Tela azul minimiza ataque de pragas e doenças

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Liliane Marques de Sousa

Engenheira agrônoma e mestranda em Fitotecnia – Universidade de Viçosa (UFV)

liliane.engenheira007@gmail.com

Alasse Oliveira da Silva

Engenheiro agrônomo e mestrando em Fitotecnia – ESALQ/USP

alasse.oliveira77@usp.com

Walleska Silva Torsian

Engenheira agrônoma e doutoranda em Fitotecnia – ESALQ/USP

walleskatorsian@usp.br

Foto: Shutterstock

A plasticultura é uma técnica aplicada à agricultura moderna para cultivar as mais diversas espécies, especialmente as hortaliças. E, de certa forma, o uso de telas coloridas em cultivo protegido contribui para a redução de problemas fitossanitários, além de ser uma maneira de contornar problemas causados pelas variações climáticas. Diante disso, a utilização de telados coloridos é altamente recomendável nos sistemas de cultivo de produção agrícola.

Há duas formas de amenizar a entrada de pragas e doenças nos sistemas de cultivo protegido – pela proteção óptica e física. A primeira atua repelindo os insetos pela reflexão da radiação ultravioleta antes mesmo que eles cheguem à malha.

Já na segunda, a tela funciona como uma barreira mecânica, impedindo a entrada dos insetos para o interior do ambiente de cultivo, que também podem ser agentes transmissores de doenças. Para isso, essas malhas têm orifícios menores que o abdômen dos insetos, e aditivos especiais.

Além disso, essas telas proporcionam uma boa ventilação ao ambiente, e isso diminui problemas com fungos como Botrytis e Pseudoperonospora cubensis. Com isso, o emprego dessa tecnologia, aliado ao manejo adequado, pode significar diminuição nos índices de ataque de pragas e doenças nesses ambientes de cultivo, reduzindo perdas e aumentando a produção e qualidade dos frutos e folhas das plantas cultivadas.

Nesse contexto, em função da grande sensibilidade especialmente das hortaliças às adversidades climáticas e problemas fitossanitários cultivadas em campo aberto, a produção dessas espécies em ambiente protegido com telas coloridas tem sido amplamente utilizada, principalmente pelos produtores de hortaliças e frutíferas, objetivando maior produtividade, precocidade, melhor qualidade e possibilidade de produção o ano inteiro.

Benefícios proporcionados

A proteção das culturas com tela azul permite uma série de vantagens, tais como proteger as plantas contra os efeitos da variabilidade climática, como ventos, granizos, chuvas, geadas, frio e seca; diminuir a radiação que atinge as plantas, que quando em excesso, sobretudo, no verão, prejudica muitas culturas, especialmente as de pequeno porte, podendo induzir o fechamento estomático; reduzir a temperatura do ambiente, evapotranspiração e volume de água, com irrigação de 10 a 20%, 30% e 18,09%, respectivamente.

Aumento da difusão de luz no ambiente, e com esse espalhamento há maior penetração e captação da luz pelas plantas, elevando o seu potencial fotossintético. É importante salientar que ambientes protegidos com essas malhas coloridas podem contribuir para a não aplicação de defensivos agrícolas, ou quando aplicados, pode aumentar sua eficiência pela diminuição da velocidade dos ventos, reduzindo as perdas por deriva, bem como os riscos de danos mecânicos e a disseminação de esporos de fungos e patógenos.

Além disso, minimiza o ataque de pragas e doenças, com possibilidade de produção durante o ano inteiro, menor lixiviação dos nutrientes do solo, aumenta a difusão de luz no interior do dossel, promovendo melhores condições para o crescimento e desenvolvimento da planta, aumentando a produção das espécies.

Com isso, o cultivo utilizando telas coloridas configura-se como um sistema agrícola especializado, no qual se controla o meio edafoclimático, alterando as condições do solo, temperatura, radiação solar, vento, umidade e composição atmosférica para o maior e melhor desenvolvimento das plantas.

Como implantar a técnica?

Primeiramente, o produtor deve atentar-se para as plantas que estão sendo cultivadas, porque há espécies que são menos e outras que são mais tolerantes ao sombreamento, por isso, é importante considerar esse fator para evitar problemas à produção.

Dependendo da cultura, o excesso de sombreamento pode prejudicar a fotossíntese, causando alongamento e resultando em menor produtividade, enquanto que o excesso de luz pode provocar fotoinibição e fotooxidação, causando grandes danos às espécies.

A tela azul pode ser instalada na cobertura ou nas laterais do ambiente protegido sobre estruturas de arame ou madeira. Em casa de vegetação ou estufas, normalmente são instaladas na altura do pé direito, sendo sustentadas por fios de arame esticados entre as pontas dos pilares de sustentação.

Já em campo aberto podem ser implantados presos com arames e fixados no solo com postes de madeira ou outro material. A estrutura de suporte das telas pode, ainda, apresentar sistemas de abertura e fechamento, podendo ser manuais, manejados por meio de manivelas, polias e automáticos.

Isto possibilita a melhor exploração da radiação solar durante o dia e evita o aquecimento excessivo do ambiente, ou ainda o efeito negativo de baixas temperaturas.

O controle das telas de forma manual, com uso de manivelas e polias, necessita de mais mão de obra e monitoramento constante, ainda assim, pode significar melhores resultados produtivos do que manter as telas fixas.

Diante disso, quando o produtor escolhe por instalar telas fixas, deve atentar e optar por usar telas com grau de sombreamento adequado para a cultura para não comprometer o desenvolvimento das plantas, ou até mesmo todo o sistema produtivo.

Automação é um bom negócio

Nos sistemas automatizados, o controle de acionamento pode ser realizado de forma manual, por meio de um botão de ligamento e desligamento; por tempo pré-determinado, utilizando um temporizador e sensores, regulados pela combinação de parâmetros, como por exemplo, pela luz para fechar as telas quando a quantidade de luminosidade for baixa e abrir quando a temperatura estiver alta, ou quando houver outra condição climática limitante como granizo ou baixas temperaturas.

É importante salientar que os sensores devem ser instalados em locais adequados e calibrados frequentemente para fornecer dados reais.

O manejo das telas deve oferecer, ao longo do dia, as condições adequadas para o crescimento e desenvolvimento das plantas, para que assim possam expressar seu potencial produtivo. Cabe ressaltar que é recomendável que esses manejos sejam acompanhados por um técnico agrícola ou engenheiro agrônomo.

Além do mais, independente do sistema e manejo adotado, o monitoramento da ocorrência de doenças deve ser constante, pois embora a utilização de telados coloridos possa reduzi-las, é preciso que os produtores fiquem atentos, porque muitas doenças, quando surgem em ambiente protegido, podem ser mais severas que em campo aberto em função do maior adensamento das plantas.

Produtividade

Diversas pesquisas científicas e experiências práticas atestam que a utilização de telas coloridas aumenta a produtividade e qualidade dos produtos hortícolas. Em termos de produção, esse aumento pode atingir 30 a 40%, mas pode ser ainda maior que 50%.

Investimento x retorno

Embora seja uma tecnologia relativamente recente no Brasil, os benefícios do uso das telas coloridas já foram atestados em campo, então, o investimento que inicialmente é alto será compensado pela obtenção de resultados satisfatórios em termos de maiores produtividades e melhor qualidade dos produtos, desde que os manejos adotados sejam adequados para o bom desenvolvimento das plantas.

Entretanto, esse custo-benefício varia com a cultura explorada, como hortaliças folhosas, condimentares, frutos e de frutíferas, bem como o local e época de cultivo das espécies.

Normalmente, o valor de mercado de hortaliças e frutas com bom aspecto visual, tamanho padronizado e de boa coloração é bem mais elevado e requerido pelos consumidores, por isso, o uso de tela azul no ambiente de cultivo agregará não só mais sanidade, mas também qualidade e maior valor aos produtos, gerando rendimentos superiores aos custos de implantação dessa técnica.

As telas coloridas (azul e vermelha) atuam alterando o espectro de luz, transformando esta luz em produção agrícola, pois modificam a intensidade luminosa, a qualidade da luz e a quantidade de energia que chegam às culturas.

Independentemente da cor, reduzem a radiação que atinge as culturas, e quanto maior o fator de sombreamento, mais bloqueada será a radiação solar direta, porém, esse grau de sombreamento deve ser usado com base na cultura cultivada. A redução da radiação solar pelas telas afeta a temperatura do ar, solo, planta e a umidade relativa do ambiente de cultivo.