22.6 C
Uberlândia
domingo, junho 23, 2024
- Publicidade -spot_img
InícioArtigosHortifrútiVantagens da adubação verde no cultivo do meloeiro

Vantagens da adubação verde no cultivo do meloeiro

Bruno Novaes Menezes Martins

Engenheiro agrônomo, mestre e doutorando em Horticultura pela FCA/UNESP – Campus de Botucatu (SP)

brunonovaes17@hotmail.com

 

Crédito SXC
Crédito SXC

O melão (Cucumis melo L.), pertencente à família Cucurbitaceae, é o oitavo fruto em volume de produção mundial, sendo um dos mais importantes no agronegócio brasileiro. No Brasil, o melão é o que tem demonstrado expansão mais significativa nas duas últimas décadas.

Adubação verde

Alternativamente, práticas biológicas, como a adubação verde, vêm sendo adotadas em vários programas de manejo e conservação do solo em diversos países, a fim de recuperar a fertilidade e reduzir o uso de fertilizantes minerais.

A adubação verde é uma prática agrícola que consiste na incorporação de massa vegetal ao solo, podendo ser produzidas no local ou adicionadas, com a finalidade de melhorar a capacidade produtiva do solo, refletindo de forma positiva em atributos físicos, químicos e biológicos, sendo uma alternativa bastante viável na busca da sustentabilidade dos solos agrícolas, além de ser uma técnica útil e econômica para os pequenos e médios produtores de melão.

Os benefícios que a adubação verde promove ao cultivo do meloeiro são inúmeros, em destaque: fonte de nutrientes para as plantas, promovendo mobilização e reciclagem de nutrientes devido ao sistema radicular profundo e ramificado, retirando nutrientes de camadas mais profundas do solo; aumento de disponibilidade de nitrogênio oriundo da massa vegetal decomposta às culturas de interesse, o que reflete na substituição ou suplementação à adubação mineral; otimização da disponibilidade de fósforo no solo por meio da estimulação da ocorrência de microrganismos (bactérias, fungos e actinomicetos) envolvidos na liberação de enzimas que promovem a solubilização de fosfatos; promove a absorção e o retorno de potássio às camadas superiores; eleva o pH do solo e, consequentemente, diminui a acidez e aumenta a CTC (Capacidade de Troca de Cátions) efetiva do solo, ou seja, aumenta a capacidade de adsorver  nutrientes presentes no solo, que depois podem ser disponibilizados para as culturas; redução de perdas de nutrientes por volatilização e lixiviação; facilita uma melhor estruturação física, com maior infiltração, capacidade de aeração do solo, retenção de água e estabilidade dos agregados, além de recuperar áreas degradadas pela grande produção de raízes, rompendo camadas adensadas.

Observa-se, ainda, proteção contra a erosão; controledas variações de temperaturas das camadas superficiais do solo, com redução da perda d’água por evaporação, aumentando a disponibilidade de água para as culturas; redução da população de plantas invasoras, em razão do crescimento rápido e agressivo dos adubos verdes (efeito supressor ou alelopático); favorece a reprodução de microrganismos benéficos às culturas agrícolas e redução da incidência de pragas, doenças e nematoides nas culturas.

A adubação verde ajuda na conservação do solo - CréditoAlltech
A adubação verde ajuda na conservação do solo – CréditoAlltech

Ciclagem de nutrientes

A ciclagem de nutrientes é possibilitada devido ao processo de mineralização dos resíduos que estão na superfície do solo, por meio da ação microbiológica. A ciclagem acontece em função do sistema radicular profundo das plantas de cobertura que retiram nutrientes de camadas do solo, transformando-os em material orgânico e, posteriormente, liberando-o na superfície.

Os nutrientes são mineralizados e disponibilizados em doses contínuas para o aproveitamento das lavouras cultivadas em sucessão. Outro efeito importante da adubação verde é a mobilização de nutrientes lixiviados ou pouco solúveis que se encontram em maiores profundidades do perfil.

A absorção dos nutrientes advindos da mineralização dos adubos verdes pelas hortaliças depende, em grande parte, da sincronia entre a decomposição e mineralização dos resíduos vegetais e da época de maior exigência nutricional da cultura. A liberação do N é mais intensa nos primeiros 60 dias após a incorporação, possibilitando a semeadura imediata de outra cultura.

A adubação verde melhora o solo e a produtividade - Crédito Shutterstock
A adubação verde melhora o solo e a produtividade – Crédito Shutterstock

Opções em adubo verde

Há uma disponibilidade de diversas espécies que podem ser utilizadas como adubos verdes e que podem ser adaptadas às diferentes condições edafloclimáticas no Brasil, de modo que têm como finalidade contribuir com a manutenção da biodiversidade, diminuição dos custos e dos riscos ambientais e econômicos.

São utilizadas espécies de plantas de diversas famílias, havendo preferência pelas leguminosas por apresentarem alta capacidade de fixação de nitrogênio mediante associação simbiótica entre as leguminosas e as bactérias do gênero Rhizobium, além de promover a liberação gradativa do nitrogênio para as culturas de interesse, e apresentarem produção de grande quantidade de fitomassa verde e seca, sistema radicular profundo e vigoroso que permite maior extração e ciclagem de nutrientes.

As espécies de primavera/verão são indicadas para as regiões com semeadura prevista para o início do período de chuvas, que ocorre a partir de outubro. Já as espécies de outono/inverno são semeadas no outono, no período de março a abril, com desenvolvimento favorecido por temperaturas amenas e restrição de chuvas, com ciclo encerrado no final do inverno (no máximo até o início da primavera).

Essa matéria completa você encontra na edição de dezembro 2016  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.

 

 

 

ARTIGOS RELACIONADOS

Trichoderma + fósforo: Solução para o fusarium do feijoeiro

  Cacilda Márcia Duarte Rios Faria Professora doutora do Departamento de Agronomia da Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO) criosfaria@hotmail.com Aline José Maia Doutora e Pesquisadora do...

Aminoácidos, molibdênio e nitrogênio no feijoeiro

Nilva Terezinha Teixeira Engenheira agrônoma, doutora em Solos e Nutrição de Plantas e professora de Nutrição de Plantas, Bioquímica e Produção Orgânica do Centro...

Reduzindo o impacto dos custos logísticos no agronegócio

  Quando se aproxima a época da compra de insumos, a questão da otimização logística sempre está entre as preocupações do produtor. Especialmente em um...

Manejo da adubação potássica em cafeeiro em produção

Renato Passos Brandão Engº Agrônomo, Mestre em Solos e Nutrição de Plantas pela UFLA e Gestor Agronômico da Bio Soja Rafael Bianco Roxo Rodrigues Estagiário do Deptº Agronômico...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!