14.9 C
Uberlândia
quarta-feira, julho 17, 2024
- Publicidade -spot_img
InícioArtigosTelas técnicas para sombreamento: luz na medida certa

Telas técnicas para sombreamento: luz na medida certa

Foto: Ginegar do Brasil

Adriano Edson Trevizan Delazeri
Consultor – Hidroponic Consultoria em Hidroponia
contato@hidroponic.com.br

Em sistemas produtivos de hortifruticultura, buscamos a uniformidade e o incremento em produtividade, seja no cultivo a campo ou em estufa. A uniformidade da produção em tamanho, estar livre de danos físicos, coloração uniforme, faz com que o consumidor não escolha no mercado, gerando menor desperdício.

Com a crescente demanda por hortaliças de alta qualidade durante o ano todo, se busca investir em sistemas de cultivo que permitam produção adaptada a diferentes regiões e climas do planeta.

Nesse contexto, o uso de técnicas para atenuar a densidade da radiação solar incidente para valores tolerados pelas culturas, com a utilização de telas de sombreamento, resulta em aumento do crescimento e melhora da qualidade dos produtos, contribuindo para melhor desempenho, quando comparado com o cultivo a céu aberto.

Características

Muitas vezes chamadas de sombrites (que é nome comercial), as telas de sombreamento são feitas de tecidos de polietileno, um material sintético leve e resistente à radiação UV, o que as protege da degradação pelo sol.

Originalmente as telas eram na cor preta, mas hoje temos brancas, vermelhas, azuis, cinzas e aluminizadas, entre outras, cada uma em diversas graduações de cobertura: 20%, 35%, 40%, 50%, 80%, para citar as principais.

Quanto maior o valor da graduação, menos a radiação que passa pela tela. A escolha do tipo e a limitação da radiação estão intimamente ligados à cultura e seu ciclo, ao ambiente, sua localização geográfica e à época do ano.

Funcionalidade

Como o próprio nome sugere, a tela de sombreamento serve para criar uma sombra para algo. As telas pretas, atualmente, são usadas em sistemas de cultivo fora de estufa, os chamados telados, muito utilizados na cultura de tomate a campo, fruticultura e horticultura.

Com a função de limitar a radiação solar, reduzir o impacto das gotas de chuva e ainda proteger de granizo, a graduação das telas pretas é escolhida conforme a localização da propriedade, cultura e época de cultivo.

Para plantas que precisam de mais radiação solar, como o tomate, usamos os valores menores. As telas pretas têm a desvantagem de reduzir a luminosidade no ambiente, por conta da cor, por isso não são recomendadas para uso dentro de estufas.

As graduações mais altas, como 80%, são usadas para sombreamento de rebanhos. Telados também podem ser construídos com os outros modelos e cores de telas.

Brancas e coloridas

Foto: Ginegar do Brasil

As telas brancas, cinzas e laminadas são as mais usadas em ambiente protegido, estufas. As telas brancas têm a vantagem de reduzir a radiação dentro do ambiente protegido, sem reduzir a luminosidade.

Já as telas cinzas e laminadas, além de reduzirem a radiação, também refletem parte da radiação incidente, o que resulta em uma maior redução da temperatura dentro do ambiente. As telas laminadas são as mais reflexivas.

As telas azuis e vermelhas também atuam na diminuição da radiação incidente, mas produzem uma conversão da luz solar para outras faixas. Alguns trabalhos têm mostrado que essas telas diminuem a incidência de doenças e insetos no ambiente, levando a um melhor desempenho de produção de algumas espécies de flores de corte e vaso.

Contudo, não são indicadas para hortaliças, por diminuírem seu desenvolvimento. As telas vermelhas mais indicadas para cultivo de hortaliças promoveram um rendimento maior e anteciparam a colheita em períodos desfavoráveis às culturas, como no inverno do Sul do Brasil.

Todas as telas, independente da cor, também são usadas para o fechamento das estufas ou construção de quebra-ventos.

Sistemas de sombreamento

Os sistemas de sombreamento se dividem em: estáticos e dinâmicos. Estáticos são aqueles que, uma vez instalados, sombreiam o ambiente de maneira constante, sem possibilidade de graduação ou controle.

Como exemplos temos as telas que são usadas na fruticultura, canteiros de tomate e verduras, chamados de telados. Esse sistema a redução da radiação é constante ao longo do ano, e é mais indicado em graduações menores e em locais com maior incidência de radiação solar.

 Já os sistemas dinâmicos permitem o controle da radiação solar em função das necessidades climáticas do ambiente. Em estufas são os sistemas utilizados, pois podemos estender a tela nos dias e horários de maior incidência solar, e em dias nublados, no inverno, podemos manter a tela recolhida.

Em estruturas com sistemas dinâmicos, em dias de alta incidência solar, as telas são esticadas por volta das 10h e recolhidas a partir das 15h ou 16h, afinal as plantas se utilizam do sol para crescer.

Telas e controle térmico

Em ambiente aberto, o uso de telas diminui a temperatura sob elas, resultado da redução da radiação incidente. A tela também permite a passagem de água da chuva. Reduzindo a velocidade das gotas, pulveriza a água e impede a curvatura das plantas em uma tempestade.

Também atua como quebra-vento, permitindo o fluxo de ar e a passagem de umidade, reduzindo o efeito de geadas. Mas, dentro de estufas, apesar de diminuir a radiação, essa já passou pelo plástico e fica presa dentro da estrutura.

Nesse caso, a colocação da tela, apesar de diminuir a temperatura, tem seu impacto maior na redução da radiação que da temperatura. No Brasil, normalmente utilizamos as telas dentro da estufa e próximas da parte mais alta, de forma a manter o calor mais junto ao plástico, na parte alta. Desta forma, em estufas com abertura zenital, isso favorece a saída do calor.

 Em alguns locais, no Brasil, se utiliza a tela sobre a estufa, estendida junto ao plástico, como um sistema estático. Essa montagem tem um impacto muito maior na temperatura, principalmente se utilizamos telas laminadas, pois toda a radiação refletida não entra na estrutura, resultando em uma redução significativa da temperatura.

Em países como Israel, temos estruturas construídas sobre as estufas e distantes do plástico, que são móveis, podendo a tela ser esticada e recolhida conforme a necessidade.

 Outro uso das telas é reter calor dentro da estrutura. Em locais mais frios, a abertura da tela no final da tarde mantém junto ao solo uma camada de ar que foi aquecida durante o dia, e por algum tempo favorece a cultura e diminui o impacto de geadas.

Mas, é bom lembrar que o uso de telas de forma inadequada, visando atenuar a temperatura e reduzir a irradiância solar abaixo da exigência da cultura, diminui o fluxo de luz, promove prolongamento do ciclo, estiolamento das plantas e redução da produtividade.

ARTIGOS RELACIONADOS

Milho + crotalária – Benefícios sem fim

Anastácia Fontanetti Doutora e professora do Departamento de Desenvolvimento Rural do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de São Carlos- UFSCar anastacia@cca.ufscar.br O plantio de milho...

Plant-based: o mercado de alimentos vegetais movimentará US$ 4,6 bilhões até 2030

A Revista Campo & Negócios Hortifrúti apresenta sua matéria de capa sobre o mercado plant-based.

Cultivo de tomate rasteiro para mesa na região sudeste

https://www.youtube.com/watch?v=pp_U6ZoXsZk

III Simpósio de Irrigação

Estão abertas as inscrições para o III Simpósio de Irrigação, que acontecerá em 2 de outubro, na ESALQ. O evento, voltando aos estudantes, agricultores...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!