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Tubixaba tuxaua – Tem nematoide passando despercebido

Juliana Aparecida Homiak

Nematologista, mestre em Agronomia e proprietária da empresa NematSolution

julianahomiak@hotmail.com

 

Foto 01 AEm 1980, no oeste do Paraná, mais precisamente na cidade de Marechal Cândido Rondon, o nematoide do gênero Tubixaba foi relatado pela primeira vez por Monteiro & Lordello parasitando raízes de plantas de soja da cultivar Bragg, as quais apresentavam sintomas de nanismo.

A atribuição do nome se deve ao tamanho desse nematoide, considerado muito superior quando comparado a outros gêneros. Tanto as fêmeas quanto os machos chegam a medir mais de 01cm de comprimento quando atingem a fase adulta (Vovlaset al., 1987).

Assim como outros seres aporcelaimideos, T. tuxaua possui um hábito alimentar onívoro, ou seja, bem variado. No entanto, tem sido encontrado com mais frequência parasitando plantas cultivadas como a soja, milho, trigo e mandioca (Antonio& Carneiro, 1981/Fitopatologia Brasileira 6S: 538; Carneiro & Carneiro, 1983/Nematologia Brasileira 7: 251-9; Roeseet al., 2001/Acta Scientiarum 23: 1293-7).

Foto 01 B

Ciclo de vida e características

  1. tuxaua é um nematoide ectoparasita, ou seja, consegue completar seu ciclo fora das raízes das plantas, diferente de outros gêneros de nematoide, como Pratylenchus ou Meloidogyne, que são endoparasitas migradores e sedentários, respectivamente.Assim, quando encontrado parasitando as raízes, mais comumente na cultura da soja, é perfeitamente visível, se mexe ativamente e possui uma coloração branca pálida.

Para se alimentar, o nematoide insere seu curto estilete nos tecidos das raízes, nutrindo-se de células individuais e levando-as à morte. Em seguida, migra para outro local e reinicia um novo processo de alimentação. Por ser um nematoide grande, destrói um número alto de células para completar seu ciclo; assim, poucos organismos causam sintomas visíveis em plantas infestadas (cerca de 20). É preciso prestar bem atenção, pois, apesar de ser visível, é um organismo ainda muito pequeno.

Disseminação no Cerrado

Conforme já mencionado, a presença de T. tuxaua foi inicialmente relatada no Oeste do Estado do PR. Todavia, danos à cultura da soja têm sido também atribuídos a nematoides desse gênero no Tocantins (Lima et al., 2009), além de relatos registrados no Oeste da Bahia, Mato Grosso e Piauí.

Isso nos faz perceber que os nematoides desse gênero vêm se adaptando muito bem ao bioma Cerrado, o que se deve, provavelmente, ao fato de que esses Estados cultivam as principais fontes de alimentação dofitoparasita.

Normalmente, no Cerrado, quando se completa o ciclo da soja, a cultura do algodão ou do milho já é instalada na sequência, possibilitando ao nematoide completar o ciclo sem restrições na alimentação. E como evitar a disseminação desse nematoide? Normalmente muitos produtores plantam nesses diferentes Estados, tendo que fazer o transporte de plantadeiras e colhedeiras entre as fazendas, ou muitas vezes esses equipamentos são fretados de outros Estados para auxiliar no plantio e colheita no cerrado.

Então, fazer a lavagem desses maquinários antes do transporte pode ajudar, e muito, a não disseminar ainda mais esses nematoides. Esse cuidado parece óbvio, mas muitos não o fazem. Acredita-se que esse seja o principal meio de disseminação, visto que T. tuxaua não é um nematoide natural dos solos brasileiros, assim como Pratylenchus.

Juliana Aparecida Homiak, nematologista, mestre em Agronomia e proprietária da empresa Nemat Solution - Crédito Arquivo pessoal
Juliana Aparecida Homiak, nematologista, mestre em Agronomia e proprietária da empresa Nemat Solution – Crédito Arquivo pessoal

Alerta

A presença desse nematoide tem sido cada vez mais constante. Por vários anos, não se falava mais em Tubixaba tuxaua – era só um mito, causou alguns estragos e depois sumiu – é isso que encontramos na literatura, relatos antigos.

Pois bem, parece que ressurgiu no Oeste do Mato Grosso. Diferentes cidades vêm apresentando danos com o diagnóstico de T. tuxaua. Acredito que esteja bem mais espalhado do que imaginamos. O problema é que os produtores nem imaginam que suas lavouras estão sendo atacadas por um nematoide gigante, já que estão acostumados a ouvir que nematoides são seres microscópicos, então confundem com larvas ou qualquer outro tipo de organismo, mas jamais um nematoide.

Por isso, é importante que seja feito o diagnóstico em laboratório, pois tirar conclusões por si próprio nunca foi um meio seguro. Apenas com o diagnóstico em mãos é possível tomar uma decisão, e isso é válido para todos os gêneros de nematoides.

Manejo

Levando em consideração que T. tuxaua se alimenta das principais culturas cultivadas no Brasil, seu manejo acaba sendo difícil de ser implantado. Ele já foi relatado infestando culturas como soja, milho, trigo, aveia e mandioca (Antônio & Carneiro, 1981), além de plantas de cobertura de verão, como Dolichoslab-lab (labelabe), Crotalariajuncea (crotalária), Mucunaaterrima (mucuna preta), Mucunadeeringiana (mucuna anã), Canavaliaensiformis (feijão de porco) (Furlanettoet al., 2008) e plantas de cobertura de inverno, como Lupinusalbus (tremoço branco), Lathyrusclymenum (ervilhaca forrageira), Vicia villosa (ervilhaca peluda), Pisumsativum var. arvense cultivar Iapar 83 (ervilhaca comum) e Avena strigosa (aveia preta).

Essa matéria completa você encontra na edição de outubro 2017 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua para leitura integral.

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