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Aminoácido estimula maior produtividade da abobrinha

Os aminoácidos facilitam a absorção e aproveitamento dos fertilizantes.

Nilva Teresinha Teixeira
Engenheira agrônoma, doutora e professora de Bioquímica, Nutrição de Plantas e Produção Orgânica – UniPinhal
nilva@unipinhal.edu.br

A abobrinha é uma cucurbitácea, um fruto colhido verde. Trata-se de uma cultura interessante para os horticultores: é espécie de ciclo rápido e pode ser cultivada no Brasil todo, com exceção do inverno em locais suscetíveis às geadas.

Os aminoácidos favorecem o pegamento de frutos

Trata-se de atividade atrativa, gerando lucratividade e empregos – a utilização de mão de obra é alta, principalmente durante a colheita. É uma cultura de ciclo rápido, podendo ser oportunidade para o pequeno produtor obter renda em curto período de tempo.

É alimento de fácil digestão, pouco calórico e fonte de sais minerais e fibras e de vitaminas, principalmente de vitamina A.

Fitossanidade

A abobrinha também se mostra suscetível ao frio e suscetível a pragas, como pulgões, broca-das-hastes, vaquinhas, lagarta-rosca e lagarta-minadora. As doenças mais comuns são oídio, podridão das raízes, a antracnose e mosaico, que exige a atenção do produtor.

A principal medida é empregar cultivares resistentes e adubação equilibrada. Além da adubação equilibrada, existem ferramentas que, se utilizadas pelo produtor, podem melhorar a produtividade, a resistência das plantas aos fatores bióticos e abióticos, aumentar a eficiência do aproveitamento dos nutrientes disponíveis e, consequentemente, a produtividade.

Uma das opções é a inclusão dos aminoácidos no cultivo.

Quem são eles

Os aminoácidos são substâncias produzidas pelos vegetais e formadores de proteínas e de outros compostos fundamentais para as plantas, como clorofilas (básicas para a fotossíntese), nucleotídeos (formadores dos ácidos nucleicos e participantes da respiração e da fotossíntese), por exemplo.

Nas proteínas vegetais ocorrem 22 aminoácidos, todos muito importantes: para formar as proteínas são necessários todos eles. Entretanto, existem aqueles de maior relevância pois, além da síntese proteica, exercem outros papéis importantes para os vegetais.

Informações importantes

Os aminoácidos são ácidos orgânicos com a principal função de constituírem as proteínas. Porém, atuam como precursores de inúmeras substâncias reguladoras do metabolismo vegetal, além de funcionar como ativadores de metabolismos fisiológicos.

Por exemplo, o triptofano é precursor do mais importante hormônio de crescimento radicular e da parte aérea das plantas, o ácido indol acético (AIA). A metionina é matéria-prima para a produção do etileno, responsável pela maturação dos frutos.

Outros aminoácidos, como a tirosina e a fenilalanina, são básicos para a formação de compostos fenólicos envolvidos na defesa das plantas e na síntese de lignina, que aumenta a resistência aos fatores bióticos e ao acamamento das plantas.

A glicina é precursora da síntese de clorofila, pigmento responsável pelo processo fotossintético, além de agir nos mecanismos de defesa das culturas: participa na formação de glutationa (molécula que auxilia na defesa de plantas), fitoquelatinas e betaína (composto que é acumulado em plantas em condições hídrico e ajuda manter a eficiência fotossintética).

Para formar a clorofila, a glicina reage com um composto integrante do Ciclo de Krebs, o succinil CoA, formando o ácido aminolevulínico (ALA) que dá origem ao pirrol, que evolui para as clorofilas.

A cisteína é fonte de enxofre básica para síntese da glutationa que, como se citou, auxilia na defesa das plantas. A fenilalanina é importante na síntese de lignina (auxiliando na resistência das plantas) e do ácido salicílico (atua na defesa das plantas aos patógenos).

A metionina é importante para a maturação dos frutos, quanto a prolina melhora a resistência à salinidade, ao estresse térmico e ao déficit hídrico.

Síntese de aminoácidos

As plantas sintetizam os aminoácidos para formarem as suas proteínas e demais compostos nitrogenados importantes, por meio do nitrogênio, que absorvem via raízes ou parte aérea e derivados fotossintéticos.

Para isso, há dispêndio substancial de energia. Por outro lado, em condições de estresse térmico ou hídrico, a taxa fotossintética cai e a formação dos aminoácidos também. A suplementação endógena de formulados contendo tais produtos pode significar ferramenta útil para melhorar a atividade metabólica e permitir que o vegetal se recupere de tais condições e tenha boa produtividade.

Há, no mercado, fertilizantes que associam nutrientes de plantas e aminoácidos. No caso, os aminoácidos agem como quelatos, o que facilita a absorção e aproveitamento do fertilizante. Existem informações de que os aminoácidos, além de beneficiar o aproveitamento dos nutrientes, melhoram a mobilidade deles nas plantas.

Para a abobrinha

No cultivo de abobrinha, assim como nas demais espécies, o emprego dos aminoácidos pode garantir melhor desenvolvimento inicial, quando aplicados via solo ou nas sementes, refletindo em plantas com desenvolvimento vegetativo mais adequado e mais resistentes.

A floração mais abundante favorece o pegamento de frutos. Assim, a produtividade será beneficiada com maior número de frutos e qualidade aprimorada.

Um aspecto importante é que o uso dos aminoácidos pode contribuir para a diminuição do uso de defensivos e de fertilizantes, o que diminui os impactos ambientais que tais insumos podem provocar.

Por onde começar?

Deve-se atrelar os aminoácidos às recomendações técnicas. Entretanto, o uso pode ser por fertirrigação, no plantio e ao longo do ciclo ou, então, via foliar, quando se pode empregar semanalmente. As doses a utilizar dependem do produto escolhido.

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