Leonardo de Oliveira Machado
Coordenador institucional – Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (IFAG)
O milho é o grão de maior produção no mundo. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA, USDA, o mundo deve produzir na safra 2021/22 em torno de 1,21 bilhões de toneladas do cereal.
Entre os principais produtores mundiais de milho temos o EUA, China, Brasil, União Europeia, Argentina e Ucrânia. Estes seis produzem mais de 70% da produção global, sendo fundamentais para o fornecimento deste importante produto para todo o globo.
No entanto, China e União Europeia, apesar de serem grandes produtores, são também grandes consumidores. Juntos eles são responsáveis por aproximadamente 30% do consumo mundial dos grãos. Desta forma, precisa de importações para atender sua demanda interna.
Neste sentido, sobram os EUA, Argentina, Brasil e Ucrânia como grandes fornecedores mundiais de milho. EUA e Argentina possuem uma estabilidade de produção, ou seja, ambos possuem uma participação no mercado exportador limitada a 65 e 40 milhões de toneladas.
Frente este cenário, resta ao Brasil e à Ucrânia atenderem a demanda crescente por importações. A Ucrânia tem avançado no comércio mundial de milho, no período analisado. Entre 2017/18 e 2021/22, a Europa Oriental saltou de 18 para 27,5 milhões de toneladas exportados. Neste mesmo período, o Brasil passou de 24 milhões de toneladas para uma previsão nestas safras de 43 milhões.
No entanto, com o confronto entre Ucrânia e Rússia, dificilmente este primeiro país terá condições de fornecer milho ao resto do mundo. Sendo assim, restará ao Brasil atender o crescimento da demanda mundial de milho, se consolidando cada vez mais como um grande exportador do cereal. E, neste sentido, é importante avaliar o sistema produtivo do milho brasileiro.
Evolução
O Brasil tem avançado na sua produção de milho nos últimos anos. De 2017/18 para 2021/22, o País saiu de uma produção de 82 para 114 milhões de toneladas, um crescimento de 40%, lembrando que este número é uma previsão.
Tal crescimento só foi possível devido a dois fatores de grande importância: a migração do período de maior produção de milho, de 1ª para 2ª safra e o crescimento da produção no centro-oeste brasileiro.
A expectativa para o ano agrícola 2021/22, é que o país produza 112,3 milhões de toneladas, sendo que 80% da produção é concentrada na 2ª safra e 20% apenas é feita na 1ª safra. Analisando ainda este período, na safra 2011/12 a produção no Centro-Oeste brasileiro representava 42% da produção. Já na safra 2021/22 esta participação passou a ser de 56%.
A Conab estima que a produtividade da região Centro-Oeste deve estar acima de 100 sc/ha. Com exceção da safra passada, a região tem mantido seu rendimento acima deste valor, algo nunca alcançado pela média nacional.
Frente a toda a conjuntura apresentada, a manutenção desta produtividade no centro-oeste brasileiro se torna essencial não só no contexto regional, mas é fundamental para uma produção brasileira acima de 110 milhões de toneladas e um volume exportado maior que 40 milhões de toneladas.