VI Congresso Brasileiro de Reflorestamento Ambiental discute a restauração produtiva que gera emprego e renda

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Viveiro de mudas da Veracel. Eunapolis/BA.

Como a restauração florestal conserva o meio ambiente, gera emprego e renda, arrecada impostos e movimenta a economia (especialmente no interior). Este é um dos assuntos discutidos no VI Congresso Brasileiro de Reflorestamento Ambiental (VI CBRA) que a Associação Baiana de Empresas de Base Florestal (ABAF), o Centro de Desenvolvimento do Agronegócio (CEDAGRO/ES) e a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) realizam de 03 a 05 de agosto de 2022, de forma on line e presencial (em Salvador/BA).

O tema central do evento – que pretende reunir 200 pessoas no auditório da Federação das Indústrias da Bahia (FIEB) – será “Potencialização Florestal – Tecnologias, estratégias e experiências para uma restauração florestal sustentável”. Os principais assuntos serão: avanços e desafios do reflorestamento ambiental no Brasil; mercado de carbono; otimização de custos e resultados na restauração florestal; restauração produtiva (geração de renda e emprego); fontes de recursos financeiros em reflorestamento ambiental; situação atual e perspectivas do Código Florestal Brasileiro; comunicação e conectividade de práticas de sustentabilidade; experiências públicas e privadas exitosas em reflorestamento ambiental. Inscrições e programa completo: http://reflorestamentoambiental.com.br/.

O professor titular do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Viçosa, Sebastião Venâncio Martins, será um dos palestrantes do evento com o assunto “Estratégias e experiências para a otimização de custos e resultados na restauração florestal”.

“A restauração florestal visa tanto atender a legislação, como por exemplo no caso de APPs e compensações ambientais, como promover os serviços ecossistêmicos através do retorno das florestas. São serviços ecossistêmicos a estocagem de carbono pelas árvores, a infiltração de água do solo pelas florestas, a regulação do microclima, entre outros. A implantação das técnicas de restauração promove o retorno das florestas nativas, com estrutura, processos ecológicos e biodiversidade. Mas também tem uma linha denominada restauração produtiva, em que a floresta restaurada pode gerar renda ao produtor rural, através da produção sustentável de produtos madeireiros e não madeireiros. Essa estratégia é principalmente indicada para áreas de Reserva Legal. A adoção da restauração produtiva deve estar adequada ao Novo Código Florestal brasileiro”, adianta o professor sobre sua palestra.

Objetivos – O CBRA é um dos mais importantes fóruns de inovação tecnológica, atualização e intercâmbio técnico e empresarial que integra os diversos agentes que atuam na área florestal e ambiental. O objetivo principal é divulgar as experiências exitosas na implantação e conservação de florestas ambientais, bem como discutir e sugerir alternativas de solução para os principais desafios que afetam o setor, focando na geração de renda com florestas ambientais e nas estratégias para ampliação da cobertura florestal.  

“As florestas ambientais dos diversos biomas brasileiros constituem-se num patrimônio inestimável sob o ponto de vista ecológico, social, econômico e cultural e a sua preservação, conservação e uso sustentável é de suma importância. Espera-se que este congresso traga alternativas viáveis para alguns pontos de estrangulamento da cadeia produtiva da restauração florestal e assim contribuir para o aumento da cobertura florestal natural dos diferentes biomas brasileiros”, explica Gilmar Dadalto, presidente do Cedagro.

O diretor executivo da ABAF, Wilson Andrade, ressalta o potencial – sob o ponto de vista econômico, social e ambiental – do setor de árvores cultivadas. “Em um cenário futuro desafiador, as florestas plantadas estão ganhando um novo status. Da garantia de suprimento de matéria-prima para todos os usos da madeira – atuais e potenciais – a uma nova economia de baixo carbono, a solução passa pelas florestas plantadas. Para isso, precisamos trabalhar na ampliação de mecanismos que incentivem o consumo e a produção sustentável de produtos florestais: desde o papel e a madeira, até combustíveis mais limpos, como a biomassa, e produtos químicos e farmacêuticos”, informa.

Além disso, Andrade lembra que o setor é um dos que mais preserva o meio ambiente e vem estimulando também a restauração florestal.  “É preciso estimular o manejo florestal sustentável e, todos que se esforçam nesse sentido, devem ser compensados. Podemos encontrar este tipo de compensação através do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e no mercado de crédito de carbono. Além disso, áreas protegidas podem ser implementadas para dar renda extra, com mel, extrativismo e sistema de Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF), entre outros”, completa.

Contribuições ambientais – O setor de base florestal planta 1 milhão de árvores todos os dias no Brasil. São 10 milhões de hectares produtivos, nos quais são plantadas, colhidas e replantadas árvores para entregar biossoluções à sociedade. Os plantios florestais são feitos em áreas já antropizadas ou sem vocação agrícola para outras culturas, com zero desmatamento. Com o uso da técnica de mosaico florestal, as empresas de base florestal intercalam estas áreas com finalidade industrial com mais 6 milhões de hectares destinados para conservação. Isto auxilia na manutenção de um solo fértil, no cuidado com a água e na preservação da biodiversidade. A Bahia está em sintonia com este cenário nacional. No estado são 618 mil hectares de plantações florestais e 330 mil hectares de florestas nativas destinadas à preservação ambiental. Por aqui são plantadas 250 mil árvores por dia.

Apoio institucional – O congresso conta com o apoio do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia (CREA/BA), da Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (Sema), da Secretaria de Agricultura da Bahia (Seagri), da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (ADAB), da Federação das Indústrias da Bahia (FIEB), do Sindicato das Indústrias de Fibras Vegetais no Estado da Bahia (Sindifibras), do Sindicato das Indústrias do Papel, Celulose, Papelão, Pasta de Madeira Para Papel e Artefatos de Papel e Papelão no Estado da Bahia (Sindpacel), do Sindicato da Indústria do Mobiliário do Estado da Bahia (Moveba), do Sindicato da Indústria de Fiação e Tecelagem no Estado da Bahia (Sindifite), do Sindicato das Indústrias de Serrarias, Carpintarias, Tanoarias, Marcenarias e Serrarias da Bahia (Sindiscam), entre outros.