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Variedades de cebola resistentes às doenças foliares

Com a ocorrência de doenças foliares em Santa Catarina, o uso de variedades resistentes é a melhor solução

Daniel Pedrosa Alves
Doutor em Genética e Melhoramento e pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri)

Edivânio Rodrigues de Araújo
Doutor em Fitopatologia e pesquisador – Epagri

É possível identificar diferenças em relação à relevância das doenças que afetam a cultura da cebola em diferentes regiões produtoras. Isso ocorre porque a incidência e/ou severidade das doenças é diretamente afetada por diversos fatores, tais como tolerância/resistência dos cultivares, sistema de produção (mudas em canteiros ou semeadura direta); época de semeadura; população de plantas; condições climáticas locais; presença ou ausência de outras plantas da mesma família; práticas de manejo do solo e equilíbrio nutricional; diversidade da população do fitopatógeno; entre outros.

Créditos: Shutterstock

A título de exemplo, pode-se observar que, enquanto em regiões com clima tropical a mancha púrpura (Alternaria porri) é uma doença muito preocupante (Reis & Henz, 2009); na região sul, o mofo da cebola (Peronospora destructor Berk) e a queima das pontas da cebola (Botrytis squamosa Walker) estão entre as principais doenças limitantes da produção (Wordell Filho & Boff, 2006).

Inicialmente, é fundamental esclarecer que, no contexto das principais doenças foliares da cebola no sul do Brasil, como o mofo e a queima das pontas, não há, até o momento, qualquer cultivar integralmente resistente.

Embora existam cultivares capazes de suportar e apresentar uma produção satisfatória mesmo diante da ocorrência da doença na lavoura, isso só se torna possível mediante a aplicação de práticas adequadas de manejo e controle da enfermidade.

Por outro lado, se a cultivar for altamente suscetível, mesmo com a utilização das melhores práticas de controle químico e manejo disponíveis, o agricultor enfrentará consideráveis perdas.

Variedades resistentes

A adoção de cultivares suscetíveis e não adaptadas pode comprometer significativamente a produtividade de uma lavoura, especialmente em anos agrícolas propícios à ocorrência de doenças.

Isso se deve ao fato de que as estratégias de controle e manejo de doenças nas lavouras de cebola precisam ser integradas, uma vez que, quando aplicadas de maneira isolada, podem revelar-se ineficazes.

Nesse contexto, se um agricultor escolhe um cultivar altamente suscetível às doenças foliares, é provável que sua produção seja prejudicada, já que o controle químico dificilmente conseguirá manter as plantas saudáveis ao longo do ciclo.

Em consonância com essa perspectiva, pesquisas sobre cultivares de cebola em Santa Catarina indicam que as cultivares híbridas atualmente disponíveis não demonstram uma resposta satisfatória em relação ao mofo e à queima-das-pontas.

Entre as cultivares avaliadas, destacam-se como as mais adequadas para a cidade de Ituporanga (SC): SCS379 Robusta, SCS384 Bola R e SCS373 Valessul.

Doenças foliares

Nas regiões com clima tropical, a mancha púrpura (Alternaria porri) é uma doença muito preocupante (Reis & Henz, 2009), enquanto na região sul, o mofo da cebola (Peronospora destructor Berk) e a queima-das-pontas (Botrytis squamosa Walker) estão entre as principais doenças limitantes da produção (Wordell Filho & Boff, 2006).

Importante destacar que a ocorrência de mofo e queima-das-pontas pode servir como uma porta de entrada para Stemphylium vesicarium, causador de queima foliar, o que pode ocasionar elevadas perdas no fim do ciclo.

Dicas

Na região sul do Brasil, onde as condições climáticas favorecem a ocorrência de doenças foliares, é altamente recomendável que os agricultores estabeleçam diálogo com os extensionistas da Emater (no RS), da Epagri (em SC) e do IDR (no PR).

Os técnicos especializados poderão orientar sobre as cultivares que têm apresentado melhores resultados na região. Na impossibilidade desse contato, sugere-se que o agricultor opte por cultivares tradicionais em sua localidade.

Caso deseje experimentar novas cultivares, é aconselhável iniciar o plantio em áreas reduzidas, evitando assim comprometer toda a lavoura em caso de insucesso.

Atualmente, a maioria das cultivares empregadas no Brasil pertence à categoria de dias curtos, o que significa que o fotoperíodo não seria um fator limitante para a formação do bulbo, independentemente da região.

No entanto, na prática, a importação de cultivares de distintas regiões apresenta desafios adicionais, uma vez que a alteração na latitude pode resultar em variações no ciclo, prolongando-se ou encurtando-se. Além disso, as características da planta de cebola e do bulbo podem ser modificadas devido às abruptas mudanças no ambiente.

Portanto, recomenda-se que os agricultores optem por cultivares já testadas ao longo de várias safras. Em casos de experimentação com novas cultivares, a sugestão é realizar esses testes em áreas de menor extensão, minimizando os riscos associados às variações ambientais.

Benefícios adicionais

Cultivares que apresentam resistência ou tolerância tendem a alcançar níveis mais elevados de produtividade, uma vez que conseguem explorar de maneira mais eficaz o potencial produtivo da planta.

A probabilidade de perdas na produção devido à introdução de doenças na lavoura é reduzida, e o uso de cultivares resistentes pode resultar em uma diminuição nos custos de produção, devido à menor necessidade de investimento em insumos para o controle das doenças

Atenção

A redução da área foliar devido à incidência de doenças inevitavelmente diminuirá o potencial produtivo, uma vez que a planta perde superfície foliar saudável necessária para a fotossíntese.

Mesmo que a planta doente seja capaz de produzir bulbos de calibre comercial, é comum que a presença generalizada de doenças foliares prejudique a qualidade do bulbo. Isso pode servir como uma porta de entrada para outras infecções, favorecendo o desenvolvimento de podridões causadas por diferentes patógenos, resultando em uma redução da qualidade visual do bulbo e aumentando as perdas pós-colheita.

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