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segunda-feira, agosto 8, 2022
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Você sabe fazer a polinização da macieira?

André Amarildo Sezerino

Engenheiro agrônomo, doutor e pesquisador da Epagri ” Estação Experimental de Caçador

andresezerino@epagri.sc.gov.br

 

Créditos André Amarildo Sezerino
Créditos André Amarildo Sezerino

Em diversas espécies cultivadas, como a macieira, a polinização cruzada é essencial e/ou traz algum benefício, como o aumento da frutificação efetiva e a qualidade dos frutos.

Para se obter uma boa frutificação é necessário que haja boa polinização e consequente fertilização das flores. Nessa cultura, observa-se reduzida frutificação efetiva e menor tamanho de frutos quando as flores são autopolinizadas comparativamente à polinização cruzada.

A utilização de 12% de plantas polinizadoras intercaladas a cada 10 metros na fila das cultivares acontece devido ao comportamento de forrageio das abelhas, as quais tendem a voar entre plantas da mesma fila e não entre filas.

Nesse caso, a eficiência da polinização aumenta, uma vez que as plantas polinizadoras encontram-se dentro da fila, permitindo a utilização de um percentual menor de plantas polinizadoras. Contudo, nos cultivos atuais os plantios são realizados com filas inteiras somente de uma cultivar para facilitar o manejo e os tratos culturais, prejudicando a eficiência da polinização cruzada.

Dentre os arranjos encontrados pode-se citar, por exemplo, a utilização de quatro filas de ‘Gala’ e duas de ‘Fuji’, ou duas filas de ‘Fuji’ e uma de ‘Gala’. Geralmente, nesses sistemas de filas inteiras a relação entre produtoras e polinizadoras é de 2:1 (33%).

Frutos grandes e simétricos oriundos de flores bem polinizadas - Créditos André Amarildo Sezerino
Frutos grandes e simétricos oriundos de flores bem polinizadas – Créditos André Amarildo Sezerino

Manejo eficaz

Para viabilizar a polinização cruzada existe a necessidade de plantio de cultivares polinizadoras que apresentem, além de compatibilidade, período de floração coincidente com a cultivar de interesse econômico.

Atualmente, recomenda-se uma percentagem de plantas polinizadoras entre 10 e 12% do total das plantas do pomar, intercaladas nas filas de plantio. Contudo, essa indicação deveria prever a utilização de cultivares polinizadoras com floração coincidente com as cultivares produtoras e propiciar à produção grande quantidade de flores e flores com abundância de grãos de pólen.

Nos atuais pomares comerciais no Sul do Brasil, onde existe uma ou duas cultivares polinizadoras, geralmente não há sincronismo mínimo de 50 a 60% entre a produtora e a polinizadora. Além disso, outras vezes, as plantas polinizadoras produzem poucas flores, as condições climáticas não são adequadas (chuva e frio) e a quantidade de insetos polinizadores é pequena, o que acarreta em déficits de polinização que resultam em problemas de frutificação.

Como maneira de mitigar esses problemas, o manejo da polinização deve ser pensado desde a implantação do pomar, com o correto arranjo e a quantidade suficiente de polinizadoras, a qual nunca deverá ser inferior a 33% e, preferencialmente, utilizar duas espécies polinizadoras.

Além de garantir uma frutificação efetiva, frutos de flores bem polinizadas apresentam melhor qualidade em relação aos mal polinizados - Créditos André-Amarildo-Sezerino
Além de garantir uma frutificação efetiva, frutos de flores bem polinizadas apresentam melhor qualidade em relação aos mal polinizados – Créditos André-Amarildo-Sezerino

Condições específicas

Uma vez que o Sul do Brasil é uma região que não apresenta o clima temperado típico, ocorrendo grande oscilação de fatores climáticos entre os anos, muitos problemas associados com as condições do tempo durante a floração são observados. Dentre eles, os que mais se destacam são a ocorrência de temperaturas baixas e excesso de chuvas que dificultam a atividade das abelhas para realizar a polinização, além da diminuição da velocidade do crescimento do tubo polínico, que pode diminuir as taxas de fertilização das flores.

A condição ideal de polinização ocorre quando há a mesma quantidade (1:1) de flores da planta polinizadora em relação à produtora, ou seja, 50% de polinizadoras e 50% de produtoras totalmente intercaladas. Contudo, quando se pensa no manejo do pomar, tal situação dificulta a realização dos tratos culturais, uma vez que algumas práticas são realizadas separadamente em cada cultivar.

Uma situação “quase ideal“ seria o plantio de filas alternadas de diferentes cultivares, em que a proporção continuaria de 1:1, mas com filas contínuas da mesma cultivar.

Em alguns pomares comerciais de macieiras se observa o plantio de quatro filas do grupo ‘Fuji’ e duas filas de cultivares do grupo ‘Gala’ (4:2) ou vice-versa. Nesse sistema de arranjo a proporção é de 33% de polinizadoras. Entretanto, quando se planta quatro filas consecutivas, as duas filas centrais não apresentam nenhuma polinizadora ao redor, o que diminui a probabilidade de ocorrer a polinização cruzada.

Uma maneira de manter o mesmo percentual de plantas polinizadoras (33%) e otimizar a polinização seria o plantio de duas filas de uma cultivar de maior interessee uma de outra (2:1). Dessa forma, a cultivar produtora sempre terá uma fila de polinizadoras ao lado, aumentando a probabilidade de ocorrer a polinização cruzada nos períodos favoráveis ao forrageamento das abelhas e, consequentemente, aumentado a frutificação efetiva e garantindo uma produção economicamente viável.

Essa matéria completa você encontra na edição de Julho 2017  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.

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