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Viroses do tomateiro exigem variedades resistentes e correto manejo fitossanitário

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Márcio Tadeu Godinho

Doutor em Fitopatologia e professor da Universidade Federal de Viçosa – UFV

marcio.godinho@ufv.br

Crédito Wellington Brito
Crédito Wellington Brito

A cultura do tomateiro está sujeita a várias doenças e, a depender da cultivar utilizada (nível de resistência genética), pode apresentar sérias limitações na produção. A importância de cada doença é variável para cada região, dependendo de vários fatores, tais como temperatura, umidade, época do ano, variedades, condições de cultivo e manejo da cultura.

Manejo

O controle de doenças precisa ser baseado em um adequado programa de manejo integrado, envolvendo uso de cultivares resistentes e adoção de medidas de exclusão, erradicação e proteção.

Entre os principais vírus e com maior importância econômica que infectam o tomateiro estão os gêneros: Tobamovirus – suas espécies (Tomato mosaic virus – ToMV e Tobacco mosaic virus – TMV) causam o mosaico do tomateiro; Tospovirus – entre suas espécies podemos citar Tomato spotted wilt virus – TSWV, Tomato chlorotic spot virus – TCSV e Groundnut ringspot virus – GRSV, que causam a doença do complexo do vira-cabeça-do-tomateiro; Potyvirus, cuja espécie Potato virus Y (PVY) causa a risca do tomateiro e o Pepper yellow mosaic virus (PepYMV), doença conhecida como mosaico amarelo do pimentão; Crinivirus, cuja espécie Tomato chlorosis virus (ToCV), foi relatada em 2008 no Brasil e sua incidência é alta nos Estados da região Sudeste e Centro-Oeste; e com um maior destaque na literatura recente, os Begomovirus, transmitidos por mosca-branca, com inúmeras espécies relatadas infectando o tomateiro no Brasil.

Epidemia

Desde a década de 90, surtos epidêmicos de viroses causadas por begomovírus passaram a ocorrer em todas as regiões produtoras de tomate do Brasil, associados à introdução da mosca-branca, Bemisia tabaci Middle East-Asia Minor 1 (antigo biótipo B).

Esse vetor transmite begomovírus na modalidade persistente-circulativa, com período de acesso de aquisição (PAA) mínimo de 15 minutos. Há relatos de sua passagem transestadial e de transmissão à progênie (transovariana), o que torna o vetor importante na disseminação e manutenção do vírus nas lavouras.

Ressalta-se ainda que B. tabaci Middle East-Asia Minor 1 coloniza mais de 500 espécies vegetais distribuídas em 84 famílias botânicas, entre as quais são exemplos a Amaranthaceae, Asteraceae, Malvaceae e Solanaceae.

Sintomas

Sintomas de begomovírus em tomateiro - Crédito Alice Nagata
Sintomas de begomovírus em tomateiro – Crédito Alice Nagata

Tomateiros infectados por begomovírus apresentam sintomas variados de mosaico, geralmente acompanhado de clorose ou amarelecimento, enrolamento, rugosidade e redução do limbo foliar e graus variados de nanismo.

Até o momento não foi comprovado que os begomovírus são transmitidos por semente ou por contato entre plantas infectadas e sadias. Sua dispersão ou introdução numa lavoura se dá pela ação da mosca-branca a partir de fontes de vírus de áreas próximas, podendo ser de cultivos antigos, bem como vindos de plantas daninhas que podem funcionar como reservatório de vírus.

Essas viroses são consideradas, atualmente, um fator limitante à produção da hortaliça em diversas regiões no Brasil, em razão da dificuldade de controle, agravada pela constante migração do vetor entre as lavouras.

Identificação e caracterização

Desde 1994, várias novas espécies de begomovírus já foram descritas infectando tomateiro no Brasil. Progressos consideráveis já foram realizados na identificação e caracterização biológica-molecular dos vírus que ocorrem nas principais regiões produtoras.

Este fato contribuiu para que aumentassem os esforços na procura de materiais resistentes, como a forma mais racional de se combater o aumento da incidência e da severidade das infecções por begomovírus em tomateiro no Brasil. Pelo menos nos últimos 17 anos, o Tomato severe rugose virus (ToSRV) é uma das espécies de begomovírus mais comuns nas plantas da família solanácea no Brasil.

Por outro lado, o Tomato yellow spot virus (ToYSV) é um dos begomovírus mais agressivos dentre os que afetam a cultura do tomateiro caracterizado pela severidade e precocidade de seus sintomas, ainda que se desconheçam estudos que quantifiquem os danos que ele causa.

A procura e identificação de fontes de resistências a estes dois begomovírus são pesquisas que devem ser priorizadas, considerando a distribuição desses dois vírus e os danos que eles ocasionam à cultura do tomateiro.

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