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sábado, agosto 13, 2022
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Três novas cultivares de café IAC têm ganhos de produtividade

 

Elas estão entrando no lugar de outros materiais, como IAC Mundo Novo e IAC Catuaí, que ocupam 90% dos cafezais brasileiros, mas são suscetíveis à ferrugem e produzem menor número de sacas por hectare

 

Crédito Marcos Pimenta
Crédito Marcos Pimenta

Três novas cultivares de café desenvolvidas pelo Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, “” IAC Catuaí SH3, IAC Obatã 4739 e IAC 125 RN, que estão sendo adotadas pelo setor de produção, têm produtividades que variam de 35 a 70% superiores às das cultivares Catuaí Vermelho e Amarelo, que até então representam cerca de 90% dos cafezais brasileiros.

Esses novos materiais também têm característica de resistência/tolerância à ferrugem-da-folha “” a principal doença do cafeeiro, causadora de perdas de até 50% à produtividade, segundo Júlio César Mistro, pesquisador do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Substituição

A IAC Catuaí SH3, IAC Obatã 4739 e IAC 125 RN estão entrando no lugar de outros materiais já lançados pelo Instituto, como IAC Mundo Novo e IACCatuaí que, apesar de ocuparem quase a totalidade dos cafezais nacionais, são suscetíveis à ferrugem. De acordo com produtores, a despesa para controlar a ferrugem gira em torno de 8,0% do custo total da produção, por hectare.

Os experimentos foram realizados nos Estados de São Paulo e Minas Gerais. A cultivar IAC Catuaí SH3 produziu 39 sacas por hectare, em Mococa, no interior paulista, enquanto que aCatuaí Amarelo IAC 62 produziu 29 sacas por hectare. “Isso representa um acréscimo de 34%“, diz o pesquisador.

Em Franca, também no interior paulista, a produtividade foi 40% superior, atingindo 57 sacas por hectare, contra 40 sacas daCatuaí Vermelho IAC 99. “Nessas mesmas condições, aCatuaí SH3 não apresentou nenhum sintoma do ataque de ferrugem e as Catuaís foram severamente atacadas“, relata o pesquisador.

A cultivar IAC 125 RN produziu 66 sacas por hectare, em Patrocínio (MG), e 60 sacas por hectare em Patos de Minas, outro município mineiro, onde aCatuaí Vermelho IAC 144 produziu 40 sacas por hectare. Nos dois locais foi usada irrigação. “Em Mococa, a produtividade do IAC 125 RN teve um ganho de 60% na produtividade, com 59 sacas por hectare, enquanto aCatuaí Vermelho ficou em 36 sacas“, dizJúlio César.

A cultivar IAC Obatã 4739 superou aCatuaí Amarelo 62 em 40% “” foram 83 sacas contra 59 por hectare, na cidade paulista de Gália. “Em Ribeirão Corrente, a produtividade foi 12% superior àCatuaí Amarelo 62, com 45 sacas por hectare versus 40 sacas. Já em Franca superou em 35% – a variação foi de 50 sacas por hectare para 36 sacas“, diz o pesquisador.

Na cidade mineira de Patrocínio, em condição irrigada, foi registrado o maior ganho na produtividade, batendo os 70% na variação de 55 sacas por hectare para 32.

Apresentação

Café IAC
Café IAC

A apresentação desses novos materiais foi feita em dias de campo e em visitas de produtores às fazendas onde estão plantadas as cultivares. Segundo o pesquisador, há previsão de expansão das áreas de cultivo. “Elas estão sendo muito bem aceitas, porém, o manejo agronômico, incluindo adubação, espaçamento, poda e outros, deve ser diferenciado em relação às cultivares mais tradicionais, tais como Catuaí e Mundo Novo“, afirma. As sementes estarão disponíveis em 2018.

A IAC Catuaí SH3 possui menor exigência hídrica. Com esse perfil, pode ser cultivada em regiões mais quentes ou onde tem havido veranicos mais frequentes nos últimos anos.

Devido à resistência à ferrugem, essas três cultivares podem ser adotadas por produtores de orgânicos, em Franca. Esse nicho de mercado proporciona o aumento na renda dos agricultores. “O valor da saca do café em plantio convencional é de R$ 440,00, enquanto que no sistema orgânico chega a até R$ 1.500,00 a saca“, compara Júlio César.

Segundo o pesquisador, as cultivares possuem excelente vigor, o que reflete em boa produtividade. Elas têm também boa ramificação. Quanto à maturação, ela é tardia para a Obatã, média a tardia para a IAC Catuaí SH3 e precoce para a IAC 125 RN. “A maturação mais longa tende a beneficiar a qualidade da bebida“, explica Júlio César.

As três cultivares têm porte baixo, característica valorizada por pequenos produtores e também por aqueles que têm lavouras mecanizadas. “Atualmente, há uma preferência dos produtores agrícolas por cultivares de porte baixo por facilitar a colheita“, diz.

Pesquisas

As pesquisas do Instituto na área de café têm o intuito de desenvolver cultivares resistentes às pragas, ferrugens e nematoides, aliadas à excelência na qualidade física e química de grãos e bebidas. “Essas são novas opções geradas pela pesquisa paulista, que abrem possibilidades de agregação de valor à produção agrícola“, diz o secretário de Agricultura, Arnaldo Jardim.

Essa matéria você encontra na edição de dezembro 2017 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua.

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