Eficiência da nutrição via foliar no tomateiro

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Lucas Guilherme Araújo Soares
Vinicius Lima Cardoso
Graduandos em Engenharia Agronômica – Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra)
Thiago Feliph Silva Fernandes
Engenheiro agrônomo e mestre em Produção Vegetal – Unesp
thiago.feliph@unesp.br

Crédito: Ana Maria Diniz

O tomateiro (Solanum lycopersicum L.), pertencente à família Solanaceae, é uma espécie perene, cultivada como espécie anual, que possui porte arbustivo e diferentes formas de desenvolvimento, como rasteira, semiereta e ereta.

Comporta-se bem em diferentes tipos de solo, temperaturas e métodos de cultivo, mas se desenvolve melhor em ambientes quentes, com boa luminosidade e drenagem. Alguns fatores, como o tipo de cultivar, nutrição, disponibilidade hídrica e concentração de CO2 proporcionam melhores condições para que a planta se desenvolva mais e seja resistente a certas pragas e doenças.

Adubação foliar na tomaticultura

Na adubação foliar, as partes aéreas, principalmente a superfície foliar (adaxial e abaxial), absorvem nutrientes pelos estômatos devido à pressão presente na evapotranspiração.

Os nutrientes entram através das cutículas, por meio de rupturas ou microcanais, de forma ativa e passiva à medida que a formulação é pulverizada diretamente sobre as folhas. Fagéria et al. (2009) afirmam que os nutrientes, para os quais ocorre maior eficiência quando aplicados na forma de pulverização foliar, são necessários para as plantas em baixas quantidades e apresentam mobilidade restrita.

Assim, a aplicação de micronutrientes via foliar é essencial para o pleno desenvolvimento do tomate. No entanto, pouco se sabe sobre situações em que os fertilizantes foliares podem complementar a adubação via raízes, pois pode-se verificar controvérsias nos resultados obtidos quanto ao potencial desta tecnologia (Fageria et al., 2009).

A adubação foliar na cultura do tomate traz diversos benefícios à produtividade da espécie e qualidade dos frutos. Um dos principais fatores é a maior absorção de micronutrientes, que são elementos essenciais para uma boa produção em qualquer planta.

A adubação foliar é uma ferramenta cada vez mais utilizada para aumentar a produtividade das culturas (Fernandez et al., 2015).

Equilíbrio nutricional

A adubação foliar pode ser utilizada com sucesso em plantios de tomate de baixa, média e alta tecnologia, pois ajuda a estabelecer o equilíbrio dos nutrientes na cultura, ajustando o nível dos nutrientes para níveis próximos ao ótimo.

Assim, como toda técnica, a adubação foliar apresenta grandes vantagens, como o uso de menores doses, quando comparado a aplicações via solo, possibilita uma fácil uniformização e distribuição da solução, ocasionando rápida resposta de absorção pelas plantas, além de possibilitar a correção de deficiências nutricionais no decorrer do ciclo da cultura.

Dosagem

A recomendação de dosagens para a nutrição foliar na cultura do tomate varia de acordo com o sistema de cultivo e a cultivar a ser implantada. De acordo com Fernandes et al. (2002), as principais dosagens de fertilizantes, com algumas modificações, são as seguintes: 8,0; 2,0; 4,0; 2,0; 1,0 e 1,0 mmol L-1 N, P, K, Ca, Mg e S e 50,0; 20;0,7,5; 4,0; 0,9 e 0,7 µmol L-1 Fe, B, Mn, Zn, Cu e Mo para fase vegetativa, utilizados do primeiro ao vigésimo primeiro dia após o transplante (DAT).

Para a fase reprodutiva, 12,0; 2,0; 6,0; 3,0; 1,5 e 1,5 mmol L-¹ N, P, K, Ca, Mg e S e 60,0; 10,0; 4,0; 1,3 e 0,7 µmol L-¹ Fe, Mn, Zn, Cu e Mo (22 a 112 DAT).

Ainda para a cultura do tomate, afim de prevenir a podridão apical ocasionada pela falta cálcio nos frutos, Castellane (1988) recomenda pulverizações foliares com CaCl2 0,6% semanalmente, a partir do início do florescimento das plantas, dirigidas para os frutos.

Como escolher os nutrientes?

Os nutrientes devem ser escolhidos de acordo com o boletim técnico da cultura e, ainda, de acordo com o manual de adubação e calagem de cada Estado em que a cultura do tomate será implantada.

A disponibilidade de produtos comerciais utilizados nas adubações foliares tem aumentado nos últimos anos, porém, são poucos os estudos que comprovam a eficiência desses produtos utilizados na fertilização das hortaliças.

Assim, os autores Fageria et al. (2009) e Fernandez et al. (2015) relatam que a fonte de nutrientes utilizada na aplicação foliar pode interferir na eficiência e no potencial desta tecnologia, uma vez que o desempenho de cada produto pode ser determinado por suas próprias propriedades físico-químicas.

Custo-benefício

Ocorrem grandes variações nos preços de fertilizantes foliares, mas é importante lembrar que a falta de um manejo correto de aplicação pode sair caro para o produtor. Isso porque existem diferentes fontes de fertilizantes com custos bem elevados, e na falta de um correto manejo, implica em perdas, além de baixo custo-benefício.

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