Tratamento de sementes com micronutrientes e enraizadores

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Júlio César RibeiroEngenheiro agrônomo e doutor em Agronomia/Ciência do Solo – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)jcragronomo@gmail.com

João Augusto Dourado Loiola Graduando em Engenharia Agronômica – UFRRJjoaoaugustodourado@gmail.com

Soja – Crédito: Shutterstock

O tratamento de sementes é realizado por meio de aplicação de produtos que preservam, aperfeiçoam e impulsionam a performance da semente na germinação e expressam a alta resposta gênica da cultura.

Antes de iniciar um tratamento de sementes é preciso estar atento à qualidade do produto que será semeado. A qualidade da semente é um fator importante na produtividade de qualquer cultura, sendo que esta deve possuir bons atributos fisiológicos, genéticos, físicos e sanitários. Fazer um tratamento nutricional e hormonal nas sementes é garantir um arranque na germinação e crescimento da plântula, e consequentemente reduzir o ciclo de cultivo e alcançar maiores produtividades.

Direto na semente

A aplicação de micronutrientes pelo tratamento de sementes proporciona uma maior uniformidade de aplicação e diminui as perdas dos produtos no campo. O uso de fitorreguladores no tratamento de sementes tem o objetivo de estimular o crescimento radicular, fazendo a manutenção do cotilédone e impulsionando a velocidade da germinação e emergência da plântula, possibilitando um maior desenvolvimento do sistema radicular e capacidade de absorção de água e nutrientes.

Em regiões que enfrentam veranicos, o uso de enraizadores proporcionam à planta uma maior resistência ao estresse hídrico, apresentando a cultura tratada maior resistência a danos químicos, biológicos e físicos.

Micronutrientes essenciais

Na cultura da soja, os micronutrientes que proporcionam maior produtividade em relação ao tratamento de sementes são o molibdênio e o cobalto. O tratamento de sementes de soja e milho com molibdênio aumentam a produção de enzimas e proteínas na planta.

Isto ocorre porque o nutriente colabora na atuação do nitrato redutase, que tem a função de reduzir o nitrato a nitrito. O molibdênio está presente nos nódulos das raízes das plantas fixadoras de nitrogênio, sendo encontrado nas enzimas nitrogenase e nitrato redutase nos bacterioides nodulares.

Desta forma, o molibdênio é um micronutriente atuante no aumento da eficiência da simbiose entre a planta e as bactérias fixadoras de nitrogênio, estando a deficiência de molibdênio relacionada à deficiência de nitrogênio nas plantas.

O cobalto não é considerado um elemento essencial para as plantas, e sim benéfico, pois não é requerido em quantidades significativas pelas plantas. Porém, o cobalto está presente na vitamina B12, que participa da formação da coenzima cobalamina, que é essencial para os microrganismos que fazem a fixação biológica de nitrogênio.

Quando ocorre ausência do cobalto, o desenvolvimento e as funções dos nódulos são afetados, e consequentemente a atividade da nitrogenase, diminuindo a absorção de nitrogênio pelas plantas. 

Manejo de aplicação

O tratamento das sementes pode ser efetuado na própria fazenda, tomando muito cuidado na realização do processo para que haja eficiência na aplicação e aumento de produtividade.  No caso do molibdênio e do cobalto na cultura da soja, deve ser feito na mesma ocasião da aplicação de inoculantes e fungicidas, contudo, de forma sequencial, não podendo os produtos serem misturados no tanque para aplicação.

Desta forma, é importante estar atento à concentração da calda, pois altas concentrações podem causar toxidez às sementes e influenciar negativamente na germinação. A aplicação deve ser realizada seguindo as recomendações do fabricante para que haja uma boa eficiência do produto.

De maneira geral, a dose recomendada pela Embrapa é de 12 a 25 g.ha-1 de molibdênio e 2 a 3 g.ha-1 de cobalto para a cultura da soja. No entanto, é importante estar atento quanto à dose a ser aplicada, visto que a mesma poderá ser ajustada de acordo com o resultado da análise de solo e o produto a ser aplicado.

Mais produtividade

A aplicação de molibdênio em sementes de soja tem proporcionado aumento de produtividade e também no percentual de proteínas nos grãos. Estudos realizados pela Embrapa demonstraram um aumento de 36% na produtividade média de três anos de plantio em Londrina (PR).

Maiores produtividades também foram constatadas em Ponta Grossa (PR), Medianeira (PR) e Simbaíba (MA), com aumentos de 29%, 30% e 53%, respectivamente. Doze estudos realizados pela Fundação Mato Grosso do Sul na cidade de Maracaju (MS), com o tratamento de sementes da cultura da soja com diferentes fontes de molibdênio e cobalto demonstraram em média aumento de 4,37 sc.ha-1.

A instituição também estudou a aplicação isolada desses elementos nas sementes, onde a aplicação apenas do molibdênio proporcionou aumento de 2,0 sc.ha-1 e a aplicação isolada do cobalto proporcionou aumento de 1,4 sc.ha-1, evidenciando os benefícios que o cobalto e o molibdênio podem proporcionar quando aplicados de forma conjunta em termos de produtividade.

Efeitos diretos

A aplicação de enraizadores nas sementes proporciona a germinação precoce da cultura, havendo uma redução em dias no ciclo da planta, possibilitando ganhos de produção de forma antecipada.

Estudos utilizando bioestimulantes no cultivo de soja em Luís Eduardo Magalhães (BA) demonstraram aumento de 14,4 sc.ha-1 quando comparado com o manejo realizado sem enraizadores, indicando elevada eficiência no desenvolvimento e produção da cultura.


Alerta

Preparar caldas de aplicação altamente concentradas pode causar toxidez às sementes, diminuindo o seu potencial germinativo. O contrário pode ocorrer – preparar caldas com baixas concentrações do produto pode diminuir seu poder de ação sobre as sementes.

Para o tratamento de sementes com enraizadores, micronutrientes e inoculantes, é importante salientar que as caldas e aplicações devem ser realizadas separadamente, visto a possibilidade de incompatibilidade entre os produtos, podendo anular o efeito benéfico nas sementes.

É fundamental que o tratamento das sementes siga as orientações técnicas do fabricante para a obtenção da máxima aderência e distribuição uniforme do produto sobre as mesmas, devendo ser realizada a semeadura logo após a aplicação para uma maior eficiência do produto.