Uberaba (MG), quando se observou elevada concentração do nematoide apenas nas amostras de plantas sintomáticas. De acordo com Luciany Favoreto, pesquisadora da Epamig, a análise foi feita por meio de uma metodologia adequada ao gênero do nematoide, revelando sua associação com a SL-II.

 

O que fazer?

 

Ainda segundo Meyer, não há uma estratégia de manejo que seja considerada eficiente. O que existe são resultados de ensaios de observação feitos ao longo dos anos para conhecer mais a fundo a biologia do nematoide e o causador dele, o Aphelenchoidessp.

“Como nós descobrimos e definimos somente no ano passadoos causadores do problema, ainda não temos dados de pesquisas efetivos que embasem uma estratégia de manejo. O que nós temos são observações de ensaios que mostram que provavelmente teremos que adotar algumas medidas de manejo cultural para evitar a permanência de nematoide nas áreas de um ano pra outro, especialmente quanto às plantas daninhas, que são as hospedeiras dos nematoides“, informa o pesquisador.

O nematoide pode ficar presente na palhada dos restos da cultura da soja de uma safra anterior para a próxima safra. Portanto, medidas que façam com que esses restos de culturas se degradem mais rapidamente provavelmente ajudarão na redução da incidência da Soja Louca na próxima safra.

Técnicas

Maurício Meyer, pesquisador da Embrapa Soja -  Créditos Embrapa Soja
Maurício Meyer, pesquisador da Embrapa Soja – Créditos Embrapa Soja

A gradagem, que é a incorporação dos restos de culturas, é uma das medidas utilizadas contra o nematoide, entretanto, deve-se mexer o mínimo possível no solo em regiões de clima tropical, onde ocorre o problema, visando o melhor manejo de solo para manutenção e preservação das características desejáveis do perfil, tanto químicas como físicas. “E a gradagem trabalha contra esse princípio. Por isso, é uma medida que não indicamos. Acreditamos que fazer o manejo dessas plantas daninhas no período de pós-colheita da soja e de dessecação antes do plantio da próxima safra é uma medida que contribui para a diminuição do problema“, aponta Maurício Meyer.

Outra estratégia é o controle eficiente das plantas daninhas logo no momento de pós-emergência da soja, depois do plantio, e manter uma cobertura de solo com gramínea, por exemplo, que deve acelerar a degradação dos restos culturais da soja.

O pesquisador conta que ainda não há resultados de pesquisa mostrando a eficiência do controle químico ou do biológico, mas a partir de 2017 algumas pesquisas devem ser conclusivas sobre esse aspecto.

Essa matéria você encontra na edição de outubro 2016 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua.

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