19 C
Uberlândia
segunda-feira, julho 15, 2024
- Publicidade -spot_img
InícioArtigosGrãosSubstâncias húmicas liberam nutrientes retidos no solo

Substâncias húmicas liberam nutrientes retidos no solo

Leandro Antunes Mendes

Doutorando em Química Analítica Ambiental e mestre em Química Analítica Ambiental no Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo (IQSC/USP)

lmendes7.lam@gmail.com

Maria Diva Landgraf

Técnica e pesquisadora do Laboratório de Química Ambiental ” IQSC/USP

Maria Olimpia Oliveira Rezende

Professora e pesquisadora responsável pelo Laboratório de Química Ambiental ” IQSC/USP

Tradicionalmente, os ácidos húmicos (AHs) têm sido definidos como substâncias de coloração escura, compostas por macromoléculas de massa molecular relativamente elevada, formada por reações de síntese secundária a partir de resíduos orgânicos de plantas, animais e microrganismos.

A tendência termodinâmica natural desses compostos é de formar agregados espontaneamente. Tais associações são isoladas progressivamente da rede de estrutura da água.

 

Lavoura de milho responde melhor com aplicação de substâncias húmicas - Crédito Shutterstock
Lavoura de milho responde melhor com aplicação de substâncias húmicas – Crédito Shutterstock

Ação direta

O estudo da ação direta das substâncias húmicas sobre o metabolismo e o crescimento das plantas tem sido centrado, principalmente, nos ácidos fúlvicos, ou seja, a fração humificada considerada de menor massa molecular.

Isso ocorreu por uma simples questão: não era possível conceber que uma substância de massa dois ou três milhões de vezes maior como os ácidos húmicos (na ordem de micrômetros) pudesse passar por poros ou espaços aparentes no apoplasto (na ordem de nanômetros).

No entanto, baseando-se na concepção emergente do arranjo macroestrutural de substâncias húmicas, compostos de reconhecida capacidade de regulação e estimulação do crescimento vegetal, como os hormônios vegetais, podem estar fracamente unidos à supraestrutura das substâncias húmicas e ser liberados para a solução do solo e para a absorção das plantas por uma simples variação de pH na interface das raízes.

Dessa forma, os ácidos húmicos e seus domínios hidrofóbicos predominantes podem ser considerados um liberador de compostos químicos que pode ser aberto ou fechado, fazendo uma ligação entre a planta e seu ambiente de crescimento.

Tais alterações podem supostamente gerar fragmentos de baixo peso molecular, potencialmente capazes de induzirem alterações no metabolismo celular de plantas. Os efeitos das substâncias húmicas nos vegetais estão relacionados com o aumento na absorção de nutrientes, devido à influência na permeabilidade da membrana celular e ao poder quelante, bem como à fotossíntese e à formação de ATP, aminoácidos e proteínas.

O desenvolvimento

As substâncias húmicas alteram diretamente o metabolismo bioquímico das plantas e, por consequência, podem influenciar seu desenvolvimento. A interação planta-microrganismo pode alterar a estrutura e a conformação das substâncias húmicas, e pequenas unidades portadoras de bioatividade podem estimular o crescimento e o metabolismo dos organismos.

A ação direta das substâncias húmicas sobre o metabolismo e o crescimento das plantas tem sido atribuída à ação das substâncias húmicas de menor peso molecular, sobretudo os ácidos fúlvicos.

Nesses termos, a concepção do arranjo supraestrutural das substâncias húmicas preconiza que compostos de reconhecida capacidade de regulação e estimulação do crescimento vegetal (hormônios vegetais, por exemplo) estão ligados à supraestrutura das substâncias húmicas e, assim, podem ser liberados para a solução do solo por uma variação de pH na rizosfera, entre outros fatores.

O aumento da absorção de nutrientes proporcionado pela presença de substâncias húmicas em solução tem sido atribuído ao aumento da permeabilidade da membrana plasmática, por meio da ação das substâncias húmicas, e à ativação da H+-ATPase da membrana plasmática.

Essa matéria completa você lê na edição de Julho da revista Campo & Negócios Grãos. Clique aqui e faça sua assinatura agora.

ARTIGOS RELACIONADOS

Benefícios dos aminoácidos e algas para o cultivo de cebola

  Lucas Anjos de Souza Pesquisador e professor - Instituto Federal Goiano, Polo de Inovação em Bioenergia e Grãos, campus Rio Verde (GO) lucasanjos22@yahoo.com.br Higor Ferreira Silva Victor Paulo...

Estratégias contra fundo preto em tomate

É muito comum encontrarmos em plantas de tomate, aparentemente saudáveis, os sintomas de fundo preto nos frutos. Por isso, conhecer suas características e causas é necessário para a aplicação correta das técnicas preventivas.

Cultivo protegido é estratégia para maior produtividade

  Silvio Calazans Engenheiro agrônomo e consultor em alface americana silviocalazans@bol.com.br   Entre as vantagens do cultivo protegido destaca-se o aumento de produtividade e qualidade (sanidade e aspecto) das...

Organominerais + ácidos húmicos – Vantagens para a beterraba

A beterraba (Beta vulgaris L.) é uma ótima alternativa de renda para os horticultores. A cultura apresenta três biótipos para cultivo: beterraba açucareira, forrageira e hortícola. Dentre esses, a hortícola, ou beterraba vermelha, é a mais cultivada no Brasil.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!