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Demanda pede melancias menores

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Autor

Golmar Beppler Neto
Gerente de Cultivo Melão e Melancia – América do Sul Nunhems® BASF

A produção de minimelancias com micro sementes comestíveis atende um nicho de mercado cujo consumidor é extremamente exigente, porque procura por frutas premium, ou seja, mais saborosas que as encontradas normalmente nas prateleiras dos supermercados. Hoje, a produção de minimelancia sem semente visa o mercado de exportação, principalmente a Europa.

Tendências

Estima-se que a área plantada de minimelancias está em torno de 2.500 ha ao ano. A produção anual é variável, devido a condições climáticas que podem afetar na produtividade. Porém, podemos afirmar que hoje está na casa dos 100 milhões de quilos por ano. A produção de minimelancia destinada à exportação ocorre principalmente no Rio Grande do Norte e no Ceará.

O mercado de minimelancias vem crescendo nos últimos anos. São frutas que têm em média até três quilos, sendo as menores melancias comercializadas. O consumidor brasileiro começa a acompanhar uma tendência europeia de preferir frutas de alta qualidade, com muito sabor e mais práticas para o transporte.

No País, a exportação o principal destino da minimelancia. E os números da última safra são recordes. Segundo a Secex (Secretaria de Comércio Exterior), na safra 2017/18 foram exportadas 71,3 mil toneladas da fruta, volume 1% superior ao de 2016/17.

Quanto à receita, registrou alta de 9,6%, chegando a US$ 36,3 mil no período. Estes números nos dão uma noção do tamanho do mercado de minimelancia no Brasil e de como ele vem crescendo.

A Nunhems®, como marca de sementes de frutas e hortaliças da BASF, busca colaborar com o desenvolvimento do mercado de minimelancias. Em nosso portfólio oferecemos sete híbridos de melancia, sendo que dois são mini: Premium e Ladybelle.

Manejo

A cultura da melancia adapta-se aos mais diversos tipos de solos, podendo ser de textura arenosa ou média. Solos de textura argilosa ou muito argilosa devem ser evitados. Algumas orientações gerais no preparo do solo são: aplicar calcário de dois a três meses antes do plantio, para neutralizar a acidez do solo e a irrigar a área três a quatro dias antes do plantio/transplantio.

Um dos principais cuidados, além do manejo do solo, é com a qualidade da semente/muda a ser usada no cultivo. Utilizar híbridos mais resistentes a pragas e doenças e com alta produtividade é fundamental para o sucesso da cultura.

Planejamento

Para todo e qualquer projeto agrícola, o produtor deve ter muita atenção quanto ao planejamento. Algumas atividades como preparo do solo, preparo das mudas, feitio e transplante das mudas, sistema de irrigação, equipe de campo, manejo de abelhas, classificação, seleção de frutos e embalamento são determinantes para o êxito na atividade ou projeto.

Sendo assim, considero que o erro mais comum nesta atividade é a falta de planejamento.

Plantio e preparação do solo

Antes de realizar o preparo do solo, o produtor deve fazer análise de solo com no mínimo quatro meses de antecedência, tendo em vista que muitas vezes será aplicação de calcário para correção da acidez do solo.

Depois de corrigir o solo com calcário, o produtor deve fazer a adubação de base, afim de equilibrar os macro e micronutrientes do solo. Após isso, ele definirá a densidade de plantas que utilizará por hectare, tendo em vista característica da região onde irá produzir.

Após realizar o preparo do solo e correções, é chegada a etapa de transplante de mudas. No caso da melancia sem sementes, deve-se respeitar a proporção mínima de 3×1 (três plantas de melancia sem sementes para um de polinizador).

Essa é uma etapa fundamental, tendo em vista que é diretamente relacionada com a produtividade esperada da plantação. Isso porque o pólen da melancia sem sementes (triploide) é pouco viável, sendo assim necessário plantas polinizadoras (diploides) para que haja polinização e, consequentemente, produção de frutos.

Existem diversos arranjos possíveis para distribuição de polinizadores em uma área de melancia sem sementes. A mais comum é aquela em que se utiliza um polinizador a cada três plantas de melancia sem sementes. Abaixo uma ilustração quanto a este sistema de transplante de mudas, onde P refere-se a “Polinizador” e X a “Melancia triploide (sem sementes)”:

P X X X P X X X
X P X X X P X X
X X P X X X P X
X X X P X X X P
P X X X P X X X
X P X X X P X X
X X P X X X P X
P X X P X X X P

Nutrição

A primeira recomendação é fazer uma análise do solo, para saber quais são as deficiências de nutrientes e depois realizar a adubação de maneira racional e conforme a necessidade da área. Os principais nutrientes para a cultura da melancia em geral são: nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, enxofre, boro, zinco e cobre.

O ideal é que o manejo de fertilizantes seja realizado via fertirrigação, em que se utilizam sais ou ainda adubos formulados hidrossolúveis. Desta forma, há uma maior eficiência e menor dependência de mão de obra. Este sistema, além agregar muito em termos de eficiência e redução de custos, é muito mais sustentável, tendo em vista que há uma drástica redução no uso de agua.

Para simplificar o entendimento quanto à adubação em melancia, dividimos em três momentos: crescimento vegetativo, florescimento e formação e maturação dos frutos. Em cada uma destas fases, a planta requer diferentes quantidades e relações de macro e micronutrientes. Não existe uma fórmula para cada uma das fases; portanto, o acompanhamento por um engenheiro agrônomo capacitado torna-se fundamental.

Ervas daninhas, pragas e doenças

As plantas daninhas interferem negativamente na cultura da melancia, porque podem reduzir a produtividade e a qualidade dos frutos. As invasoras competem com a cultura por água, nutrientes, luz e espaço.

Recomenda-se manter a área de cultivo livre das plantas daninhas desde o início do desenvolvimento da cultura até o fechamento das ramas. O manejo preventivo constitui-se na principal forma de se evitar que plantas daninhas infestem as áreas com plantio de melancia.

A cobertura morta com palha de arroz, bagaço de coco ou palha seca é uma alternativa no manejo de plantas daninhas assim como o uso de mulching.

Cuidados

O mercado consumidor está cada vez mais exigente. Cuidados com a sustentabilidade do cultivo são indispensáveis. A fertirrigação para o manejo correto da água e dos nutrientes é indicado para a minimelancia.

O manejo das abelhas, além de contribuir para a fecundação dos frutos, também indica que a lavoura está saudável e que utiliza os produtos adequados e nas doses recomendadas para a cultura.

A rastreabilidade do processo produtivo é outro ponto importante. O consumidor busca um produto saboroso, de qualidade, seguro e sustentável. Uma dica que contribui com a aparência do produto é impedir o contato direto dos frutos com o solo, principalmente em épocas chuvosas.

Os frutos devem ser calçados (palha de arroz, capim seco, ou material próprio para a finalidade) para evitar o apodrecimento de frutos e a mancha de encosto (que pode reduzir a cotação do produto no mercado).

A rotação de culturas é indicada para evitar o aparecimento de pragas e doenças. O plantio na sequência de melão, abóbora, maxixe ou pepino na mesma área deve ser evitado. São indicados cultivos como feijão, cebola, milho, tomate, etc.

Demanda de minimelancias

A maior demanda de minimelancia é a exportação para a Europa no período de agosto a março, que é a entressafra da Espanha – maior produtor europeu.

Investimento

O investimento inicial varia de acordo com a região, a tecnologia a ser empregada e ainda o tipo de estrutura que se pretende utilizar (packing house, câmara fria, caminhões, etc.). Em geral, fica entre R$ 10.000,00 a R$ 15.000,00 por hectare o custo de produção, considerando mão de obra.

As minimelancias são produtos com alto valor agregado e que podem oferecer boa rentabilidade ao produtor. Tanto o mercado de exportação quanto o interno apresentam boas oportunidades de negócios.

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