Andressa Souza de Oliveira
Engenheira agrônoma e mestranda em Fitopatologia – Universidade Federal de Lavras (UFLA)
andressaagro71@gmail.com
Um dos maiores desafios enfrentados pelos produtores de morango é a presença dos afídeos, conhecidos popularmente como pulgões. Esses insetos, que apresentam no máximo 3,0 mm de comprimento e vivem agrupados em colônias, possuem preferência por se alimentarem de folhas e pecíolos jovens situados próximo à coroa ou junto à nervura principal.
Quando ocorrem infestações elevadas, surgem os pulgões alados, responsáveis pela dispersão da espécie. A reprodução é partenogenética, ou seja, não há fecundação pelos machos, ocorrendo a viviparidade.
Danos
Os pulgões causam danos diretos e indiretos à cultura. Os primeiros ocorrem pela sucção da seiva das plantas, o que ocasiona o enfraquecimento da parte vegetativa e, consequentemente, a queda na produtividade e qualidade dos frutos.
Já os danos indiretos estão associados à presença de patógenos, como a fumagina, doença fúngica que se desenvolve sobre os excrementos açucarados, causando redução da área fotossintética, e às viroses, como a clorose marginal do morangueiro (SMYEV), o vírus do encrespamento do morangueiro (SCV), o vírus do mosqueado (SMoV) e o vírus da faixa das nervuras do morangueiro (SVBV), transmitidos por pulgões, reduzindo drasticamente o rendimento.
Na cultura do morangueiro, as formigas lava-pés são uma praga comum. Os carboidratos presentes na secreção açucarada produzida pelos pulgões são a principal fonte de energia para as formigas, que tendem a construir seus ninhos próximos às colônias, facilitando assim sua alimentação.
Em troca, as formigas protegem os pulgões, mantendo o ambiente próximo à colônia livre do excesso de honeydew e atacando os inimigos naturais, criando assim uma relação simbiótica. Além disso, as formigas formam pequenos montes de terra sobre o colo da planta, inflorescências e frutos novos. Em alguns casos, as formigas atacam os trabalhadores durante a colheita, reduzindo o rendimento do trabalho.
A observação da parte inferior das folhas e, indiretamente, a presença de formigas associadas às colônias de pulgões, é fundamental para o manejo eficaz dessas pragas. Ao controlar a população de pulgões, automaticamente as formigas são controladas, já que sua sobrevivência está diretamente ligada à produção de carboidrato liberada pelos pulgões.
Assim, é fundamental integrar as medidas de controle.
Estratégias
Medidas de controle devem ser adotadas quando for observado que 5% das plantas estão infestadas. Recomenda-se, para o controle dos pulgões, a preservação dos inimigos naturais, principalmente os parasitoides, como uma das medidas mais eficazes.
Além disso, indica-se a utilização de armadilhas adesivas na cor amarela, em maiores quantidades, para a coleta massal dos insetos, bem como corredores ecológicos e biofertilizantes à base de água, esterco, leite, cinzas, micronutrientes, folhas de caruru, tiririca e mamona.
Caso haja necessidade do controle químico, sugere-se a rotação de princípios ativos e modos de ação dos inseticidas, conforme os registros específicos para o cultivo do morangueiro, priorizando-se sempre por produtos de menor impacto ambiental.