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quinta-feira, junho 30, 2022
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Substâncias húmicas são aliadas do desenvolvimento radicular do feijoeiro

Nilva Terezinha Teixeira

Engenheira agrônoma, doutora em Solos e Nutrição de Plantas e professora de Nutrição de Plantas, Bioquímica e Produção Orgânica do Centro Universitário do Espírito Santo do Pinhal (UniPinhal)

nilvatteixeira@yahoo.com.br

Crédito Shutterstock
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As substâncias húmicas (SH), compostas de ácidos húmicos, ácidos fúlvicos e húmina, são os principais componentes da matéria orgânica do solo (85 a 90%) e originam-se a partir de transformações bioquímicas de compostos como lignina, celulose, hemicelulose, açúcares, aminoácidos, etc.

A ideia de que as substâncias húmicas tinham um papel importante e direto na nutrição das plantas vem do século XIX. Em 1800, descobriram que o único produto capaz de fornecer alimento para as plantas, em seu processo de crescimento e produção, seria o húmus.

Anos depois descobriram que os minerais são os fornecedores de nutrientes para as plantas. Há quem demonstrou que um solo podia manter sua fertilidade durante anos somente com a aplicação de fertilizantes. Outros pesquisadores propõem que deveria se estudar o sinergismo entre minerais e húmus.

Benefícios

As substâncias húmicas participam de importantes reações que ocorrem nos-solos Crédito Sebastião Araújo
As substâncias húmicas participam de importantes reações que ocorrem nos-solos Crédito Sebastião Araújo

Resultados experimentais têm comprovado os benefícios proporcionados pela introdução dos húmicose fúlvicos no sistema produtivo agrícola e, ainda, os efeitos na fisiologia e sobre o crescimento de plantas.

As substâncias húmicas participam de importantes reações que ocorrem nos solos, influenciando a fertilidade pela liberação de nutrientes, pela detoxificação de elementos químicos, pela melhoria das condições físicas e biológicas e pela produção de substâncias fisiologicamente ativas e, tais substâncias vêm sendo empregadas como condicionadores de solos arenosos e argilosos, inclusive em fertirrigação.

Há evidências de que os ácidos em referência apresentam efeito sobre a absorção de nutrientes pelas plantas, principalmente devido a interações destes compostos com os sítios de absorção da membrana celular.

A ação direta de tais substâncias sobre o metabolismo e o crescimento das plantas tem sido atribuída principalmente à ação das substâncias húmicas de menor peso molecular, principalmente os ácidos fúlvicos. Os efeitos das substâncias húmicas nas plantas estão relacionados com o aumento na absorção de nutrientes, devido à influência na permeabilidade da membrana celular e ao poder quelante, bem como benefícios à fotossíntese.

Os ácidos húmicos e fúlvicos propiciam, também, aumento da taxa respiratória e das reações enzimáticas do ciclo de Krebs, o que resulta em maior produção de ATP. Ainda, tais substâncias promovem incremento no conteúdo de clorofila, de ácidos nucléicos e de proteínas.

O processo

Durante o processo de decomposição das substâncias húmicas, vários compostos estimulantes de crescimento, como auxinas, giberelinas, aminoácidos são formados, o que pode, segundo pesquisas, estimular o desenvolvimento radicular e a atividade da microbiota do solo.

Os ácidos húmicos apresentam grupamentos auxínicos em sua estrutura que ativam as bombas de H+-ATPase da membrana plasmática. Esse fato promove a acidificação do conteúdo celular e, consequentemente, a plasticidade da parede celular, resultando no incremento da área e comprimento radicular.

Acredita-se que os ácidos húmicos absorvidos pela planta, em estágios avançados de seu desenvolvimento, são uma fonte de polifenóis, que funcionam como catalizadores da respiração. O resultado é o aumento da atividade metabólica do vegetal; aceleração dos processos enzimáticos e da divisão celular, crescimento mais rápido da raiz e aumento de matéria seca.

Trabalhos feitos com as mais diversas culturas têm comprovado o efeito dos ácidos húmicos e fúlvicos no enraizamento. Em azevém, morango, pimenta, calêndula, milho e alface, também ficou demonstrado que tais compostos estimulam a produção de raízes. Entretanto, enfatizam que o benefício só ocorre até determinada quantidade (variável com a espécie).

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Essa matéria completa você encontra na edição de agosto de 2018 da Revista Campo & Negócios Grãos. Adquira o seu exemplar para leitura completa.

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