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sexta-feira, agosto 12, 2022
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Tratamento de sementes – Técnica que gera resultados

Para entender completamente a importância do tratamento de sementes eficaz, é importante conhecermos os processos de aplicação e as etapas que trarão o resultado desejado. Os dosadores são uma etapa muito importante para se obter um bom desempenho e qualidade do TS e entender o processo de tratamento de sementes será fundamental. Esse processo constitui-se de etapas bem definidas, e apesar de possuir diversas técnicas e metodologias diferentes para cada uma delas, suas premissas são as mesmas.

A primeira etapa é o fluxo de sementes (entrada), normalmente vindo de algum silo após o processo de beneficiamento. Esse fluxo de sementes pode ser realizado por diversos tipos de mecanismos, como roscas transportadoras, por gravidade, esteira, tambores rotativos e balanças, podendo ser mecanismos individuais ou combinados entre si.

Juntamente com este sistema, faz-se necessária uma medição de massa ou de vazão das sementes para que se obtenha um tratamento uniforme e com qualidade, de acordo com a receita especificada.

A segunda etapa é o fluxo de calda, normalmente vindo de algum reservatório. Tal qual no fluxo de sementes, existem diversos mecanismos para realização desse fluxo de calda no processo de tratamento. Analogamente, deve ser aferido e controlado para que haja um tratamento homogêneo. Esta segunda etapa será o foco desse assunto, explicando diversos métodos de dosagem de caldas durante o tratamento.

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Figura 1. Fluxograma de processos do tratamento de semente

Etapas

A primeira e segunda etapa são processos que podem ocorrer simultaneamente ou de maneira intermitente durante o tratamento de semente. Elas ocorrem ao mesmo tempo no tratamento contínuo de sementes, ou de forma intermitente no tratamento por batelada.

A terceira etapa é a aplicação primária dos insumos para tratamento nas sementes. É uma das partes mais importantes do processo, já que é onde as sementes terão o primeiro contato com os produtos usados para o tratamento. Essa etapa é altamente influenciada pelas propriedades físicas do produto, como densidade e viscosidade.

atomizador

Aplicação por nebulização

corte semente

Sistema por aspersão

FIGURA_2_A_BATELADA

Figura 2a. Aplicação primária e secundária ocorrendo no bowl de um tratamento batch

FIGURA_2_B_TAMBOR_ROTATIVO

Figura 2b.:Aplicação secundária: Tambor

FIGURA_2_C_ROSCA DOSADORA

Figura 2c: Aplicação secundária: Rosca helicoidal

Aplicação secundária

A quarta etapa é a aplicação secundária no tratamento. Ela serve para distribuir ou redistribuir o produto sobre as sementes, de maneira que seja homogeneizado por todas elas.

As duas últimas etapas são dependentes uma da outra. Por exemplo, tem-se uma aplicação primária pobre quando o produto é distribuído de forma concentrada e direta nas sementes, que faz com que poucas sementes sejam efetivamente recobertas.

Desta forma, fica dependente de uma aplicação secundária que seja capaz de misturar as sementes buscando a uniformidade do tratamento.

Já quando temos um tratamento primário adequado que pode ser obtido pela nebulização da calda, há uma distribuição eficiente dos produtos em um maior número de sementes, além de uma possível redução do uso de água na calda aplicada, mantendo os químicos como principal ativo a ser utilizado e reduzir a dependência da aplicação secundária para um tratamento de qualidade.

Recomendações

Mesmo com uma aplicação primária adequada, a aplicação secundária ainda é recomendada para garantir a melhor mistura dos produtos nas sementes. Essa etapa é realizada, por exemplo, no fluxo de sementes e calda que ocorrem na rosca de tratamento, no movimento das sementes sobre a calda em tambores rotativos e dentro do bowl da máquina de batch.

Os dosadores

Explicados todos os procedimentos básicos do tratamento de sementes, pode-se então passar para um dos processos fundamentais, que é a dosagem dos produtos a serem aplicados.

Existem diversos tipos de dosadores, sendo que todos eles possuem suas vantagens e desvantagens. Dessa maneira, a escolha de qual dosador utilizar depende de cada caso e dos respectivos princípios de projeto. A seguir serão apresentadas algumas tecnologias de dosadores presentes no tratamento de sementes.

  • Copos medidores:são dosadores de baixo custo e fácil manutenção devido às suas características de construção. A dosagem é feita por copos medidores que recebem a calda a ser aplicada e a despejam no compartimento de tratamento em um movimento de rotação contínua.

Desta maneira, há uma dosagem constante, embora seja muito demorado fazer a regulagem certa devido à baixa sensibilidade de medida dos copos. A regulagem é feita pela mudança de volume dos copos e/ou pela rotação do eixo. Além disso, esse método mostra grande dependência da viscosidade do produto e pode expor o operador ao produto durante a regulagem dos copos.

FIGURA_3_DOSADOR_COPINHO

Figura 3: Dosador por copo medidor;

  • Dosador caracol:o mecanismo de dosagem é muito parecido com os dosadores de copo, mas a regulagem é feita apenas pela velocidade de rotação do dosador, sem o aparato físico para modificar o volume. Assim, é um dosador de fácil utilização, dosagem constante e contínua. Da mesma forma que ocorre no dosador por copos, a sua utilização e eficiência é muito dependente da viscosidade do produto.

 FIGURA_4_CARACOL_MOEGA

Figura 4: Dosador caracol

  • Bomba peristáltica: bombas peristálticas são ótimos equipamentos para se fazer dosagem de produto, já que são mais tolerantes à presença de sólido e ar na mistura. Proporciona maior precisão de dose, o que irá garantir que a recomendação da quantidade de químicos sobre as sementes seja mantida. Além disso, são de fácil operação e calibragem, dependendo apenas da frequência de operação da bomba. Por ser um equipamento mais protegido e tecnológico, sua manutenção é feita com menor frequência, ainda assim demanda regularidade para melhores resultados.

FIGURA_6_BOMBA_PERISTALTICA

Figura 6: Bomba peristáltica

  • Bomba pneumática: essa é outra possibilidade de equipamento para dosagem, mas que também se mostra muito dependente da viscosidade do produto, normalmente ocasionando dosagens pulsantes e não contínuas. Isso certamente irá influenciar na homogeneidade do lote tratado (umas sementes com mais e outras com menos) e a eficiência dos químicos pode ser afetada. É um equipamento pouco recomendado para tratamentos na fazenda (TS OF).

  • Bomba helicoidal: é uma bomba que funciona pela rotação de rotor helicoidal num estator. É o movimento dos espaços no rotor que movimenta o produto adiante. No campo, mostra-se um equipamento bastante confiável para dosagem de produtos, já que garante um fluxo constante em alta pressão e não depende da viscosidade da calda. Porém, não é recomendado para funcionamentos a seco ou fluídos abrasivos, já que o estator e o rotor se desgastam rapidamente pelo atrito durante seus movimentos.

FIGURA_7_BOMBA_HELICOIDAL

Figura 7: Rotor e estator da bomba helicoidal

  • Dosadores de pó: o tratamento de sementes tem evoluído constantemente. Hoje em dia, não representa apenas a aplicação de inseticidas e fungicidas. Outros produtos agora fazem parte desse processo, sendo que a apresentação comercial deles pode estar na forma de pó. Daí a necessidade das máquinas mais modernas incluírem também tecnologias distintas para a dosagem de pó.

Esse processo pode ser feito tanto na aplicação primária quanto secundária, com o intuito de fazer o pó aplicado aderir à semente pela calda. Existem diversos motivos para a aplicação de pó na semente, dentre os quais está o uso de substâncias adjuvantes no tratamento, secagem e também para se adicionar massa e volume na semente (processo conhecido como peletização), auxiliando nos processos posteriores de plantio das sementes.

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Figura 8: Dosador de pó por rosca helicoidal

Existem diversos métodos de dosagem de pó, já que esse possui características físicas peculiares durante seu movimento. A densidade, granulometria e outras propriedades dos diferentes pós influenciam seu comportamento durante a aplicação. Alguns desses métodos são:

Rosca helicoidal: a dosagem é feita com o pó despejado no eixo da rosca helicoidal, que devido ao seu formato faz o carregamento do pó até o bocal de descarga. É um método muito bom, já que evita o aglutinamento do pó nas paredes do reservatório, o que poderia impedir o fluxo. Esse é um método que apresenta ótima precisão de dosagem. O formato e velocidade da rosca variam de acordo com a densidade do pó a ser utilizado.

2.Dosador de mesa: o pó é despejado em uma mesa ou superfície inclinada e a gravidade, por meio da inclinação, realizará o deslocamento do produto. É um método simples e independente das propriedades física do insumo, mas a sua precisão e calibração são muito difíceis pelas restrições geométricas desse método.

  1. Vibração:muito parecido com o dosador de mesa, com a diferença de que o pó é despejado sobre uma superfície vibratória. Método um pouco mais sofisticado do que o anterior, mas com as mesmas limitações.

4.Esteira: a dosagem do pó é feita pelo movimento de uma esteira. O princípio mecânico é parecido com o da vibração e do dosador de mesa, porém,na esteira a dosagem tem uma precisão maior do que os dois exemplos anteriores.

Qual escolher?

Como dito, a escolha dos tipos de dosadores depende do processo desejado e dos produtos utilizados. Métodos tradicionais de dosadores, como os copos e o caracol, possuem baixo custo, sendo esse o seu principal atrativo. Todavia, deve-se ter em mente que sua performance e precisão de aplicação são bastante influenciadas.

Em outras palavras, deve-se ter em mente que a produção e a qualidade podem oscilar conforme a escolha do produto a ser utilizado. A simplicidade desses sistemas torna difícil a regulagem e a precisão, além de demandar uma manutenção constante.

Já as bombas peristálticas e helicoidais são sistemas de maior tecnologia e precisão de dose a ser aplicada sobre as sementes e que, por isso, demandam investimento maior quando comparado aos métodos mais simples.

Esse custo, todavia, é compensado pela maior precisão na dosagem, gerando uma operação mais eficiente, com maior controle e flexibilidade. Como a densidade não é um fator preponderante na operação, a performance da máquina torna-se mais previsível, independente da calda usada, e a qualidade final é potencializada.

A manutenção do sistema é necessária, porém, menos frequente e bastante simples. Mesmo a curto prazo, mostra-se uma solução interessante, considerando os benefícios oferecidos.

Essa matéria você encontra na edição de março 2018 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua.

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