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segunda-feira, julho 22, 2024
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Sombreamento para folhosas é solução contra calor

Santino Seabra Junior
Engenheiro agrônomo, PhD e professor – Universidade do Estado de Mato Grosso – UNEMAT
santinoseabra@hotmail.com
Rafael Rosa Rocha
Engenheiro agrônomo e mestrando em Ambiente e Sistemas de Produção Agrícola –UNEMAT
rafaelrochaagro@outlook.com
Franciely da Silva Ponce
Engenheira agrônoma e doutoranda em Horticultura/Agronomia – UNESP
franciely.ponce@unesp.br
Daniela Aparecida Lima Costa
Graduanda em Engenharia Agronômica – UNEMAT
danielalima85@outlook.com

A produção de hortaliças folhosas em condições de altas temperaturas é um desafio, pois as espécies de maior importância econômica, como a alface, almeirão, escarola, couve, rúcula, agrião, entre outras, tem melhor desempenho produtivo quando cultivadas de clima ameno. A temperatura ótima da alface, por exemplo, varia de 15 e 20ºC, e toleram temperaturas máximas de até 30ºC.
Contudo, o cultivo em regiões tropicais, equatoriais e em períodos de verão em regiões subtropicais e até mesmo em regiões temperadas, as altas temperaturas podem proporcionar diversos problemas na produção de folhosas, como por exemplo a redução da produção, do número de folhas, do ciclo vegetativo e pendoamento precoce, que proporcionam folhas rígidas e em alface, folhas amargas devido à maior concentração de látex e a queima das bordas em folhas centrais, entre outros problemas.

Tecnologias

Para viabilizar a produção de hortaliças folhosas em condições de altas temperaturas, é preciso o emprego de tecnologias, como o uso de cultivares tropicalizadas, que apresentem resistência ao calor e o emprego de telados, visando a redução da carga energética/luz sobre as plantas e, consequentemente, a redução da temperatura. Ao reduzir a incidência direta dos raios solares nas espécies que necessitam de menor fluxo de energia radiante, reduz-se o estresse por excesso de radiação e temperatura, atuando diretamente na fotorrespiração e na fotoinibição, proporcionando melhores condições ambientais para o cultivo, aumentando a produtividade e a qualidade das folhas para consumo.
Entretanto, o uso de telas inadequadas pode proporcionar uma redução no fluxo de luz a níveis inadequados, promovendo prolongamento do ciclo, estiolamento das plantas e redução da produtividade e qualidade.
No mercado brasileiro há diversos tipos de telas para uso agrícola aplicadas ao sombreamento de plantas, que geralmente são produzidas com polietileno de alta densidade e recebem aditivos de proteção contra os efeitos da radiação ultravioleta, proporcionando maior durabilidade ao material.
Podem ser do tipo monofilamento (fios) ou fitas, proporcionando diversos tipos de trama, com diferentes malhas, cores e, consequentemente, caracteriza o tipo de utilização e a quantia bloqueada de luz solar desejada.

Opções

O mercado fornece vários tipos de telas com diferentes finalidades, que vão desde a proteção contra granizo, insetos e sombreamento, variando o bloqueio de luz de 12 a 80%. Porém, quando o objetivo é proporcionar sombreamento para cultivo de folhosas, as mais utilizadas e recomendadas são as que variam de bloqueio de luz de 30 a 50%, nas cores preta, prata ou vermelha.
No entanto, além da porcentagem de sombra, também existe uma grande variação na cor da tela, podendo ser preta, aluminizada, prata, pérola, branca, vermelha, amarela, verde e azul. São conhecidas popularmente como telas de sombreamento as de cor preta, as fotoconversoras as coloridas e as termorefletoras as aluminizadas.
As telas coloridas vermelhas, também denominadas de telas fotoconversoras, modificam o espectro de luz que ao atravessar a malha sofre um processo denominado fotoconversão. A tela vermelha faz aumentar a passagem de luz na faixa de vermelho e vermelho distante, que é o espectro de luz mais absorvido pelo fitocromo e, consequentemente, é benéfico para os processos de fotomorfogênese e fotossíntese das plantas, beneficiando-as.
Mas, isso pode apresentar resultados satisfatórios para regiões de climas menos cálidos. Entretanto, em regiões de altas temperaturas, o cultivo de hortaliças sob telado vermelho pode não apresentar o mesmo desempenho obtido ao cultivar sob tela preta e prata, que são mais eficientes na redução de temperatura.

Telados na redução da temperatura

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O uso de telas no cultivo de hortaliças caracteriza uma ótima opção para os produtores que desejam garantir a produção rentável de hortaliças em condições de altas temperaturas. Vários estudos têm se mostrado promissores em relação ao uso de telados e incremento das características organolépticas das hortaliças folhosas devido ao melhor aproveitamento da luz que incide no interior dos ambientes, ocasionando maior taxa fotossintética e maior ativação do metabolismo de nitrogênio (N) nas folhas.
Outros estudos ainda mostram que existe interação entre a absorção e assimilação do N com a irradiância incidente, indicando que modificações microclimáticas provocadas pelas malhas termorrefletoras e difusoras podem alterar o teor e o conteúdo de nutrientes na alface, sobretudo do N.
Trabalhos têm demonstrado também que hortaliças folhosas produzidas sob ambientes telados apresentam menor massa por unidade de área. Esse fator é importante porque indica que as folhas são mais tenras, quando comparadas a hortaliças cultivadas em campo aberto. Portanto, essas folhas são mais adequadas a mercados consumidores mais exigentes.

Resultados de pesquisas

O uso de telas visando a redução de temperatura tem sido descrito como eficiente por meio de resultados de pesquisas, mesmo em condições extremas de temperatura, como em Cáceres (MT), que está localizado em clima Tropical (AW) e a média da temperatura anual é de 26, 24ºC e tem temperaturas médias de setembro a novembro atingido médias em torno de 28ºC.
Em estudo avaliando a eficiência de telas pretas e aluminizadas com porcentagens de bloqueio de luz de 30, 40 e 50% na redução de temperatura, estas apresentaram eficiência sobre a temperatura do ar reduzindo cerca de 8, 11 e 13% a temperatura mínima, máxima e média. Reduziu a temperatura máxima, por exemplo, de 36,8 para 31,9ºC, representando uma grande diferença na temperatura ambiental, além do incremento de 300% na produção, em que a alface passou de 53g, quando produzida a pleno sol, para 160 g quando produzidas sob telado coberto com malha aluminizada de 50% de sombra.
Em regiões de extremo de temperatura, como a citada na região de Cáceres, o aumento da produção é incontestável, porém, nas condições de safra onde as temperaturas eram favoráveis ao cultivo, o sombreamento chegou a reduzir em até 20% a produtividade, i.e. Quando produzidas a pleno sol, as folhosas atingiram produção e 361 g por planta e nas sombreadas produziram cerca de 300 g por planta, mesmo sendo cultivada numa região considerada tropical.
A utilização da sombra deve ser uma estratégia pensada para o período do ano e as condições ambientais locais, criando estratégias para obter maiores produtividades.

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