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Tratamento de sementes de algodoeiro para controle de pragas e doenças iniciais

Alderi Emídio de Araújo

Engenheiro agrônomo, doutor em Fitopatologia e pesquisador da Embrapa Algodão

Sandra Maria Morais Rodrigues

Engenheira agrônoma, doutora em Entomologia e pesquisadora da Embrapa Algodão

Crédito Shutterstock
Crédito Shutterstock

A planta de algodoeiro é hospedeira de uma gama significativa de pragas e doenças que podem atacar todas as suas partes e causar sérios danos e prejuízos econômicos à lavoura. As pragas afetam a planta em todas as fases de seu desenvolvimento, o mesmo ocorrendo com as doenças. Entretanto, há um conjunto desses problemas que ocorre nas fases iniciais do cultivo, inclusive no período de pré-emergência das plântulas.

Embora a planta de algodão possua diferentes fases fenológicas, elas poderiam ser classificadas basicamente em dois estádios: o vegetativo e o reprodutivo, sendo que o primeiro se estende desde a emergência até próximo ao primeiro botão floral visível, e o segundo a partir deste até a colheita.

Pragas predominantes

Na fase vegetativa as pragas que predominam na cultura do algodoeiro são: o pulgão do algodoeiro (Aphisgossypii), o curuquerê (Alabama argilaceae), a mosca-branca (Bemisia tabaci Raça B), a lagarta mede-palmo (Trichhoplusiani) e a falsa medideira (Pseudoplusiaincludens), otripes (Frankliniellaschultzei), a lagarta-rosca (Agrostis ípsilon) e a principal doença é o tombamento de plântulas, causado por espécies de Pythium, Fusarium e, principalmente, por Rhizoctoniasolani.

Doenças e pragas iniciais do algodoeiro causam sérios danos ao estabelecimento da cultura, reduzindo o estande de plantas e, muitas vezes, obrigando o replantio e, com isso, elevando o custo de produção e ocasionando atraso no desenvolvimento da lavoura, que se reflete em menor produtividade.

Tratamento de sementes

O tratamento de sementes com inseticidas permite a proteção da cultura por um período próximo a 30 dias após a emergência, dependendo do efeito residual do produto.

O tratamento é importante porque mantém a planta protegida exatamente na fase em que ela se encontra mais vulnerável, que é o de estabelecimento no campo. Por outro lado, o tratamento com fungicidas evita a incidência do tombamento de plântulas, que pode ocorrer em pré e em pós-emergência.

Quando ocorre em pré-emergência, induz o apodrecimento da radícula logo após a germinação da semente e a plântula não emerge do solo, induzindo uma redução expressiva do estande.

O tombamento de pós-emergência também é muito comum, uma vez que, tendo emergido no solo, a plântula sem proteção pode entrar em contato com o inóculo de patógenos que se encontra na superfície do solo ou próximo a ela, e que induz à podridão do colo ou coleto, causando o tombamento.

Uma das pragas iniciais mais importantes é o pulgão-do-algodoeiro que, além de praga, atua também como vetor de viroses, sendo a mais importante a doença azul causada pelo CottonLeafRollDwarfVirus (CLRDV), que provoca danos significativos em cultivares suscetíveis, podendo induzir a perda total da capacidade produtiva da planta.

O curuquerê é uma das principais pragas do algodoeiro - Crédito Claudinei Kappes
O curuquerê é uma das principais pragas do algodoeiro – Crédito Claudinei Kappes

Eficácia

É principalmente para o pulgão que o tratamento de sementes com inseticidas é direcionado. Atualmente, a maioria da área de produção do Brasil é semeada com cultivares resistentes ao CLRDV.Entretanto, é importante manter o controle do A. gossypii como praga, para evitar danos ao estabelecimento da cultura, bem como ficar atento à incidência da praga em áreas com cultivares suscetíveis.

O controle deve se basear no monitoramento da lavoura, levando-se em consideração a necessidade de aplicação de inseticidas quando 5,0% de plantas estiverem atacadas até os 80 dias após a emergência com 01 a 06 pulgões por planta.

Esses inseticidas podem oferecer proteção contra outras pragas iniciais quando do estabelecimento da cultura, não dispensando, porém, o monitoramento de sua ocorrência, sobretudo porque, nem sempre, o espectro de ação dos produtos é amplo a ponto de permitir uma proteção segura contra todas as pragas durante os primeiros 30 dias.

 Doenças e pragas iniciais do algodoeiro causam sérios danos ao estabelecimento da cultura, reduzindo o estande de plantas - Crédito Shutterstock
Doenças e pragas iniciais do algodoeiro causam sérios danos ao estabelecimento da cultura, reduzindo o estande de plantas – Crédito Shutterstock

Manejo acertado

O tratamento de sementes de algodão é geralmente realizado de forma industrial, utilizando equipamentos modernos e de alta precisão. Esse tratamento garante a limpeza varietal das sementes, a uniformidade de recobrimento com os produtos e precisão na dosagem, tanto dos ingredientes ativos quanto de água e adjuvantes.

Para áreas de produção menores, pode ser utilizado o tratamento feito na própria fazenda, também chamado “onfarm“. Os cuidados a serem tomados são os mesmos, porém, esse tipo de tratamento é pouco recomendável, porque as máquinas utilizadas nem sempre são as mais apropriadas, o que resulta, muitas vezes, em falhas no recobrimento, diferenças de dosagens, que podem resultar em perdas na percentagem de germinação e proteção inadequada ou mesmo mistura varietal.

Essa matéria completa você encontra na edição de fevereiro 2018 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua para leitura integral.

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