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sexta-feira, julho 1, 2022
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Tratamento de sementes – O aliado do produtor rural

 

Andressa Cristina Zamboni Machado

Pesquisadora do IAPAR

andressaczmachado@hotmail.com

Daniela Sayuri Matunaga

Pós-graduanda IAPAR

 Crédito Shutterstock
Crédito Shutterstock

Os nematoides causam sérios prejuízos a importantes culturas agrícolas, como a soja, o algodão ou o café. Na cultura do milho, as perdas nas lavouras não são devidamente quantificadas, mas sabe-se que a presença de nematoides na área pode afetar o potencial produtivo da cultura.

Isso porque os sistemas radiculares parasitados por nematoides têm a absorção de água e nutrientes da solução do solo reduzida, o que ocasiona outros tipos de sintomas, como crescimento reduzido, sintomas de deficiências minerais, murcha durante os dias quentes com recuperação à noite, espigas pequenas e mal granadas.

Esses sintomas fazem com que a cultura do milho tenha aparência de irregularidade, podendo surgir então as reboleiras em pequenas áreas ou em grandes extensões.

Entretanto, tais sintomas dificilmente são visualizados na cultura do milho, em função da elevada tolerância dessa planta aos nematoides, sendo necessárias elevadas densidades populacionais dos mesmos para causar sintomas perceptíveis na lavoura.

Espécies

Crédito Andressa Machado
Crédito Andressa Machado

Os nematoides que atacam a cultura do milho são praticamente os mesmos que são prejudiciais à cultura da soja, ou seja, os nematoides das galhas, Meloidogyne incognita e M. javanica, além dos nematoides das lesões radiculares, Pratylenchus brachyurus e P. zeae, sendo que este último, apesar de parasitar ambas as culturas, por enquanto só causa prejuízos à cultura do milho.

Para os nematoides das galhas, híbridos com resistência estão disponíveis no mercado, o que não ocorre em relação às espécies de Pratylenchus, cujos híbridos disponíveis apresentam, no máximo, menor capacidade multiplicadora desses nematoides. Já foram relatadas perdas de 50% da produção de milho em função do ataque de P. brachyurus e P. zeae.

Além dos danos causados à cultura do milho, o cultivo da safrinha em áreas infestadas pode aumentar consideravelmente a população de nematoides no solo, devido à sua suscetibilidade às principais espécies, o que pode prejudicar ainda mais a cultura da soja, cultivada na sequência.

Controle

Crédito Saulo Fantini
Crédito Saulo Fantini

As principais práticas recomendadas para o controle dos nematoides na cultura do milho são a utilização de cultivares e/ou híbridos resistentes, a sucessão/rotação de culturas não hospedeiras, além do controle químico e biológico, via tratamento de sementes ou via sulco de plantio.

Em relação ao controle químico e/ou biológico, a principal forma de utilização é via tratamento de sementes, que se torna uma importante ferramenta aliada às outras práticas, que poderão diminuir consideravelmente os danos causados na cultura do milho, assim como em outras culturas.

Alguns trabalhos com tratamento de sementes podem ser encontrados e trazem respostas positivas para melhoria do crescimento das plantas, evitando ou limitando pragas e doenças, sendo utilizado como estratégia para uma agricultura mais sustentável.

Tratamento de sementes

O tratamento de sementes com ação nematicida tem como objetivo proteger o sistema radicular do milho, principalmente na fase inicial, podendo ser uma estratégia de grande importância para a redução das perdas causadas por esses nematoides, que variam de 5,0% a 30%.

A utilização de nematicidas biológicos tem crescido nos últimos anos no Brasil. De acordo com resultados obtidos pelo laboratório de Nematologia do IAPAR, localizado em Londrina (PR), observou-se que a utilização de Bacillus firmus via tratamento de sementes proporcionou incremento no desenvolvimento das plantas de milho, além de ser eficiente para o controle de Meloidogyne incognita.

Segundo vários autores e outros trabalhos realizados pelo laboratório do IAPAR, a utilização de produtos formulados à base de fungos e bactérias apresenta efeito estimulador do crescimento da planta não só de milho, mas também de soja, algodão e até de café.

O efeito de Bacillus firmus, sozinho ou em combinações com outros produtos utilizados comumente em tratamento de sementes, já foi bem documentado para a redução populacional de M. incognita e P. brachyurus na cultura do milho, especialmente quando essa bactéria foi utilizada em mistura com nematicidas químicos, como imidacloprid+thiodicarbe.

Resultados semelhantes também já foram relatados para as culturas da soja e do algodão.

Essa matéria completa você encontra na edição de setembro de 2018 da Revista Campo & Negócios Grãos. Adquira o seu exemplar para leitura completa.

 

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