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Trichoderma no controle de fungos de solo na tomaticultura

Carlos Antonio dos Santos

Engenheiro agrônomo e mestrando em Fitotecnia na UFRRJ

carlosantoniods@ufrrj.br

Margarida Goréte Ferreira do Carmo

Engenheira Agrônoma, doutora em Fitopatologia e professora na UFRRJ

gorete@ufrrj.br

 

Crédito Luize Hess
Crédito Luize Hess

As doenças do tomateiro causadas por patógenos habituais do solo, como o tombamento, provocado por Pythium spp. e Rhizoctoniasolani e murchas vasculares, causadas por fungos como o Fusariumoxysporum f. sp. lycopersici  e Verticilliumalbo-atrum e V. dahliae, são preocupantes devido às dificuldades de controle.

Como estes fitopatógenos têm como característica a longa sobrevivência na forma de estruturas de resistência no solo, como clamidósporos, escleródios e microescleródios, ou como saprófitas, o cultivo sucessivo de tomate e de outras solanáceas, tanto em condições de campo como de cultivo protegido, pode levar ao aumento do potencial de inóculo e vir a tornar a área imprópria para o seu cultivo.

Dificuldades

Para muitas destas doenças não existem cultivares resistentes, ou a resistência é raça-específica ou parcial. O uso de controle químico é questionável devido à baixa eficiência, alto custo e caráter poluente. Outro aspecto crítico é a sua ação sobre a flora microbiana do solo.

A aplicação de agrotóxicos ao solo, além de ser altamente poluente, pode prejudicar a atividade de microrganismos benéficos e gerar desequilíbrios na população microbiana e, em alguns casos, agravar as perdas causadas por estes fitopatógenos.

O Trichoderma pode atuar como indutor de resistência nas plantas - Crédito Ana Maria Vieira
O Trichoderma pode atuar como indutor de resistência nas plantas – Crédito Ana Maria Vieira

Prevenção

As medidas de caráter preventivo, como obtenção de mudas de qualidade, manejo adequado da irrigação, rotação de culturas e cuidados na movimentação de solo são essenciais para reduzir os riscos de sua introdução na área. Caso a área já apresente problemas com alguns destes patógenos, as práticas de controle poderão ser complementadas com o enriquecimento do solo com microrganismos benéficos e o manejo voltado para a promoção da atividade destes.

O fungo Trichoderma

A necessidade de alternativas mais limpas e de menor impacto ao meio ambiente justifica a busca por novas opções, como o controle biológico de doenças e o incentivo ao seu uso pelos produtores.

Dentre os agentes de controle biológico mais conhecidos está o fungo Trichoderma. Trata-se de um micoparasita ou antagonista a vários fungos fitopatogênicos de solo ou que apresenta parte do ciclo neste.

Dentre os mecanismos de ação de Trichoderma spp. sobre fungos fitopatogênicos está a competição com estes por substrato e espaço físico, a antibiose ou  produção de substâncias que inibem o seu crescimento ou reprodução e o parasitismo.

Outros benefícios

Alguns estudos também demonstram que isolados de algumas espécies de Trichoderma podem atuar como indutores de resistência nas plantas, como promotores de desenvolvimento do sistema radicular, na solubilização de fosfatos e nutrientes do solo e na decomposição da matéria orgânica no solo.

Estes efeitos, porém, podem variar com a linhagem de Trichoderma utilizada, a espécie cultivada e as condições do ambiente.

Aplicação em bandeja

Os métodos de aplicação de Trichoderma variam de acordo com a formulação do produto. Um dos exemplos é a suspensão concentrada (SC), pó molhável (WP) e formulação oleosa (EC), e com as recomendações do fabricante.

De uma forma geral, estas podem ser feitas nas sementes, nas bandejas de mudas e no solo por ocasião do semeio ou transplante das mudas. A sua aplicação, porém, não dispensa a adoção das boas práticas na produção das mudas e no semeio ou transplante para o campo.

Aplicação em campo

As principais formas de aplicação de produtos à base de Trichoderma no campo são: 1) via água de irrigação; 2) via pulverização em barras tratorizadas ou pulverizadores costais.

A escolha do método dependerá do tipo de manejo da lavoura e da extensão da área a ser tratada. Como se trata da aplicação de microrganismos vivos, cuidados devem ser tomados visando garantir a sua viabilidade e maior eficiência.

Um cuidado importante refere-se à escolha do dia e horário de aplicação, dando-se preferência aos dias e horários mais frescos e com maior umidade. A concentração de esporos na calda e o volume a ser aplicado também são fatores chaves para um melhor resultado.

Normalmente os fabricantes ou distribuidores têm uma informação base com as melhores indicações para cada cultura e doença a ser controlada. É importante também salientar que, como o princípio ativo é um microrganismo vivo, a limpeza dos equipamentos de aplicação e a ausência de resíduos de fungicidas não pode ser negligenciada.

 

Essa matéria completa você encontra na edição de fevereiro 2017  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.

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