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sábado, abril 13, 2024
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Algodoeiro: complexo de doenças e pragas

Crédito: Cecília Czepak

Isabella Rubio Cabral
Graduanda em Ciências Biológicas, UNESP – Botucatu
rubioisabella05@gmail.com
Aline Marques Pinheiro
Mestranda em Proteção de Plantas, UNESP – Botucatu
aline.pinheiro@unesp.br

O algodão é mundialmente a fibra natural produzida em maior abundância. O Brasil ocupa a quarta posição entre os países produtores e é o segundo maior exportador do produto, com produção de 2,5 milhões de toneladas na safra de 2021/22 e receita de exportação atingindo recorde histórico de US$ 3,66 bilhões em 2022 (Abrapa, 2023).

O algodão é especialmente cultivado pela sua fibra, matéria-prima dos tecidos de algodão. No entanto, existe grande valor agregado e aplicações comerciais para outras partes da planta.

O línter do algodão fornece fontes de celulose para a produção de plástico, com possibilidade de ser incorporado em outros produtos. Já a semente de algodão é utilizada para a extração de óleo e produção de farelo que, por sua vez, serve como ração animal e fertilizante.

Desafios

A importância da cultura e o aumento da produção de algodão no Brasil geram novos obstáculos aos produtores. O clima tropical e o solo brasileiro representam vantagens que favorecem e justificam o potencial produtivo da cultura no País.

No entanto, a agricultura tropical enfrenta o desafio de lidar com a grande ocorrência de doenças e insetos-praga que podem ocasionar perdas significativas de produtividade. Devido ao grande complexo de artrópodes-praga e doenças, o algodão está entre as culturas que demanda maior consumo de produtos químicos.

Estima-se que sejam realizadas 18 a 23 pulverizações durante o ciclo da cultura, o que equivale a mais de R$ 2 bilhões gastos.

Pragas da cultura

Dentre os principais insetos-praga, os maiores prejuízos na fase inicial da cultura estão relacionados ao ataque de insetos sugadores, como os pulgões (Aphis gossypii), a mosca-branca (Bemisia tabaci) e os tripes (Thrips tabaci e Frankliniella sp.).

O complexo de lagartas desfolhadoras (Alabama argillaceae, Chrysodeixis includens e Spodoptera spp.) predomina na fase vegetativa. No momento do desenvolvimento de estruturas reprodutivas, as lagartas Heliothis virescens, Helicoverpa spp. e Spodoptera spp. também podem gerar grandes prejuízos à cultura.

Nesta fase, pragas como o bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis) estão associadas aos botões florais, enquanto a lagarta-rosada (Pectinophora gossypiella) e percevejos, como Horcias nobilellus Diceraeus sp., Dysdercus sp., Nezara viridula e Euschistus heros, estão associados às maçãs.

Na relação de pragas tardias, também é possível destacar o ataque de ácaros, como o ácaro-rajado (Tetranychus urticae) e o ácaro branco (Polyphagotarsonemus latus).

Sintomas

O bicudo-do-algodoeiro é considerado a praga-chave de maior relevância para o algodoeiro. A alimentação e oviposição da praga ocorre preferencialmente em botões florais acima de 6,0 mm de diâmetro ou nas maçãs, em caso de ausência dos botões.

Seu desenvolvimento ocorre dentro dessas estruturas, utilizando-as como fonte de alimento e proteção, o que favorece a sobrevivência do inseto. Um grande indicativo de infestação é a observação do amarelecimento e queda dos botões florais, que ocorre de cinco a nove dias após a oviposição, onde as larvas completam seu desenvolvimento até a fase adulta.

As flores atacadas apresentam aspecto de “balão” e as maçãs ficam com sintomas de “carimã”, uma vez que a alimentação das larvas destrói o interior do fruto. O período crítico de ataque do inseto ocorre de 40 a 90 dias após a emergência das plantas.

Os ataques de mosca-branca também merecem grande destaque. Os danos de ordem direta estão relacionados a desordens fisiológicas ocasionadas pela contínua sucção da seiva do floema, como a queda e o amarelecimento das folhas, interferindo também no crescimento da planta.

Danos

Os danos indiretos são ocasionados pela excreção de uma substância açucarada (honeydew), que favorece a ocorrência de fumagina (Capnodium sp.) sobre ramos, folhas e frutos, diminuindo a capacidade fotossintética da planta e o valor comercial da fibra de algodão.

As perdas também são atribuídas à transmissão de vírus, especialmente pertencentes ao gênero Begomovirus (Geminiviridae).

Em relação ao pulgão-do-algodoeiro, nota-se que os insetos se localizam preferencialmente na face abaxial das folhas e em novas brotações da planta. Os danos estão relacionados à sucção contínua da seiva, resultando em deformação de brotos, murcha da planta e nanismo, além de promover o encarquilhamento das folhas.

Crédito: Nelson Suassuna

As populações desse pulgão também são transmissoras de vírus, causadores do vermelhão-do-algodoeiro e do mosaico-das-nervuras.

A lagarta-do-cartucho, quando em estágios iniciais, raspam especialmente as brácteas dos botos florais. Quando maiores, são frequentemente observadas realizando perfurações em botões florais, flores e maçãs, promovendo danos severos que podem reduzir significativamente a produção de fibra.

Doenças em destaque

Dentre as doenças foliares que acometem o tomateiro, destacam-se a ramulose, mancha de ramulária e mancha angular. A ramulose é causada pelo fungo Colletotrichum gossypii var. cephalosporiodes, transmitido por sementes contaminadas.

Os sintomas são observados em folhas novas, com seu enrugamento e formação de manchas necróticas, que com o tempo se desprendem e formam perfurações, dando às manchas um formato de estrela.

A ramulária, também conhecida como falso oídio, é ocasionada pelo fungo Ramularia aréola. Os sintomas são caracterizados por manchas brancas de formato angular e, se houver o ataque em plantas novas, a desfolha é intensa.

A mancha angular, por sua vez, é ocasionada pela bactéria Xanthomonas axonopodis pv. malvacearum, e em condições favoráveis, os sintomas são muito intensos, com infecção não só das folhas, mas também das maçãs do algodoeiro.

O algodoeiro também pode ser severamente atacado por doenças ocasionadas por patógenos de solo, como a murcha de fusarium, causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. vasinfectum, habitante do solo.

Os sintomas são caracterizados pela seca e murcha de folhas e ramos. Quando as plantas são novas, morrem após os primeiros sintomas serem observados e quando sobrevivem, os brotos não são produtivos.

O cotonicultor também deve estar atento a doenças como ferrugem tropical, mancha de estenfílio e tombamento de plântulas (damping off), ocasionadas por vírus como mosaico comum, mosaico das nervuras e vermelhão, que merecem destaque e representam grandes obstáculos para a cadeia produtiva.

Manejo fitossanitário

O manejo fitossanitário do algodão deve considerar a integração de diferentes táticas. O controle cultural é imprescindível para o manejo de pragas nessa cultura, pois abrange diversas ações responsáveis por tornar o ambiente menos favorável:

  • Destruição de soqueiras com método químico, mecânico ou ambos;
  • Eliminação de plantas voluntárias e outras hospedeiras (na área, em outras lavouras, em beira de estradas, em volta de algodoeiras e na sede da fazenda);
  • Semeadura concentrada nas regiões próximas entre si;
  • Uso de sementes fiscalizadas e de boa qualidade;
  • Utilização de cultivares de ciclo precoce a médio;
  • Limpeza de implementos agrícolas;
  • Manejo do crescimento das plantas;
  • Vazio sanitário (é proibido o plantio, por exemplo, entre 30 de setembro a 30 de novembro nas regiões sul e sudeste do Mato Grosso).

Dicas

O controle comportamental pode ser realizado por meio da utilização de armadilhas ou do tubo mata-bicudo. Este último deve ser instalado a 150 metros ao redor dos talhões e, preferencialmente, 10 dias antes da semeadura.

Eles podem permanecer mais de 40 dias atraindo e matando adultos do bicudo e servem, também, como ferramenta de monitoramento. No âmbito do controle genético, já foram identificados genes com potencial para o controle do bicudo, entretanto, ainda não foi possível inseri-los no algodoeiro.

Para o complexo de lagartas, utiliza-se amplamente a tecnologia Bt, desenvolvida a partir dos genes da bactéria Bacillus thuringiensis.

Técnicas e produtos eficientes

Crédito: J. Monteiro

O controle químico deve ser utilizado de forma sistematizada, a exemplo de aplicações na bordadura, uma vez que os adultos que estavam no refúgio são atraídos pelos voláteis emitidos pelo algodoeiro e chegam à lavoura pelas bordaduras, bem como aplicações na desfolha do algodoeiro.

Existem inúmeros produtos formulados registrados para o controle de pragas. Estão distribuídos nos seguintes grupos químicos: piretroide, pirazol, piridina, azometrina, organosfoforado, carbamato e éter difenílico.

Também há misturas de ingredientes ativos de diferentes grupos químicos, como antranilamida + neonicotinoide, piretroide + carbamato, tiametoxan + lambda-cialotrina e fenitrotion + esfenvalerate.

No manejo de doenças, o principal método e o mais recomendado é o uso de cultivares resistentes. Outras táticas também devem ser realizadas, como rotação de culturas, uso de sementes sadias, deslintamento de sementes com ácido sulfúrico para redução do inóculo inicial da doença, limpeza de equipamentos e, por fim, controle químico.

Alguns fungicidas recomendados pertencem aos grupos: triazol, estrobilurina, benzimidazol, fenilpiridinilamina e carboxamida.

Custos envolvidos

O manejo de pragas e doenças é uma das etapas mais importantes e custosas do ciclo do algodão. Estima-se que 25% do valor total da produção são destinados para essa finalidade. Somente os defensivos agrícolas representaram, na safra 2021/22, 18% do custo de produção.

Portanto, a boa condução fitossanitária do algodoeiro exige pessoal capacitado dentro do campo para que a tomada de decisão seja realizada da maneira correta e no momento ideal.

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