Têm controle biológico para vespa e pulgão?

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Autores

Luan Fernando Mendes
Graduando em Engenharia Agronômica – Centro Universitário Sudoeste Paulista (UNIFSP)
luan.mendes14@hotmail.com
Damaris Eugenia Dina
Graduanda em Engenharia Agronômica – Centro Universitário Sudoeste Paulista (UNIFSP).
eugeniadamaris@gmail.com
Bruno Novaes Menezes Martins
Engenheiro agrônomo, doutor em Agronomia/Horticultura) – FCA/UNESP e professor do Centro Universitário Sudoeste Paulista (UNIFSP)
brunonovaes17@hotmail.com
Crédito: Jovenil da Silva

Estudos afirmam que o aquecimento global e aumento de temperatura de até 1,5ºC no Brasil no decorrer dos últimos anos gerou uma mudança no status dos percevejos-praga, com a migração de Nezara viridula (percevejo verde) para o Uruguai e a dominância de Euschistus heros (percevejo-marrom).

Atualmente, o percevejo-marrom é uma praga de grande importância na cultura da soja, que só contava com opções químicas para o seu controle. Mas, inúmeros inimigos naturais são encontrados nas lavouras de soja. Eles contribuem parra a redução populacional do percevejo-marrom, sendo os parasitoides de ovos os mais importantes.

Sendo assim, destaca-se a espécie Telenomus podisi (microvespa), que ataca os ovos do percevejo marrom da soja, em decorrência da mesma ser atraída pelo feromônio sexual masculino do percevejo. Já foram relatadas taxas de parasitismo de 80% para T. podisi.

Assim, é possível atingir um bom resultado no controle do percevejo-marrom por meio de estudos sobre o desenvolvimento do agente biológico, formas de aplicação e criação do parasitoide.

Prejuízos

O percevejo-marrom é uma praga-chave na cultura da soja, ou seja, está presente na cultura em níveis populacionais relativamente altos. Os percevejos podem atacar a parte vegetativa, como folhas e hastes, no entanto, o principal problema ocorre quando atacam vagens em formação, prejudicando a formação de grãos, abrindo caminho para doenças e, consequentemente, reduzindo a produtividade.

Vale salientar que, em fase inicial de cultivo, ataques podem levar ao abortamento de vagens e implicar no retardamento da maturação dos grãos. Os insetos também podem injetar toxinas que causam retenção foliar, que é a manutenção das folhas verdes por um período mais longo, após a maturação da semente, o que pode ocasionar uma colheita com grãos mais úmidos.

Já em período mais suscetível (R3-7), o percevejo-marrom da soja, ao atacar as vagens, tende a reduzir o peso e tamanho de grãos, que ficam com aspecto enrugado e chocho, apresentando coloração arroxeada.

Controle biológico

As fêmeas de T. podisi localizam no campo os ovos do percevejo, e neles depositam seus ovos. Isso faz com que a praga interrompa seu desenvolvimento logo no início de seu ciclo, deixando os ovos com coloração escura e dando origem a novas vespas ao invés de percevejos. Este processo demora de cinco a 10 dias, dependendo da temperatura do ambiente.

Até o momento, a dose de 5.000 parasitoides por hectare tem mostrado ser a quantidade adequada para infestações de até 400.000 ovos de E. heros por hectare. A frequência de aplicação se faz mais importante que a dose.

A implantação desse método de controle biológico deve ser iniciada quando se observarem os primeiros ovos de percevejo. A liberação das vespas deve ser feita nos arredores do talhão, tendo em vista os hábitos da praga, que entra pelas bordas da área.

A técnica de liberação pode ser manual, por meio de envelopes, ou tecnológica, com os drones. O processo deve ser realizado no início da manhã.

Em campo

De acordo com estudos, em um período médio de ataque de 35 dias, o dano que a praga causa na cultura da soja é de 30 kg/ha por percevejo/m², o que é expressivo quando se leva em conta os diferentes estágios de desenvolvimento da cultura e como o ataque em determinados períodos pode prejudicar a produtividade total na cultura.

Outras pesquisas mostram que com o acréscimo de vespas liberadas na área de soltura, a população dos percevejos reduziu para índices inferiores ao nível de dano econômico durante todo o período crítico de ataque, enquanto que na área testemunha a população dos percevejos foi sempre mais elevada.

Erros

A seguir estão listados os principais erros cometidos pelos produtores:

þ Quantificação da praga: é extremamente importante saber em que níveis a praga se encontra na lavoura, afim de utilizar a técnica no momento e na ocasião corretas, evitando qualquer prejuízo, seja pelo custo da técnica ou produtividade

þ Pontos de liberação: a liberação deve ser realizada nas bordas. Quando feita em área total, as fêmeas não conseguirão achar os ovos de percevejos, que estarão concentrados nas bordas.

þ Dosagem e frequência de aplicação de defensivos: é essencial se atentar às dosagens, evitando aplicações desnecessárias, tendo em vista que as vespas se reproduzem, então a aplicação deve ser parcelada. 

Investimento x retorno

O custo pode variar de acordo com o tamanho da área e dosagem de aplicação, mas vale enfatizar que a técnica, sendo controle biológico, não acarreta qualquer resíduo ao produto final.

É importante salientar a eficiência do MIP (manejo integrado de pragas) para a utilização dessa técnica. Aliada a outros tipos de controle, como o químico, a redução de gastos se torna muito evidente.