Tomaticultor, consulte seu técnico!

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Autor

Mauricio Rezende MarquesBiólogo, especialista em Biologia Vegetal e mestrando em Agroecologia – Universidade Estadual de Maringá (UEM)mauriciormarques@hotmail.com

Tomate – Foto: Shutterstock

É bastante comum em grupos de WhatsApp encontrar produtores à procura de bons produtos para essa ou aquela doença/praga, especulações de híbridos que estão sendo utilizados e tantas outras questões relacionadas ao cultivo do tomate.

É sempre válida a troca de experiências, com certeza, mas a orientação melhor vem de um bom profissional, nesse caso, um técnico especializado na cultura do tomate, que além do conhecimento em alguns campos da ciência que permeia esta cultura também deve conhecer bem as condições edafoclimáticas de sua região de atuação. Vejamos a seguir alguns dos conhecimentos de que estamos falando.

Em detalhes

O bom técnico deve conhecer, dentre os muitos híbridos do mercado, os que oferecem  os melhores pacotes de resistência de proteção para patógenos que se destacam na região e  estação em que será implantada a cultura, inclusive podendo vir a sugerir o uso de porta-enxerto para complementar esta proteção. Uma análise de mercado para saber tipo e tamanho médio de frutos que melhor servirá para venda da produção.

    Uma análise da terra deve ser feita e o técnico que irá interpretar deve optar por uma das metodologias disponíveis, como o Método de Saturação por Bases ou Equilíbrio de Bases Trocáveis em relação à CTC do solo, estas as mais usadas no Paraná, mas existem outras.

Averiguar algumas relações entre nutrientes como Ca²+/Mg²+, é muito importante, mas há outras. Também uma avaliação no teor de matéria orgânica (MO) do solo e das propriedades físicas deste perfil é de grande indicativo para avaliações preliminares da microbiologia do solo e auxiliará na formatação de uma fertirrigação equilibrada.

Experiência é tudo

     A condução da planta com uma, duas, três, ou até quatro hastes nos diferentes espaçamentos, faz parte de um conjunto de conhecimento adquirido após experiência de trabalho com determinado híbrido.

O espaço entre linhas e entre plantas e a quantidade de hastes por planta a ser conduzida será indicado pelo técnico para o melhor aproveitamento da área visando o máximo de produção, com frutos de calibre satisfatórios. Vale lembrar que o uso de porta-enxerto para vigor tem possibilitado algumas variações.

A irrigação tornou-se mais complexa, com o uso concomitante dos adubos solúveis, o que comumente chamamos de fertirrigação. Aqui, as variáveis ficam mais complexas, devendo o técnico avaliar o cronograma de fertilização junto ao cronograma de molhamento da planta, equação esta que pode mudar em períodos de estiagem para períodos chuvosos, onde temos solos com saturação de capacidade de campo, por exemplo.

Manter a fertilização sem a necessidade de molhamento da cultura é apenas uma das equações que seu técnico deve estar pronto para solucionar, porque a falta de fertilizantes pode afetar a produção, tanto quanto o excesso de água pode afetar o desempenho das raízes e, em casos extremos, até a asfixia por falta de oxigênio.

A fertilização da cultura deve acompanhar os estádios fenológicos da planta, que mudará a relação NPK conforme estes estádios e também se diferenciará conforme o híbrido plantado, solo e clima.

Preocupe-se com a fonte

Alguns técnicos vão além da preocupação da relação NPK e alternarão também a fonte de matéria-prima, ora utilizando amônia, ora nitrato, isso para falar somente do nitrogênio, mas há outras variações possíveis, incluindo alternância de fertilizante de solo com hidrossolúveis.

Ao fim, o produtor terá uma estrutura de planta com relação de três folhas para uma penca com distanciamento sequencial excelente entre estes tendo, assim, o maior proveito possível do material genético escolhido.

A recomendação de defensivos agrícolas é circunspecta, regulamentada por lei, controlada pelo Estado mediante o Receituário Agronômico, e é preciso bom conhecimento para que se possa receitar com eficiência, evitando o uso de overdoses que pode gerar gastos desnecessários, prejuízos ao meio ambiente e injuria química.

É importante impedir o uso de subdoses, prevenindo a ocorrência de organismos resistentes ao princípio ativo utilizado. A proteção de plantas requer conhecimentos de fitopatologia e entomologia avançados. Saber qual o agente patogênico que está enfrentando, se o patógeno ataca os órgãos de reserva, os tecidos jovens, se são especialistas em absorção ou transporte d’água, se prejudicam a fotossíntese ou utilizam-se dos fotoassimilados como na classificação de McNew é conhecimento básico para uma boa diagnose.

Depois de identificado o patógeno, compreender suas particularidades é muito importante para definir um controle efetivo, porque se o técnico não souber, por exemplo, que os Oomycetos, responsáveis pela “requeima” do tomate, apresentam parede celular composta por celulose, diferentemente da maioria dos fungos, que têm parede celular composta por quitina, poderá estar adotando a estratégia errada de controle, apesar de os Oomycetos não serem mais classificados como fungo, mas serve como exemplo de que variações devem ser consideradas para definição da melhor estratégia de controle.

E agora?

Quando se trata do controle de pragas, em nada facilita a vida do técnico saber se o inseto faz uma picada de prova ou não, se o vírus é persistente, semi-persistente ou não- persistente deverá ser levado em consideração para definir o método de controle.

Há quem deva estar pensando que o controle orgânico poderia exigir menos conhecimento do técnico, ledo engano. Além do conhecimento da bioecologia do inseto-alvo, ações antecipadas devem ser realizadas nesse tipo de manejo, providenciando armadilhas para monitoramento, semeadura de plantas atrativas de predadores e outras providências que serão pensadas e implantadas antes mesmo da ocorrência da praga.

Muitos outros conhecimentos poderiam ser aqui listados, além do necessário das ciências básicas, como Biologia para saber onde tal elemento químico atuará na célula do microrganismo alvo, da Química para saber se tais fertilizantes reagem com sinergismo ou antagonismo entre tantos na mistura de tanque, da Física para poder dimensionar tamanho de gotas, volume de calda, deriva e tantas outras questões que permeiam uma pulverização agrícola.

Diante de todo esse conhecimento aqui brevemente mencionado, e outros que não foram citados, minha sugestão a você, produtor, é que consulte um bom técnico.