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segunda-feira, julho 22, 2024
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Técnicas para o cultivo de folhosas

 

Andréia Cristina Silva Hirata

Pesquisadora científica VI ” Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios

andreiacs@apta.sp.gov.br

Edson Kiyoharu Hirata

Engenheiro agrônomo e mestre em Produção Vegetal

 

Alface em plantio direto sobre brachiariaruziziensis no verão - Fotos Andréia Hirata
Alface em plantio direto sobre brachiariaruziziensis no verão – Fotos Andréia Hirata

A produção de hortaliças folhosas é um dos maiores desafios dos olericultores. As folhosas são adaptadas a regiões de clima ameno e, desse modo, sua produção está concentrada em locais com maiores altitudes e de solos mais férteis.

Todavia, sendo uma hortaliça altamente perecível, há redução na sua qualidade durante o transporte. Assim, é um produto onde a produção local é necessária para atender a elevada demanda em determinadas épocas do ano. Todavia, em regiões de clima quente, a produção é dificultada pelas altas temperaturas e chuvas abundantes.

Difícil, mas rentável

A viabilização da produção de folhosas é uma atividade de alta rentabilidade, especialmente para pequenos produtores, uma vez que exige baixo investimento e o lucro é certo, pois há pico de consumo e redução da produção, principalmente para a alface, principal hortaliça folhosa produzida e comercializada.

Porém, as técnicas tradicionalmente utilizadas na produção de hortaliças folhosas envolvem cultivo intensivo e elevado revolvimento do solo para o preparo de canteiros, o que implica em grande desagregação da estrutura do solo e perda de matéria orgânica, com consequente desequilíbrio físico, químico e biológico do solo.

Neste sentido, pesquisas têm sido desenvolvidas na Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios ” APTA para adaptar a técnica do plantio direto para o setor de folhosas. Apesar de amplamente utilizada na produção de grãos, para as hortaliças há necessidade de adaptações.

Novidades

Gramíneas como milheto e Brachiariaruziziensis têm sido estudadas para o cultivo de alface no verão. O sistema consiste na realização da adubação fosfatada nos canteiros e semeadura das plantas de cobertura no início de outubro.

Em meados de dezembro, essas plantas são dessecadas com herbicida e, de acordo com a quantidade de palha formada, o transplantio ocorre de 14 a 21 dias após a dessecação. As mudas são transplantadas sobre a palha dessecada.

A técnica permite a realização de três cultivos no mesmo canteiro, sem revolvimento do solo, com a mesma adubação de base (fosfatada), sendo realizada apenas adubação de cobertura do solo com nitrogênio e potássio.

Canteiro convencional após chuva - Fotos Andréia Hirata
Canteiro convencional após chuva – Fotos Andréia Hirata

Biomassa

Entre as vantagens do sistema está a rotação de culturas, promovida pelas gramíneas, a qual implica em redução da incidência de pragas e doenças de solo, o que é constatado pela manutenção do estande da cultura, mesmo no verão, diferentemente do que é observado nas áreas de produção comercial, onde nesta época do ano há redução acentuada da população de plantas.

Isso ocorre porque as gramíneas não são hospedeiras das principais pragas e doenças da cultura, o que resulta em quebra do ciclo reprodutivo destes patógenos e consequentemente redução de sua população no solo.

Uma característica importante das gramíneas é a elevada produção de biomassa. A biomassa resultante da dessecação dessas plantas permanece por maior tempo no solo, pois apresenta baixa velocidade de decomposição em relação às leguminosas.

Apesar do uso de “cobertura morta“ por vários produtores, a vantagem do plantio direto é que a formação de palha ocorre no próprio canteiro, com o efeito benéfico da raiz da planta de cobertura sob o solo.

As raízes e a palha das gramíneas dessecadas promovem a manutenção da estrutura dos canteiros, as quais, no sistema tradicional, são praticamente dissolvidas pelas altas precipitações pluviais, que são constantes nesta época de cultivo. Isso implica em perda de plantas, solo, água e nutrientes, o que eleva o custo de produção, pois há necessidade de levantar novamente os canteiros e realizar a adubação e o plantio.

O não revolvimento do solo entre os cultivos evita a exposição do banco de sementes de plantas daninhas do solo, o que, associado à palha formada pelas gramíneas, reduz a emergência de plantas daninhas e, consequentemente, a mãodeobra para a capina.

Outro aspecto observado é que as folhas inferiores permanecem sobre a palha, o que evita o contato direto com o solo. Isso permite redução de mão deobra para a operação de limpeza pós-colheita. Também se verifica menor podridão das folhas inferiores das plantas, o que reduz o descarte.

A tecnologia está sendo transferida para olericultores da região de Presidente Prudente (SP), a qual apresenta elevadas temperaturas no verão, o que, associado ao solo arenoso, potencializa os problemas de erosão do solo e perda de produção.

Sem custo

O sistema não necessita de aquisição de equipamentos adicionais ao que o produtor tem disponível na sua propriedade.O custo da semente de adubo verde é baixo e a produção de palha é rápida (em torno de 50 dias), sendo os resultados prontamente observados em hortas comerciais já no primeiro cultivo.

Deste modo, o sistema tem viabilizado a produção de folhosas no verão com ganho de produtividade e redução de custo.

Essa matéria você encontra na edição de julho da Revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira o seu exemplar.

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