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quarta-feira, julho 6, 2022
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Uso de inoculantes no tratamento industrial de sementes de soja

Autores

Dayane Salinas Nagib GuimarãesDoutoranda em Agronomia – Universidade Federal de Uberlândia (UFU)dayane_salinas@hotmail.com

Poliana S. Franco FerreiraEngenheira agrônoma – UFU

Semente – Crédito: Marcelo Borges

No âmbito do agronegócio mundial, a produção de soja está entre as atividades econômicas que, nas últimas décadas, apresentou um dos crescimentos mais expressivos. A soja é a principal commodity do agronegócio brasileiro, representando 51% do total de grãos produzidos no Brasil (MAPA, 2019), e segundo a CONAB (2020), a safra 2019/20 bateu recorde de produção, com quase 125 milhões de toneladas de soja em 36,80 milhões de hectares.

Das tecnologias que têm sido empregadas visando obter incrementos na produtividade da cultura da soja, inclui-se o uso crescente de sementes de variedades geneticamente melhoradas, associadas a aplicações de fungicidas, inseticidas, reguladores de crescimento e inoculantes.

Entenda melhor

Os inoculantes são insumos biológicos que contêm microrganismos com ação benéfica para o desenvolvimento das plantas, podendo ser encontrados, principalmente, na forma líquida e turfosa. Os inoculantes contendo bactérias formadoras de nódulos nas raízes das plantas, com objetivo de fixar nitrogênio, são desenvolvidos e produzidos de acordo com protocolos já estabelecidos.

A inoculação de microrganismos é de grande importância para as culturas, principalmente para a soja, pois a fixação biológica de nitrogênio (FBN) representa um dos pilares de sustentabilidade do sistema de produção de soja no Brasil e resulta em grande benefício, tanto para o produtor quanto para o meio ambiente, por dispensar o uso de  fertilizantes nitrogenados na cultura.

Esse processo se dá pela simbiose entre bactérias diazotróficas associativas, como por exemplo, as do gênero Bradyrhizobium, localizadas em nódulos radiculares, as quais utilizam como substrato o N2 atmosférico.

O processo de FBN é essencial para que a produção da soja seja economicamente viável, e de acordo com Hungria et al. (2001), para produzir uma tonelada de grãos de soja são necessários, aproximadamente, 80 kg de N ha-1.

Por que tratar as sementes

Apesar de a tecnologia de inoculação ser aplicada na maioria das lavouras de soja do País, o uso de tratamentos de sementes tradicionais, com produtos químicos como inseticidas, fungicidas, nematicidas e, por vezes, micronutrientes, a fim de melhorar a nutrição nas fases iniciais da cultura, geralmente trazem prejuízos à população bacteriana (Pastore, 2016).

Do ponto de vista molecular, Fabra et al. (1998) e Dunfield et al. (2000) relataram que determinados fungicidas podem causar alterações bioquímicas, influenciando as taxas de crescimento e propriedades simbióticas de Bradyrhizobium spp. Por este motivo, deve-se atentar principalmente às misturas de fungicidas e inseticidas, verificando a compatibilidade com as diversas bactérias associativas.

 Devido a esses possíveis efeitos antagônicos que geram a mortalidade das bactérias, normalmente recomenda-se que a semeadura ocorra imediatamente após a inoculação, preferencialmente no mesmo dia (Embrapa, 2013). Esta operação é frequentemente descrita como uma atividade que reduz a eficiência da semeadura, em razão do tempo desprendido para sua operação. Por vezes, essa dificuldade tem sido responsável pela não utilização da inoculação na cultura por parte dos agricultores (Campo; Hungria, 2007).

 Em função disso, algumas empresas estão adotando o processo de tratamento de sementes antecipado ou tratamento industrial de sementes (TSI), antes do ensaque ou no momento da entrega do produto ao agricultor. Este tipo de tratamento vem ganhando espaço no mercado, pois os produtos utilizados no TSI apresentam em sua formulação inoculantes conhecidos como “longa vida”.

Vantagens

Os inoculantes longa vida têm a capacidade de preservar a viabilidade das células bacterianas após serem aplicados na semente, expandindo a janela entre a inoculação e o plantio por até 60 dias.

Essa tecnologia inovadora possibilita a inoculação antecipada, e sua aplicação no TSI possui como objetivo principal facilitar a operação de semeadura. Os pré-inoculantes apresentam altas concentrações de bactérias, contendo o dobro de microrganismos quando comparados aos inoculantes convencionais e alta compatibilidade com os tratamentos de sementes.

As células de bactérias diazotróficas aplicadas sobre as sementes de soja podem perder a viabilidade rapidamente por meio de ressecamento, altas temperaturas e até mesmo estresse osmótico. No entanto, os inoculantes longa vida possuem protetores celulares na composição que auxiliam na preservação destas bactérias.

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