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Solução prática para proteção de mudas florestais de alto valor

Ricardo Vilela

Diretor da Bela Vista Florestal

ricardo@belavistaflorestal.com.br

Créditos Bela Vista Florestal
Créditos Bela Vista Florestal

As mudanças climáticas estão no centro das discussões ambientais, agrícolas e florestais há algum tempo. O agravamento do fenômeno El Niño vem causando estragos e mais estragos ao campo brasileiro, ao potencializar os extremosde nosso clima, que ocorrem em regiões distintas.

As secas no norte e noroeste de Minas são conhecidas e esperadas, mas municípios como o de João Pinheiro, onde a precipitação média anual – apesar de mal distribuída – fica em torno de 1.300 mm, têm registrado chuvas abaixo de 1.000 mm nos últimos três anos.

As chuvas fortes na entrada do outono e da primavera,que de forma aleatória são acompanhadas de ventos fortes e/ou granizo, agora vêm com tornados, como o que destruiu recentemente um dos maiores viveiros de mudas de eucalipto de São Paulo e do País.

Os veranicos comuns no mês de janeiro estão cada vez mais fortes. Estes chegam exatamente no momento mais delicado de um novo projeto florestal, que é sua implantação.

Foi justamente pensando nessa questão, a fragilidade da muda nova, em sua fase inicial de estabelecimento, com emissão de raízes e novas brotações, que a empresa Bela Vista Florestal desenvolveu epatenteouum protetor de mudas, um produto simples e inovador, que tem se mostrado muito eficiente.

Ricardo Vilela, diretor da Bela Vista, em conjunto com Rodrigo Gomes Peixoto, desenvolveu e patenteou a solução, registrada com o número BR 10 2015 009152 4.

Como é ele

O protetor de mudas florestais foi projetado para proteger o solo em volta do coleto (tronco da muda) contra o aquecimento causado por raios solares que acarretam a queima do coleto e, consequentemente, a morte da planta pela interrupção do transporte de água e seiva.

Além do objetivo inicial, foi constatado que o protetor não só mantém a terra em volta do coleto e da raiz em temperatura mais amena, como segura a umidade nesta área por mais tempo. Isso o torna um grande aliado do gel comumente utilizado nos plantios florestais, como vêm atestando os produtores que fizeram essa combinação.

O resultado

Percebemos que a técnica evita o crescimento de mato no pé da planta, o que não pode ser combatido com herbicidas e requer capina manual, tornando-se um serviço caro e perigoso para a muda jovem, eem caso de chuva forte, o afogamento das mudas pela terra carreada por enxurradas também é em grande parte evitado.

Os protetores são fáceis de serem colocados, com um rendimento superior a um hectare/homem/dia, e podem ser pulverizados com produtos repelentes de formigas cortadeiras.

Por serem biodegradáveis, as peças se dissolvem com o tempo, sem causar prejuízos ao meio ambiente, portanto, não é necessário retirá-las. Nos testes realizados na Bela Vista Florestal e na Natureza Reflorestamentos, os protetores ainda se encontravam em volta das mudas, depois de seis meses.

Vantagens

Os benefícios são muitos, diminuindo custos com replantio, o que envolve não apenas mudas extras, mas mão-de-obra, adubações de reforço, etc. Além de padronizar melhor a floresta e as operações de implantação, evita plantas dominadas, o que gera maior produtividade geral.

Contudo, sua utilização deve ser analisada pela relação custo-benefício, ou seja, apesar de ideal para mudas florestais de alto valor, como cedro australiano, mogno africano, guanandi e teca, seu custo, em torno de trinta centavos, é alto para proteger mudas de eucalipto, que são vendidas por um pouco mais do que isso.

Também é mais necessário no verão e, principalmente, em solos arenosos, que se aquecem mais e causam muitas queimas de mudas.

Na prática

A empresa Natureza Reflorestamentos S.A., queconduz hoje o maior projeto de cedro australiano do País, estava numa enrascada em janeiro de 2015. O projeto era completar o plantio de 150 hectares de mudas nobres até o fim do verão.

No ano anterior, as chuvas atrasaram, e o preparo de solo só foi iniciado em fim de outubro. Os plantios foram iniciados em novembro e o cronograma seguia tranquilo. Em 20 de dezembro parou de chover.

A área plantada chegava a pouco mais de 30 hectares, portanto 20% do total. O veranico permaneceu até o fim de janeiro. Sem nuvens no céu, a intensidade dos raios solares passou a causar queima das mudas plantadas, pois a temperatura do solo passava de 50°C.

A irrigação e o gel não seguravam a umidade no solo e o plantio teve que ser interrompido. Na segunda metade de janeiro a empresa passou a utilizar os protetores, o que estancou a mortalidade. Em fevereiro os plantios foram retomados e em 60 dias os 120 hectares restantes estavam prontos.

Segundo o depoimento de Rener Souza Silva, gerente operacional da Natureza Reflorestamentos S.A.: “Utilizamos o protetor de mudas da Bela Vista Florestal em 150 hectares de cedro australiano e mogno africano. Conseguimos reduzir a necessidade dereplantio em até 80%. Sem esse produto não teríamos cumprido nossa meta de 150 hectares daquele verão“, finaliza.

Essa matéria você encontra na edição de dezembro/ janeiro 2016  da revista Campo & Negócios Floresta. Adquira já a sua.

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