Soja transgênica e o fornecimento de manganês

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Breno Araújo

breno.araujo@rehagro.com.br

Geraldo Gontijo

Assistência técnica agrícola Rehagro

O glifosato foi sintetizado pela primeira vez em 1964 como um potente quelante industrial - Crédito Shutterstock
O glifosato foi sintetizado pela primeira vez em 1964 como um potente quelante industrial – Crédito Shutterstock

Àmedida que a agricultura se moderniza, os sistemas de produção evoluem com a adoção de novas tecnologias e com o aperfeiçoamento do conhecimento agronômico. O grau de complexidade dos sistemas também aumenta, pois há a inclusão de novos fatores no ambiente de produção. Novos fenômenos e interações entre esses fatores aparecem, surgindo a necessidade de se estudar e conhecer tais eventos.

Um exemplo disso é o surgimento dos Sistemas de Produção Roundup-Ready que revolucionaram o manejo de plantas daninhas nos cultivos agrícolas. No decorrer da adoção da nova tecnologia, começou-se a observar uma influência do glifosato sobre a nutrição das plantas e a incidência de doenças. Um caso especial ocorre entre a soja RR e o micronutriente manganês (Mn).

O manganês

O manganês presente no solo é proveniente das rochas que lhe deram origem. Seus teores na região dos cerrados podem variar de 0,6 a 96 ppm, sendo o teor de 8 ppm considerado crítico para a nutrição de plantas. Apesar dessa grande variação, os solos do cerrado conseguem suprir de forma adequada a maioria das culturas, sendo raros os casos de deficiência.

Existem diferentes formas de Mn no solo (as de maior disponibilidade são Mn+3 e Mn+2), as quais estão inter-relacionadas por diversos processos físico-químicos. Sua disponibilidade é função do pH, das condições de óxido-redução, dos microrganismos do solo e de exsudados de raízes. O pH é possivelmente o fator mais importante, sendo que, quanto mais ácido for, maior é a disponibilidade de Mn.

Na planta

A essencialidade do manganês para plantas foi descrita em 1993 por Smith. O nutriente absorvido do solo é transportado via xilema, movendo-se livremente na corrente transpiratória e acumulando-se em folhas, caule e raízes, quando suprido adequadamente.

O Mn é classificado como “imóvel no floema“; portanto, uma vez acumulado em determinado órgão, dificilmente é redistribuído pela planta. Isso explica o fato de os sintomas de deficiência se manifestarem nas folhas novas.

De fato, o manganês é o segundo micronutriente mais exigido pelas plantas. As mais importantes funções no metabolismo vegetal estão relacionadas à fotossíntese, sendo esse um dos processos que respondem mais sensivelmente à sua deficiência.

O Mn tem participação nos processos de fotólise da água e em várias reações da fase bioquímica, sendo que sua deficiência prejudica a estrutura dos cloroplastos. Outras funções desse micronutriente estão relacionadas à respiração, ao metabolismo do nitrogênio e ao metabolismo secundário, em que é cofator importante nas reações-chave envolvidas na biossíntese de metabólitos secundários.

Na soja

Segundo Malavolta (2006), a soja é uma das culturas mais sensíveis à deficiência de Mn. Alguns estudos têm atribuído tal comportamento a certas particularidades do metabolismo do nitrogênio em leguminosas. Nesse grupo de plantas, o nitrogênio é suprido por bactérias simbióticas na forma de ureídos, que são transportados via xilema para serem metabolizados nas folhas. A metabolização de tais compostos é catalisada por uma enzima que tem necessidade absoluta de Mn.

Outro aspecto importante é que o ancoramento dos rizóbios junto às raízes é sinalizado por flavonoides. Essas substâncias são produtos do metabolismo secundário, que têm o manganês como importante cofator enzimático de diversas rotas metabólicas.

O glifosato e a nutrição com Mn

O glifosato foi sintetizado pela primeira vez em 1964, como um potente quelante industrial. Seu uso como herbicida se deu alguns anos depois, em 1971. Sua molécula possui uma forte natureza metal-quelante, com alta especificidade por alguns micronutrientes, entre eles o manganês.

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