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sexta-feira, julho 1, 2022
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Trichoderma controla doenças e estimula crescimento

Sueli Corrêa Marques de Mello

sueli.mello@embrapa.br

João Batista Tavares da Silva

Pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia

 Crédito Shutterstock
Crédito Shutterstock

As práticas de cultivo vigentes, que buscam puramente o incremento acentuado de rendimento sem levar em conta que as consequências do uso de defensivos agrícolas, de forma intensa, provocam o rompimento do equilíbrio natural das relações patógeno-hospedeiro.

Diante desse quadro, torna-se crucial a adoção de outras medidas de controle que contenham o aumento das populações de patógenos, mantendo a severidade das doenças causadas por tais populações inferior ao nível de dano econômico (NDE).

É fundamental a compreensão de que a busca de uma agricultura racional, lucrativa e sustentável passa, necessariamente, pelo reconhecimento da fragilidade dos ecossistemas. A resistência de fungos a fungicidas, como consequência abusiva desses pesticidas químicos, assim como o acúmulo dos produtos no ambiente são fatos que estão a exigir, cada vez mais, o desenvolvimento de sistemas de manejo integrado de doenças (MID), fundamentados em princípios científicos e empregando tecnologias apropriadas, aceitáveis do ponto de vista ambiental.

A inclusão do controle biológico nessa estratégia é interessante, pois contribui para agregar valor ao produto agrícola no momento da comercialização, favorecendo a certificação dos produtos de origem vegetal (produção integrada), uma realidade dos dias atuais.

Em conjunto, as diversas medidas adotadas no MID são totalmente compatíveis. Melhores práticas de manejo do solo promovem a diversificação da microflora habitante do solo, aumentando a eficiência do controle biológico que, por sua vez, contribui para sistemas ecologicamente mais equilibrados.

O Trichoderma

Entre os diversos microrganismos utilizados no controle biológico de doenças, os fungos do grupo Trichoderma/Hipocrea, sobretudo na forma assexuada Trichoderma, são reconhecidamente os mais estudados e os que mais têm sido utilizados como princípio ativo de biofungicidas.

Esses fungos possuem caráter de relevância, dadas as características que os favorecem em termos de sobrevivência no ambiente. Os fungos desse gênero são saprófitas e apresentam rapidez na colonização de substratos, com exigências nutricionais mínimas; produzem clamidósporos, que são estruturas de resistência para sobreviverem a adversidades climáticas adversas.

Além disso, produzem substâncias tóxicas (antibióticos), bem como enzimas degradadoras da parede celular de outros fungos, sendo capazes de degradar vários carboidratos estruturais e não estruturais.

Entretanto, esses fungos exibem variabilidade entre espécies e linhagens dentro de uma mesma espécie, com relação à atividade de biocontrole, espectro de ação contra patógenos, propriedades fisiológicas e bioquímicas, como também, adaptabilidade ecológica e ambiental, características pelas quais podem ou não ser eficientes no controle de determinado patógeno sob condições específicas.

Daí a extrema importância de, ao iniciar qualquer programa de controle biológico usando Trichoderma, identificar corretamente a espécie. Estudos mais amplos das características inerentes à linhagem, independentemente da espécie, são fundamentais para o melhor uso de suas múltiplas funcionalidades.

Linhagens

Algumas linhagens de Trichoderma são exímias produtoras de enzimas polissacaridases, proteases, lipases e de compostos com atividade antimicrobiana. Tais compostos podem constituir estratégias desse fungo contra os fitopatógenos, como também podem ser de grande utilidade nas indústrias de alimentos, biocombustíveis e na área médica.

A espécie mais comumente encontrada na natureza, por isso comercialmente mais importante é, seguramente, T. harzianum. Talvez esta seja a espécie mais adaptável à diversidade dos solos agrícolas, pois pelo menos 40% dos produtos disponíveis à venda são desta espécie.

Porém, produtos à base de T. polysporum, T. viride, T. virens, T. asperellum, T. atroviride, T. koningii, T. lignorum, T. parceanamosum, T. stromaticum, T. pseudokoningii também estão acessíveis no mercado.

Amplamente distribuído por todo o globo terrestre, Trichoderma está presente em quase todos os tipos de solo e ambientes naturais, especialmente naqueles contendo matéria orgânica. Muitas espécies e linhagens são também encontradas na superfície radicular das plantas e/ou colonizando os órgãos vegetais internamente, incluindo as raízes.

O fato das espécies de Trichoderma poderem crescer em vários substratos justifica a importância biotecnológica atribuída a esse grupo de fungos. Além de atuarem nas raízes de muitas plantas cultivadas, certas linhagens de Trichoderma são capazes de degradar resíduos de agrotóxicos presentes no solo, por isso são também bioremediadores.

 

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