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domingo, julho 3, 2022
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Tratamento das mudas com fitorreguladores de enraizamento

Autores

José Geraldo Mageste
Doutor e professor – Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
jgmageste@ufu.br
Fernando Simoni Bacilieri
Engenheiro agrônomo, mestre e doutorando em Agronomia – UFU
ferbacilieri@zipmail.com.br
Ernane Miranda Lemes
Engenheiro agrônomo, fitopatologista e doutor em Produção Vegetal
ernanelemes@yahoo.com.br

O crescimento vegetal consiste em mudanças quantitativas irreversíveis que ocorrem em células, tecidos e órgãos. O crescimento compreende variações em termos de peso, tamanho e volume e apresenta dois componentes básicos: a divisão celular, que ocorre nas células meristemáticas, e o alongamento (expansão) celular, que acontece exclusivamente em células com paredes primárias.

O desenvolvimento vegetal é um evento resultante do conjunto de processos de crescimento e de diferenciação celular e encontra-se sobre o controle e influência de fatores genéticos, hormonais e ambientais.

A origem

As espécies vegetais produzem naturalmente hormônios que atuam nos processos fisiológicos, sendo os mais conhecidos as auxinas, giberelinas, citocininas, ácido abscísico e o etileno.

Os reguladores vegetais ou fitorreguladores são assim denominados para que sejam distinguidos dos hormônios, pois são substâncias aplicadas exogenamente que apresentam efeito hormonal com intuito de influenciar a fisiologia das plantas promovendo, inibindo ou alterando características vegetais, visando incremento de produtividade, qualidade de produtos e otimização de manejo.

As raízes são órgãos que interagem com os solos e que apresentam diversas funções, como o acúmulo de reservas, a fixação das plantas, a produção de hormônios e a absorção de água e dos nutrientes minerais. O sistema radicular pode ser afetado por competição com a parte aérea, podas, barreiras químicas (pH, alumínio, metais pesados, etc.), físicas (compactação) do solo, além dos problemas fitossanitários, como nematoides, fungos e pragas.

As raízes

Quando se pensa em enraizamento, deve-se entender que o sistema radicular apresenta dois tipos de crescimento: o crescimento em comprimento, na zona meristemática existente na ponta da raiz, e o crescimento vascular, que leva ao espessamento e a formação dos vasos condutores.

Em uma planta na fase juvenil, o crescimento do sistema radicular é de extrema importância para prepara-la para crescer e desenvolver-se adequadamente, pois quando as plantas estiverem em intenso desenvolvimento da parte aérea os ramos, folhas, flores e frutos atuarão como drenos consumidores de carboidratos, competindo com o sistema radicular, que terá menores chances de crescimento.

As auxinas são os hormônios mais relacionados ao enraizamento e já amplamente utilizadas na propagação vegetativa de espécies de interesse comercial e também de espécies nativas. O sucesso desse processo depende de uma série de fatores que podem interferir na rizogênese, como a idade da estaca (juvenil ou madura), a quantidade de reservas acumuladas, hábito (arbórea, herbácea ou arbustiva), taxa de lignificação, presença ou ausência de folhas, época do ano (decídua, frutificação, florescimento), porção da planta, etc.

Algumas espécies apresentam facilidade no enraizamento adventício, dispensando a aplicação de auxinas. Em contraste, em alguns casos a aplicação de auxinas estimula a produção de etileno e outras espécies apresentam dificuldade para enraizar.

Além das auxinas, outros grupos hormonais atuam nas raízes, como por exemplo, as giberelinas, que são responsáveis pelo desenvolvimento da endoderme (camada interna) das raízes, as citocininas, que promovem a diferenciação do sistema vascular na zona de transição, os brassinoesteroides, que atuam na epiderme da zona de transição, o ácido abscísico, que mantém o meristema apical da raiz quiescente em condições de estresse, e o etileno, que interage com as auxinas na regulação da síntese de auxinas nas células da região central da raiz, conhecida como columela.

Vantagens

Quando os cultivos ocorrem em regiões com elevado déficit hídrico, bem como em solos muito arenosos, com baixos teores de nutrientes e matéria orgânica, os quais não oferecem condições mínimas necessárias para o desenvolvimento inicial das mudas ou para a manutenção das plantas nos primeiros dias após o plantio, o estímulo ao enraizamento da plantas por meio de fitorreguladores pode ser altamente vantajoso, pois com um sistema radicular profundo e com maior volume as raízes preencherão mais espaços no solo e promoverão uma maior absorção de água e nutrientes, além de produzirem mais citocininas, o que proporcionará maior tolerância à seca.

Manejo

A utilização de giberelinas é recomendada na produção de mudas por meio de sementes com o objetivo de quebrar a dormência e favorecer o consumo das reservas do endosperma, que fornece energia para o embrião ter um vigoroso desenvolvimento inicial.

No caso de mudas produzidas a partir de estacas, os chamados clones, os fitorreguladores podem ser indicados conforme objetivos específicos, sendo as auxinas aplicadas para estimular o enraizamento, e as citocininas e giberelinas para o crescimento da parte aérea, geralmente utilizando o método da imersão rápida, principalmente para culturas de eucalipto e pinheiro.

Mais especificamente no plantio das mudas, pode-se destacar os estimulantes de raízes a base das auxinas, devido a sua importância para o “arranque inicial” e estabelecimento das culturas florestais. Tal arranque inicial garantirá o pegamento e evitará mortes e replantios de mudas.

Do ponto visto prático, é uma técnica muita interessante, pois tem-se a oportunidade de aplicar juntamente com o tratamento fitossanitário os fitorreguladores, e desse modo garantir o vigor necessário para as mudas suportarem as adversidades ambientais e eventuais danos por pragas e doenças na fase inicial de desenvolvimento das florestas.

De modo geral, auxinas, citocininas e giberelinas são empregadas como promotores do crescimento e desenvolvimento vegetal para manter o balanço interno de hormônios mais positivo e evitar os efeitos negativos dos hormônios inibidores, como o etileno e ácido abscísico, que resultam em redução do metabolismo e senescência.

Na dose certa

As recomendações variam em função do tipo de fitorregulador (efeito de auxina, giberelinas, citocininas) cultura, (pinus, eucaliptos, seringueira, nativas, etc.) fase fenológica (germinação, vegetativo, florescimento, frutificação) e forma de aplicação (foliar, jato dirigido ou rega), não existindo assim uma recomendação universal que atenda todas as ocasiões.

No manejo com fitorreguladores, por se tratarem de produtos técnicos, considerados como ajuste fino, eles exigem que todas as práticas de manejo de nutrientes e produtos fitossanitários sejam realizadas corretamente. Como mensageiros fisiológicos para as plantas, esses produtos só irão funcionar quando o ambiente proporcionar condições adequadas para expressão de genes que resultaram em respostas favoráveis ao crescimento e desenvolvimento das plantas.

Considerando que a utilização dos fitorreguladores pode aumentar o enraizamento e o “pegamento” inicial das mudas, pode-se assumir que na prática, em muitos casos, aumenta a sanidade das mudas, evita o replantio e, desta forma, o uso desta tecnologia torna-se uma técnica de manejo extremamente viável economicamente, considerando o potencial custo elevado com os replantios.

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