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quinta-feira, janeiro 20, 2022
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Uso de feromônios no controle de pragas

Foto: Provivi

Pedro Coelho, CEO da startup Provivi, explica como tem sido feito o trabalho para expandir essa técnica de enfrentamento a insetos no campo

O mundo mudou muito nos últimos 12 meses. As disrupções tecnológicas estão acontecendo cada vez mais rápido em uma marcha inexorável para melhorar a condição humana.

No setor da alimentação, o consumidor em sua busca por um alimento cada vez mais limpo, saudável e sustentável está influenciando de uma maneira cada vez mais ativa o que acontece no campo. Prova disso é o aquecimento do mercado de biológicos. Levantamento realizado pela Consultoria Blink Projetos Estratégicos, com a CropLife, aponta que esse segmento deve representar R$ 3,7 bilhões no Brasil até o ano de 2030.

Neste contexto, tecnologias de produtos biológicos, como o uso de feromônios no controle de insetos, têm recebido maior atenção. O timing não poderia ser melhor. Esse anseio do consumidor coincide com a demanda do produtor que busca alternativas às ferramentas clássicas de produtos químicos e transgênicos.

É por isso que a Provivi, startup focada em soluções modernas a base de feromônios para controle de insetos, está acelerando seu crescimento. A empresa foi fundada em 2013, com sede em Los Angeles (EUA), e já atua em oito países. Como no final de 2021 lançaremos nosso primeiro produto no Brasil, estamos em um intenso trabalho de planejamento para garantir que o nosso produto para a lagarta do cartuxo seja empregado atendendo plenamente às expectativas dos produtores.

Esse produto será trazido para o Brasil, com foco no combate às lagartas em plantações de algodão, e depois será aplicado também em plantações de milho e de soja. O agricultor brasileiro enfrenta um grande desafio para o controle da lagarta-do-cartucho, que é considerada hoje a principal praga da cultura do milho, sendo um inseto que ataca a planta desde sua emergência até a formação de espigas, e que nos últimos anos tem acometido outras culturas, como algodão e soja, causando grandes prejuízos.

Nosso trabalho tem duas frentes: produção de feromônio a baixo custo e desenvolvimento de métodos de aplicação para que os nossos produtos possam ser convenientemente integrados às práticas de manejo de cada local. A primeira frente envolve fortes investimentos em biologia sintética e química fina no nosso laboratório na Califórnia a fim de produzir diversos feromônios de forma barata e eficiente a partir de matéria-prima renovável.

A segunda frente tem que ser feita no local, levando em consideração o contexto e as particularidades da região produtora. Fazemos pesquisa de campo em cada país para conhecer melhor as demandas dos produtores e desenvolver uma forma altamente personalizada de como lidar com os insetos que afetam cada produção.

Constantemente, realizamos ensaios e coletamos dados para comprovar para os produtores os resultados obtidos. Acreditamos que a interação com o produtor é chave para criar uma mudança no paradigma e tornar compreensível que prevenção é mais vantajosa.

Nossa equipe conta com entomólogos especialistas no comportamento de insetos e com agrônomos que criam todo o conceito do produto, estabelecendo um manejo sustentável no campo. Essa, inclusive, é uma peculiaridade dessa tecnologia, porque cada feromônio controla um inseto específico. Não é como nos inseticidas, que a mesma molécula se aplica a várias pragas no mundo inteiro. No caso dos feromônios, quando muda a praga, muda o produto. Assim o registro deve ser personalizado para cada país onde será aplicado.

Em 2020, iniciamos nossas vendas no México, com um produto para combater a lagarta do cartucho, que afeta especialmente plantações de milho na região. Temos recebido um feedback muito positivo dos produtores mexicanos que estão se beneficiando de melhores rendimentos, maior qualidade do grão e um menor uso de inseticidas. É um desafio estar sempre adaptando nossos produtos para cada finalidade, mas depois de pronto o produto tem alta especificidade.

Dessa forma, garantimos a preservação dos polinizadores e dos insetos predadores que mantém as pragas sob controle, o que é muito difícil de fazer utilizando químicos convencionais.

A biodiversidade está, como demonstramos, cada vez mais integrada com a performance econômica das propriedades rurais. Esse é um caminho sem volta.

Ganham os consumidores, com produtos mais naturais, mais nutritivos e com uma plena biodiversidade. Ganham os produtores rurais, com rentabilidade sólida e com uma consistente integração lavoura meio ambiente.  

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