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quinta-feira, janeiro 20, 2022
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Tratos culturais – As recomendações para a atemoia

Autor

José Emilio Bettiol Neto
Pesquisador do Centro APTA de Frutas
bettiolneto@iac.sp.gov.br

A principal vantagem dos híbridos de atemoia é a capacidade de serem cultivados em áreas mais amplas que seus genitores individualmente, uma vez que possuem maior adaptabilidade às condições climáticas de determinada região. Por exemplo, a cultivar Gefner se adapta bem em regiões mais quentes, por outro lado, a cultivar Thompson pode ser explorada em áreas de clima mais ameno.

De posse dessas informações e decidido pela exploração comercial da cultura, a definição da cultivar a ser implantada, em função da região, é fundamental para o sucesso do investimento. Além disso, a procedência das mudas deve ser muito bem avaliada, evitando problemas futuros ao fruticultor.

Uma das questões de grande importância antes da implantação de uma cultura em determinada área é o conhecimento das características do solo que receberá a cultura. A análise química do solo, por exemplo, fornece subsídios para a adubação e também para a necessidade de correção de sua acidez, característica comum aos solos tropicais, adequando-o à exploração comercial.

Deve-se ter em mente que apenas uma pequena porção de solo é enviada aos laboratórios e que esse volume deve ser representativo da área. Logo, a amostragem de solo assume papel muito importante, uma vez que certas ações subsequentes a campo serão baseadas nos resultados obtidos por essa análise. Assim, dada a peculiaridade e importância da correta amostragem de solo, esta deve ser realizada por pessoas capacitadas. Também, a escolha do laboratório que irá analisar a(s) amostra(s) de solo é muito importante.

Atenção

O planejamento na implementação do pomar deve ser feito com atenção redobrada. A limpeza, o preparo da área, a regulagem de máquinas, aplicação de corretivos, definição do espaçamento, análise da topografia, dentre outras, são ações que devem merecer atenção especial. Novamente, o acompanhamento técnico do planejamento na implantação do pomar é benéfico e aconselhável ao produtor.

A retirada de tocos e pedras da área, por exemplo, facilita a circulação de máquinas no pomar, manejo do mato, etc. A aplicação da quantidade correta de corretivos, entre outros, depende de regulagem adequada do maquinário. Dependendo do sistema de produção, topografia, maquinários disponíveis, etc., pode-se definir melhor o espaçamento das plantas, e até mesmo lançar mão de culturas intercalares.

Preparo

O preparo da área deve ser feito com boa antecedência ao plantio e a aplicação de corretivos com antecedência de, no mínimo, 30 dias. Para a atemoia, recomenda-se que a quantidade de calcário a ser aplicada seja calculada com o objetivo de elevar a saturação por bases na camada arável a 80% e a concentração de magnésio no solo a um mínimo de 9 mmolc/dm3.

Dependendo da declividade da área, sugere-se optar pelo cultivo mínimo, em que as operações que envolvam revolvimento do solo sejam realizadas apenas na faixa que compreende a linha de plantio. Nas entrelinhas a cobertura natural é mantida, apenas sendo roçada.

Assim como a calagem, o preparo das covas deve ser feito pelo menos um mês antes do plantio, com dimensões de 60 x 60 x 60 cm, separando a porção de solo dos primeiros 20 cm de profundidade. A esta porção recomenda-se misturar 20 litros de composto orgânico curtido à base de esterco bovino; 180 g de P2O5 na forma de superfosfato simples; 2,0 g de Zn (sulfato ou óxido de zinco) e 1,0 g de B (ácido bórico). Essa mistura retornará primeiro à cova e o restante de solo, camada compreendida entre 20 a 60 cm de profundidade, anteriormente retirada, preencherá a cova e será utilizada para confeccionar uma bacia ao redor da mesma.  

Tanto a adubação no período de formação da planta quanto na produção do pomar, as doses de nitrogênio, fósforo e potássio, principalmente, são muito variáveis e atreladas a diversos fatores. Assim, é recomendável que estas sejam indicadas por técnicos da área agrícola a fim de balanceá-las.

A deficiência ou o excesso no fornecimento de elementos à planta tem reflexos negativos na produção, logo, na rentabilidade do pomar. A análise química do solo e a foliar são ferramentas importantes no processo de decisão das quantidades e elementos requeridos pela planta.

Formação da copa

Uma vez instalado o pomar e as mudas estabelecidas plenamente, deve-se planejar a formação da copa. A poda de formação tem por finalidade trabalhar a arquitetura da planta em função do sistema produtivo proposto. Assim, a maneira de executar a poda é variável em função da arquitetura desejada. Qualquer que seja a arquitetura final almejada (taça, ovoide, etc.), a poda de formação visa o equilíbrio, controle da altura e volume da copa, facilitando tanto os tratos culturais quanto a colheita, por exemplo.

Em pomares bem conduzidos é possível obter certa escala comercial de frutas antes mesmo de a planta estar completamente formada. Assim, a poda terá sua atenção voltada à frutificação, renovação de ramos, além da formação.

A poda de frutificação é executada no período de dormência das plantas, reconhecido quando as folhas, a partir da base dos ramos tornam-se amarelecidas e se desprendem dos ramos. Reconhecido esse estágio, executar a poda o mais breve possível, antes que emitam flores e brotações, dando preferência aos dias secos.

Ao final da poda, e dependendo do sistema produtivo, permanecerão na copa cerca de 40% dos ramos, uma vez que serão retirados os ramos em excesso, ramos finos, os excessivamente vigorosos, aqueles mal posicionados, os secos ou doentes. Geralmente, os ramos remanescentes são encurtados a 60 cm e outros, dependendo do tipo e da localização na copa, deixam-se duas ou apenas uma gema.

É recomendado que as folhas restantes na copa sejam retiradas das plantas após o término da poda. O processo de poda tende a melhorar com a prática e observações do podador. É importante que a poda não seja feita de forma excessiva, pois as frutas da atemoia são sensíveis à radiação solar direta. Os danos causados às frutas por essa radiação depreciam-nas no mercado.

Brotação

Decorrido certo tempo da operação da poda, as plantas respondem emitindo grande quantidade de brotações. O excesso dessas brotações deve ser eliminado, dando preferência àqueles que não geraram frutos. Novamente, a sensibilidade do fruticultor é exigida, pois tanto o sombreamento excessivo da copa quanto a exposição das frutas à radiação solar são prejudiciais. Copas muito densas favorecem o ambiente adequado para pragas e doenças, além de prejudicar alguns tratos culturais.

A polinização da atemoia é feita por um grupo restrito de insetos, quase que exclusivamente pelos besouros, nem sempre presentes em espécies e quantidades adequadas no pomar. Além disso, apesar de suas flores serem hermafroditas (órgãos masculinos e femininos na mesma flor), essa frutífera apresenta assincronismo entre a receptividade do gineceu (estrutura de reprodução feminina da flor) e a maturação do androceu (estrutura reprodutiva masculina) quando há liberação do pólen.

Essas características geralmente levam à polinização natural ineficiente a campo, causando abortamento de flores, deformidades, assimetrias, redução do número e tamanho das frutas, dentre outros, depreciando o produto para o mercado in natura.

Uma técnica eficiente para contornar esse problema é a polinização artificial das flores. Para tanto, o fruticultor deve colher as flores antes que liberem o pólen, mesmo que estejam abertas (estágio de fêmea). Estas são acondicionadas em bandejas e levadas para local protegido de ventos.

Após completarem a abertura, o pólen é liberado. Posteriormente, essa massa é recolhida e, com auxílio de um pincel de cerdas macias, é depositada sobre o gineceu de flores em estágio pré-fêmea ou fêmea. Uma maneira prática de reconhecer esses estágios é o início da abertura floral e flores abertas, observando o umedecimento do gineceu, momento em que ele está receptivo. Existe, no mercado, uma ferramenta (bombinha) que aumenta o rendimento dessa operação no campo.

Dentro desse contexto, a presença de um técnico da área agrícola junto ao produtor, nas distintas fases da exploração de atemoia, assim como em outras culturas agrícolas, é de suma importância para o sucesso do empreendimento.

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