Escolha de variedades de couve-flor de inverno

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Fabrício Custódio de Moura Gonçalves

Doutor em Agronomia/Horticultura – Unesp, Botucatu

fabricio-moura-07@hotmail.com

Rogério Falleiros Carvalho

Professor na área de Fisiologia Vegetal – Unesp, Jaboticabal

rogerio.f.carvalho@unesp.br

Foto: Shutterstock

A temperatura é o principal fator climático que afeta a produção de couve-flor. Embora já tenha sido considerada cultura típica de outono-inverno e resistente à geada, exige temperaturas amenas ou frias para formar “cabeças” comerciáveis.

Às vezes, uma pequena variação na temperatura pode levar uma cultivar a produzir cabeças precocemente, pequenas e sem valor comercial.

No grupo das variedades de couve-flor de inverno, existe a tradicional cultivar brasileira, altamente exigente em temperaturas frias, de ciclo tardio e que produz grandes cabeças brancas.

No entanto, a tendência atual é substituir as antigas cultivares pelos novos híbridos que vêm sendo introduzidos. O uso de variedades híbridas proporciona maior produtividade e uniformidade de tamanho de cabeça, visto que a preferência da dona de casa moderna é por cabeças de coloração branco-leitosa, pesando entre um e dois quilos.

Por onde começar

De início, as sementes devem ser adquiridas em lojas de produtos agropecuários ou revendas especializadas e seguras. A semeadura pode ser em bandejas de isopor com 128 células, de preferência em estufas.

Como alternativa, podem ser utilizadas sementeiras em campo aberto ou copos de papel. De 25 a 30 dias após a semeadura, com 8, 9 ou 10 cm de comprimento e três a quatro folhas, as plantas estão prontas para o transplante para o local definitivo.

A couve-flor se desenvolve bem em solo pesado e argiloso, porém profundo e bem drenado, e não tolera solos ácidos. Portanto, para alcançar alta performance, escolha uma área com essas características. 

Antes de inciar o preparo do local, o ideal é fazer a análise de solo da sua propriedade. E, se for preciso, faça a correção da acidez do solo com o processo de calagem. De preferência, pode-se aplicar calcário dolomítico. Use quantidade que eleve o pH para 6 a 6,5.

A cultura é exigente em nitrogênio, potássio, cálcio e sódio. Boro e molibdênio são dois micronutrientes fundamentais para o sucesso do plantio. Use cinco toneladas por hectare de esterco de aves ou 20 toneladas de esterco bovino como adubo orgânico. Como complemento, adicione de 150 a 200 quilos por hectare de fontes de nitrogênio aos 20, 40 e 60 dias após o plantio.

O espaçamento varia de acordo com o tamanho da cabeça, mas o mais tradicional é o de 1,0 metro entrelinhas e 0,5 m entre plantas. Cultivares com cabeças pequenas são plantadas em espaçamento de 0,80 x 0,40 m e as tardias, que produzem cabeças grandes, até de 1,20 x 1,70 m. O número de plantas por hectare deve ser estabelecido entre 20 mil e 25 mil para produções economicamente viáveis.

Plantio

A época de plantio está muito relacionada com as exigências termoclimáticas da cultivar escolhida. Dessa forma, a escolha deve ser criteriosa, considerando que existe uma intensa interação cultivar x clima.

Os materiais de inverno exigem temperaturas baixas para desenvolver a inflorescência, com uma temperatura ótima, para formação de boas cabeças, de 14 a 20°C. Portanto, deve-se planejar bem o cultivo, pois temperaturas próximas a 0ºC causam injúrias por congelamento no ápice dos ramos, resultando em má-formação da inflorescência.

Por outro lado, temperaturas acima de 25ºC também podem provocar a má-formação da inflorescência, ou ainda a perda de compacidade, que é a chamada “cabeça frouxa”.

A cultivar ideal

Há cultivares específicas para plantios em diferentes épocas do ano. “Precoces de verão” são resistentes ao calor, exigem temperaturas entre 20 e 25ºC e têm ciclo em torno de 80 dias.

As de frio moderado incluem as cultivares indicadas para o plantio na transição entre estações, com colheita na meia estação, temperatura entre 15 e 20ºC e ciclo de 100 a 120 dias, e as de frio intenso necessitam de 5,0 a 10ºC para formar a cabeça e são consideradas tardias, com ciclo de 130 dias.

Dicas importantes

É importante destacar que não se recomenda área que tenha sido utilizada para cultivar outra planta da família Brassicaceae, como repolho, couve, nabo, brócolis, agrião, acelga e rabanete, a fim de evitar doenças e ataque de pragas.

Além da irrigação, você também vai precisar fazer a retirada de plantas daninhas em volta dos canteiros durante o cultivo. Para isso, faça a capina com muito cuidado, a fim de evitar ferimentos nas plantas. Isso porque eles podem se tornar entradas para agentes causadores de doenças.

Para o controle de pragas e doenças, o uso de defensivos naturais são ótimas alternativas. Se houver algum ferimento, use um produto à base de cobre para evitar danos. 

Outro cuidado que você vai precisar ter com a couve-flor é a proteção das cabeças, especialmente no plantio de verão, para que não fiquem amareladas pela ação do sol. Portanto, amarre duas folhas das plantas sobre as inflorescências da couve-flor, de modo a cobri-las logo no início de sua formação e, assim, deixá-las até a colheita.

Colheita

A couve-flor deve ser colhida quando a cabeça atingir seu desenvolvimento máximo, por volta de 1,0 a 2,0 kg de peso, e os botões florais estiverem ainda unidos firmemente. Isso acontece cerca de 100 dias após o plantio, variando um pouco, de acordo com a cultivar e com a época de plantio.

A produtividade varia de 15 a 25 toneladas por hectare. Em plantios mais tecnificados, pode ultrapassar 30 toneladas por hectare. Faça um corte no colo das plantas e deixe algumas folhas para protegê-las durante o transporte.

Investimento x retorno

Com um custo de produção girando em torno de R$ 14 mil por hectare, o gasto com mão de obra representa cerca de 50% dos custos de produção. Ao considerarmos o ciclo, que varia de 100 a 130 dias, conforme a cultivar plantada, o retorno do investimento é rápido.

A produtividade média da couve-flor no Brasil gira em torno de 30 t/ha, porém, nas regiões onde se cultivam variedades adaptadas e com alto nível de tecnologia, como no Sul e Sudeste do País, a exploração dessa hortaliça pode superar esse índice.

Portanto, ao avaliarmos uma produtividade média de 30 t/ha e um valor de R$ 3,50/cabeça de 1,5 kg, valor médio encontrado nas Centrais de Abastecimento (CEASAS), é possível obter uma renda bruta de aproximadamente R$ 70.000,00 por hectare cultivado. Isso garante ao produtor um lucro de R$ 30.000,00 por hectare.