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sexta-feira, agosto 12, 2022
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Vinícola Guatambu, do Rio Grande do Sul, recebe Selo Solar inédito no País

Certificação é dada àqueles que consomem eletricidade, a partir da geração fotovoltaica. A vinícola tem energia 100% limpa desde 2016 e investiu R$ 1,5 milhão no projeto que reduziu 75% da conta de energia

São Paulo e Minas Gerais têm investido na produção de uvas para vinhos finos de qualidade diferenciada - CréditosShutterstock
Créditos Shutterstock

A Vinícola Guatambu, situada em Dom Pedrito, Rio Grande do Sul, acaba de receber o Selo Solar, iniciativa do Instituto IDEAL com apoio do WWF-Brasil e Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável, por meio da GIZ e KfW. A vinícola, que desde maio de 2016 trabalha com iluminação fotovoltaica, investiu R$ 1,5 milhão no projeto.

O parque solar conta hoje com 600 painéis fotovoltaicos, que servem para suprir 100% da demanda energética do empreendimento, tornando a Guatambu a primeira vinícola da América Latina a ser movida a energia solar.

Os testes começaram em 2013 e a conta de energia, que ficava entre R$ 10 mil e 15 mil por mês, teve redução de 75% do valor. A expectativa é de que o retorno do investimento ocorra em oito anos.

“Ao escolher o vinho Guatambu, o consumidor sabe que está valorizando a preservação do meio ambiente. Assim como fomos referência em 2013 ao inaugurar o complexo enoturístico na região da Campanha Gaúcha, agora somos referência em produção de vinhos sustentáveis e isso nos orgulha muito“, celebra Gabriela Pötter, enóloga e engenheira agrônoma da vinícola.

“Durante o processo de elaboração do vinho, todas as máquinas (prensa pneumática, sistema de frio, monobloco de envase, refrigeração do vinho) utilizam a energia captada do sol, por meio das células fotovoltaicas“, completa Gabriela.

As uvas que receberam aminoácidos apresentam coloração mais intensa - Crédito Shutterstock
 Crédito Shutterstock

Vinícola boutique que produz vinhos Premium e Ultra Premium (seus vinhos estão nas cartas de restaurantes como do Hotel Copacabana Palace, no Rio, e Dalva e Dito e D.O.M., em São Paulo, entre muitos outros), a Guatambu conta ainda com um processo de resfriamento com câmara fria para preservação da integridade dos aromas e sabores das uvas, 100% resfriadas antes de seu processamento. Dessa forma, elas atingem cerca de 5°C para, então, serem prensadas (uvas brancas) ou desengaçadas (uvas tintas). A tecnologia comprovou que vinhos oriundos de uvas resfriadas apresentavam características sensoriais superiores a de uvas não resfriadas. A técnica exige um alto consumo de energia, mas, com o parque solar, torna-se viável. O controle de temperatura é utilizado durante todo o processo de elaboração até a expedição dos vinhos.

Ganhos reais

Valter José Pötter, diretor-proprietário da Vinícola Guatambu, reforça que, quanto à sustentabilidade, a experiência de mais de 50 anos trabalhando no campo serviu para mostrar que a preservação ambiental é tão importante quanto a parte econômica: “Sem dúvida que a consciência ecológica, compensação dos passivos ambientais e maior eficiência energética fazem parte da inspiração inicial, mas a questão mercadológica e financeira igualmente conta: de forma direta na diminuição das despesas e com energia mais barata, houve ganhos de 15% neste mercado de vinhos cada vez mais consciente e exigente. Também estamos recebendo 20% mais visitantes interessados no tema, como profissionais, empresas e alunos ligados ao estudo do meio ambiente. Além de, é claro, os apreciadores dos vinhos da Guatambu“.

A radiação solar na região da Campanha Gaúcha é 40% maior do que na região mais ensolarada da Alemanha ” um dos líderes no uso da energia fotovoltaica. Apesar dessas condições favoráveis, o uso de energia solar para geração elétrica ainda é pouco considerado como opção por indústrias e residências. São, em média, 3.200 horas de sol durante o ano, uma energia que chega de forma gratuita, limpa, silenciosa e inesgotável.

Sobre a Guatambu

A Guatambu é uma vinícola boutique que trabalha com administração familiar, em pequena escala, somente com uvas próprias, lotes limitados e garrafas numeradas, em Dom Pedrito, na Campanha Gaúcha, desde 2003. A produção anual é de 150 mil garrafas de vinhos. Situada no coração do pampa gaúcho, na fronteira com o Uruguai, o cultivo da videira é marcado por um terroir com mais de 2.300 horas de luminosidade durante o período vegetativo da videira e escassez de chuvas no verão, garantindo a maturação fenólica das uvas e a opulência de seus vinhos.

A vinícola conta com um complexo enoturístico, que engloba área de produção, auditório, sala de degustação, salão com parrilla para eventos e loja, com referências arquitetônicas voltadas à cultura gaúcha e às estâncias do pampa, sendo considerada referência em estilo, beleza e modernidade. Desde maio de 2016 funciona com 100% de energia solar, tornando-se o primeiro empreendimento da área na América Latina movida através de energia limpa. estanciaguatambu.com.br | guatambuvinhos.com.br

Museu do Amanhã

O projeto do parque solar ganhou espaço no Museu do Amanhã, que fica no Rio de Janeiro. O local é uma referência em aspectos de consciência de preservação ambiental. Os visitantes podem assistir a uma reportagem sobre a produção de vinho com energia sustentável.

Os rótulos produzidos na safra 2017 da Vinícola Guatambu

Vinhos

Luar do Pampa Chardonnay 2017

Luar do Pampa Gewürztraminer 2017

Luar do Pampa Sauvignon Blanc 2017 (lançamento)

Luar do Pampa Rosé 2017 (feito com uvas Merlot)

 

Espumantes

Guatambu Nature

Guatambu Extra Brut

Guatambu Rosé Brut

Poesia do Pampa Brut

Poesia do Pampa Demi-dec

Angus Extra Brut

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