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sábado, agosto 13, 2022
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Trichoderma é eficiente no controle da podridão do mamoeiro

 

Karin Ferretto Santos Collier

Engenheira agrônoma, doutora em Produção Vegetal e professora do Centro Universitário Unirg

karincollier@gmail.com

Crédito Shutterstock
Crédito Shutterstock

 

Os dados não são precisos, mas estima-se que a podridão da raiz do mamoeiro tem causado perdas de frutos entre sete a 10% da produção nacional. Esta doença é considerada uma das principais da cultura do mamoeiro, pois, em alguns casos, quando a precipitação está elevada e a temperatura varia entre 25 a 30ºC pode haver perdas de até 60% da produção.

 

Sintomas

A podridão da raiz do mamoeiro é causada por um “pseudofungo“ chamado Phytophthora palmivora Butler, que ataca diversas plantas. O ataque costuma acontecer nas raízes nas três primeiras semanas após a germinação das sementes. Contudo, no caso de cultivos em solos mal drenados ou com excesso de água de irrigação ou chuvas a planta fica suscetível à P. palmivora em qualquer fase.

Disseminação

A infecção da planta adulta se inicia pelas raízes laterais e se alastra até o caule, a planta libera um odor forte de podridão e pode tombar sob a ação de ventos fortes. O avanço da infecção provoca queda dos frutos.

Como o sistema radicular está comprometido, mesmo com água disponível a planta não consegue absorvê-la a contento, apresentando sintomas de murcha por falta d’agua.

Os frutos contaminados apresentam pequenas lesões com aspecto de “encharcadas“, que em dias com alta umidade evoluem formando uma massa esbranquiçada, que são os micélios do pseudofungo. Com o tempo o fruto fica enrugado e mumificado.

O patógeno P. palmivora sobrevive no solo e em lesões nas plantas. Os seus esporângios e zoósporos, que são as principais estruturas responsáveis pela infecção e desenvolvimento da doença, sobrevivem no solo por um curto período, contudo, os clamidósporos (principais estruturas de sobrevivência), na presença de água germinam e produzem os esporângios.

A disseminação do P. palmivora ocorre pelo vento e pela água da chuva, mas a doença pode ser introduzida em uma nova área por mudas contaminadas. As raízes são suscetíveis durante os três primeiros meses após a emergência.

A chuva permite que o inóculo passe de um fruto para o outro e também que escorra para o solo e deste se dissemine para o ar, quando ocorre a dispersão pelo vento. Portanto, a podridão da raiz do mamoeiro está relacionada a períodos chuvosos e solos argilosos, comumente chamados de “solos pesados“, excessivamente úmidos e mal drenados. As temperaturas favoráveis ao desenvolvimento da doença oscilam entre 28 a 32°C.

Controle

No Brasil a doença ocorre nos estados de Alagoas, Bahia, Espírito Santo, São Paulo, Pará e Pernambuco. A doença causa prejuízos no estande do campo e no pós-colheita.

O controle químico é oneroso e de grande impacto ambiental, pois depois de instalada a doença o manejo se dá por aplicações semanais de fungicidas à base de Mancozeb ou Clorotalonil. Preventivamente, é possível utilizar fungicidas à base de cobre ou de Metalaxil + Mancozeb.

Karin Ferretto Santos Collier, professora do Centro Universitário Unirg - Crédito Arquivo pessoal
Karin Ferretto Santos Collier, professora do Centro Universitário Unirg – Crédito Arquivo pessoal

Trichoderma

O mais recomendável no controle dessa doença ainda é a prevenção, que se baseia em medidas simples como a escolha de áreas bem drenadas, onde nunca houve o cultivo do mamoeiro, e o uso de mudas sadias.

O controle biológico seria o método mais adequado, por ser barato e relativamente seguro em termos de contaminação ambiental. Pesquisas da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical de Cruz das Almas, na Bahia; Embrapa Cerrados e da Universidade de Brasília (UnB) mostram a viabilidade do uso de Trichoderma harzianum, um fungo saprófita (fungos decompositores que se alimentam da matéria orgânica de corpos de organismos mortos).

Os estudos foram impulsionados em função do uso empírico deste fungo por agricultores do Sul da Bahia e Espírito Santo. Estes produtores começaram a utilizar um produto composto por esporos de Trichoderma stromaticum, para o controle da vassoura-de-bruxa do cacaueiro e obtiveram bons resultados em alguns casos para o controle da P. palmivora em mamoeiros.

Contudo, o biofungicida ainda não foi registrado pelo MAPA para o mamoeiro e a sua produção é restrita, não podendo atender as demandas dos produtores da região.

Um boletim da Embrapa Cerrados publicado em 2012 por Dianese, Blum e Mello mostra o potencial do uso de Trichoderma harzianum para o controle de P. palmivora em mamoeiros.

Porém, os autores realizaram ensaios laboratoriais e em casa-de-vegetação, isto é, em ambientes controlados. Ainda estão sendo pesquisados os aspectos práticos do seu uso, tais como o momento de aplicação, a dosagem e o custo desta aplicação.

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