Surto mundial de vira-cabeça deixa setor em alerta

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Entre as culturas mais afetadas estão o tomate e a alface, que já amargaram prejuízos de 100%, devido à morte rápida da planta

Vira-cabeça em abobrinha - Crédito Addolorata Colariccio
Vira-cabeça em abobrinha – Crédito Addolorata Colariccio
Vira-cabeça em tomate - Crédito Everton de Paula
Vira-cabeça em tomate – Crédito Everton de Paula
Vira-cabeça em tomate - Crédito Everton de Paula
Vira-cabeça em tomate – Crédito Everton de Paula
Vírus do vira-cabeça em alface - Crédito Silvio Calazans
Vírus do vira-cabeça em alface – Crédito Silvio Calazans
Vírus do vira-cabeça em alface - Crédito Silvio Calazans
Vírus do vira-cabeça em alface – Crédito Silvio Calazans

Vira-cabeça é o nome dado à doença causada por um complexo de vírus composto, principalmente, por quatro diferentes espécies de vírus denominados Tomato Spotted Wilt Virus (TSWV), Tomato Chlorotic Spot Virus (TCSV), Groundnut Ringspot Virus (GRSV) e Chrysanthemum Stem Necrotic Virus (CSNV), pertencentes ao gênero Tospovirus, família Bunyaviridae.

Todas essas espécies causam sintomas típicos de bronzeamento das folhas mais jovens, podendo ocorrer, também, sintomas de clorose e paralisação do desenvolvimento da planta. “As folhas ficam distorcidas e pode haver lesões necróticas no limbo e no caule das plantas afetadas. Os sintomas podem variar de acordo com a idade, as condições nutricionais, a variedade e as condições ambientais, sendo sempre mais severos quando a infecção ocorre em plantas jovens“, alerta Addolorata Colariccio Trevisan, pesquisadora do Laboratório de Fitovirologia e Fisiopatologia do Instituto Biológico (IB).

A doença pode ocasionar, também, necrose da parte apical da planta, o que resulta em posterior tombamento do ponteiro, sintoma que deu origem à denominação de vira-cabeça, em tomateiro, para essa moléstia.

Os sintomas também se manifestam nos frutos, sendo que no tomateiro e no pimentão os frutos apresentam sintomas de anéis concêntricos, alternados com manchas amareladas e anelares, que podem ser cloróticas ou necróticas. Em folhosas, entre elas a alface, ocorre a paralisação do crescimento da parte interna das plantas.

Transmissão

O vírus é transmitido de modo circulativo persistente não propagativo, por insetos vetores popularmente denominados tripes. Esses insetos pertencem a três gêneros diferentes: Frankliniella, Scirtothrips e Thrips.

Addolorata Colariccio informa que o inseto adquire o vírus durante o período da alimentação, obrigatoriamente na fase de larva, o qual irá circular e replicar no corpo do inseto que, por sua vez, permanecerá infectado por toda a sua vida.

A eficiência da transmissão está relacionada à polifagia e à reprodução. Isso quer dizer que os insetos produzem um grande número de ovos, durando o ciclo de vida dos insetos de 10 a 25 dias, sendo mais curto em temperaturas mais altas. Isso propicia um maior número de gerações e, portanto, a maior disseminação do vírus.

Existe, ainda, a predominância de um dos gêneros, conforme a região em que se localiza a cultura. Em São Paulo, por exemplo, predomina a espécie Frankliniella shultzei.

O surto dos últimos tempos

Para a pesquisadora Addolorata Colariccio, o que provavelmente provocou o surto de vira-cabeça foram as condições climáticas, temperaturas elevadas e baixa umidade. “Outro fator pode estar associado ao material genético que vem sendo usado pelos agricultores, sem resistência genética“, relata.

No Brasil, tem sido diagnosticada a ocorrência do TSWV e do TCSV. Desse modo, as variedades com resistência ao TSWV podem não apresentar resistência ao TCSV, provocando o surto dos últimos tempos.

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