Tecnologia da Epagri reduz riscos climáticos na agricultura familiar

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Cobertura do solo com palhada é um dos princípios do SPDH (Foto: Marcelo Zanella / Epagri)

O extensionista Marcelo Zanella, da Gerência Regional da Epagri em Florianópolis, estará nesta terça-feira, 28, na Escola de Agroecologia de Parelheiros, na capital paulista, recebendo certificado pela experiência catarinense com o Sistema de Plantio Direto de Hortaliças (SPDH). O evento faz parte do projeto Cinturão + Verde – Agricultura periurbana, mudança do clima e abastecimento de grandes centros urbanos, desenvolvido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O SPDH foi uma das sete experiências selecionadas em todo o Brasil pela FGV, em chamada pública para identificação de soluções que contribuam para a redução de riscos e vulnerabilidades climáticas de agricultores familiares, com potencial de escala e replicabilidade. No dia 28 os representantes de cada experiência estarão recebendo seus certificados da FGV como selecionados na chamada pública.

Sobre o SPDH

O Sistema de Plantio Direto de Hortaliças (SPDH) foi desenvolvido pela Epagri para transição da agricultura convencional para a agroecológica. A tecnologia, que hoje está difundida por 4 mil hectares de Santa Catarina, permite reduzir o uso de agrotóxicos e adubos altamente solúveis até eliminá-los das lavouras.

As pesquisas da Epagri na área iniciaram em 1998. A meta da Empresa é que toda a olericultura catarinense seja conduzida nesse sistema até 2030.

O segredo do SPDH é promover a saúde da lavoura com práticas voltadas para o conforto das plantas. Isso significa reduzir o estresse relacionado a fatores como temperatura, umidade, salinidade e PH do solo, luminosidade e ataque de pragas e doenças. “Na nutrição da planta, é preciso seguir as taxas diárias de absorção de nutrientes ajustadas às reservas nutricionais do solo, aos sinais apresentados pelas plantas e às condições ambientais”, diz Marcelo Zanella, engenheiro-agrônomo da Epagri. Se a planta fica mais resistente, exige menos insumos para se desenvolver de forma adequada.

Práticas conservacionistas

O sistema prevê uma série de práticas conservacionistas. A principal é a proteção permanente do solo com palhada, utilizando plantas de cobertura para formar biomassa. Além dessas plantas, conhecidas como adubos verdes, são mantidos na área de plantio os restos vegetais de culturas anteriores. Cada hectare de horta precisa de, pelo menos, 10 toneladas de palha por ano. O revolvimento do solo é restrito à linha de plantio e, nessa área, o olericultor deve praticar rotação de culturas.

Além de proteger o solo, as plantas de cobertura servem de alimento para macro e microrganismos, aumentam a concentração de matéria orgânica, reduzem o surgimento de plantas espontâneas e mantêm a umidade e a temperatura mais estáveis. “Com a rotação de várias espécies, há redução nos problemas fitossanitários, aumento na biodiversidade e na ciclagem de nutrientes, mantendo e melhorando a fertilidade do solo”, diz Marcelo.

Reduzindo o uso de adubos e agrotóxicos, o agricultor gasta, em média, 50% menos para produzir hortaliças em SPDH. A melhoria na qualidade e na uniformidade das plantas permite reduzir em 35% as perdas na colheita. Além disso, as taxas de infiltração de água no solo chegam a ser três vezes maiores que no sistema convencional – a redução média no uso de água para irrigação é de 80%.

Confira aqui a programação do evento de divulgação dos resultados do projeto Cinturão + Verde