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Inovação no cultivo da bananeira evita uso de defensivos

Foto: Embrapa

Lucas Rozendo de Lima Silva
Engenheiro agrônomo – Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA)
Sinara de N. Santana Brito
Engenheira agrônoma e mestra em Agronomia/Horticultura – na Universidade Estadual Paulista (UNESP)
Harleson Sidney Almeida Monteiro
Engenheiro agrônomo e mestrando em Agronomia/Horticultura – UNESP
harleson.sa.monteiro@unesp.br

A bananeira é uma planta cultivada por todo o Brasil, em todos os estados e no Distrito Federal e foi responsável por movimentar cerca de US$ 139 bilhões em 2023, com previsão de aumento substancial para os próximos anos.

As bananas podem ser classificadas em grupos, eles são: Cavendish, que engloba as bananas do tipo Nanica, Nanicão e Grande Naine, o grupo Prata, que compreende as bananas prata, prata-anã e Pioneira, o grupo Maçã, representado pelas variedades Maça, Enxerto, Caipira e Mysore e o grupo Terra, com as variedades Terra e Terrinha.

Fitossanidade

As plantações de banana encontram-se intrinsecamente vulneráveis a ataques de pragas e doenças, o que, por sua vez, intensifica a necessidade de empregar defensivos para garantir a manutenção da comercialização desses frutos no Brasil.

Este cenário complexo e desafiador ressalta a importância crítica de buscar soluções e práticas agrícolas inovadoras, que conciliem a produtividade econômica com a preservação ambiental, assegurando assim a sustentabilidade a longo prazo da bananicultura no país.

Os principais insetos nocivos à bananeira são: o moleque-da-bananeira ou broca-do-rizoma (Cosmopolites sordidus), a tripes-da-erupção-dos-frutos (Frankliniella spp.), a tripes-da-ferrugem-dos-frutos (Tryphacothrips lineatus, Caliothrips bicinctus e Chaethanaphotrips spp.), a traça-da-bananeira (Opogona sacchari), lagartas desfolhadoras (Caligo spp., Opsiphanes spp. e Antichloris spp.) e ácaros de teia (Tetranychus spp.).

Entre esses, os que atacam diretamente a fruta da bananeira são as tripes e a traça.

Os tripes-da-ferrugem-dos-frutos se alimentam da seiva dos frutos e causam graves danos estéticos ao produto, contudo, sem prejudicar a polpa, porém, causando diminuições significativas nas margens de lucro.

O tripes-da-erupção-dos-frutos, quando presente nos cachos da planta, mesmo que minimamente, causa a formação de pequenos pontos ásperos, tornando o fruto menos atraente para o consumidor, mesmo que também não cause danos à polpa.

A larvas da traça-da-bananeira, ao eclodirem, formam galerias na polpa, causando perda de produção por apodrecimento.

É por essa razão que se torna imperativo a realização de extensas pesquisas e dedicados esforços, visando impulsionar a inovação no cultivo consciente da bananeira.

Inovação

A parceria estabelecida entre a Unesp e o setor privado trouxe um mecanismo de polietileno livre de qualquer inseticida, que tem por finalidade proteger os cachos das bananeiras contra o ataque de pragas que frequentemente comprometem a qualidade das frutas.

Em meio a esse cenário desafiador, a Unesp realizou testes com a nova tecnologia e comprovou a eficiência do produto contra o temido tripes-da-erupção-dos-frutos. De modo bem simples, o invólucro é colocado ao redor do cacho inteiro da bananeira com a utilização de “sacadeira”, ou manualmente com o auxílio de uma escada, no início da floração.

O objetivo é impedir a ação dos insetos, pois possui aditivo anti-UV, que reflete o mesmo comprimento de onda da visão das tripes, fazendo-os sair do local de ataque.

Por serem livres de agrotóxicos, os plásticos não necessitam de mão de obra qualificada para instalação, facilitando o manejo dos produtores e, para além da proteção contra tripes, ainda impede possíveis “queimaduras” de sol no fruto.

É importante ressaltar que a utilização da tecnologia desenvolvida pelas empresas privadas e a Unesp em simultaneidade com sistemas de cultivo e estratégias sustentáveis como sistemas agroflorestais, variedades de bananeiras melhoradas e cultivos orgânicos são opções que podem contribuir ainda mais para a redução da utilização de defensivos.

Foto: Embrapa

Agrofloresta

Os sistemas agroflorestais são considerados uma estratégia sustentável de aproveitamento do solo em diferentes camadas espaciais, quando se fala de variadas escalas de tamanho das culturas e camadas temporais, ao se referir à espécies de plantas diversificadas em seus momentos de produção.

Os SAF’s têm o objetivo de simular florestas naturais produtivas por meio da utilização da dinâmica dos fenômenos naturais, como o consórcio de espécies, a sucessão natural e a ciclagem de nutrientes.

Esses sistemas funcionam com a implantação tanto de espécies nativas quanto de espécies exóticas. Variadas em tamanho, essas plantas podem ser de grande, médio e baixo porte, levando em consideração os seus arranjos espaciais, estágios de desenvolvimento e duração de ciclos.

Usualmente, a bananeira é uma ótima espécie para se utilizar em agroflorestas, visto que sua produção começa em um bom tempo, em cerca de um a dois anos dependendo do clima, reduzindo a insegurança alimentar e provendo lucros a curto prazo para os produtores.

Além disso, é uma ótima repositora de potássio e resíduos orgânicos, ao liberar sua palhada ao solo, melhorando características químicas, físicas e biológicas da área em que foi implantada.

Existem, ainda, alguns empecilhos para a implantação desse sistema de produção, entre os quais: a falta de adesão dos produtores ao sistema e o planejamento inadequado dos arranjos, sem levar em consideração as interações interespécies, preparos de área e manutenções. 

Questão de sustentabilidade

Mas, afinal, os sistemas agroflorestais contribuem, de fato, para a redução da utilização de agrotóxicos? Sim, os sistemas agroflorestais contribuem muito para a redução da utilização de defensivos agrícolas, pois ao favorecer a cobertura do solo, esses sistemas impedem a proliferação de plantas daninhas no ambiente.

Ainda, ao simular vegetação nativa e estimular a diversificação vegetal, os SAF’s oferecem alimentações alternativas para os seres que podem vir a se proliferar como pragas e parasitas da bananeira.

Assim, podem reduzir os desequilíbrios relacionados à monocultura, diminuir a incidência de ataques de doenças e pragas à cultura. Todos esses fatores, aliados ainda à proteção com o plástico anti-insetos, pode prover uma qualidade superior aos produtos resultados desse sistema.

Genética

Atualmente, as cultivares de bananeira resistentes a doenças e pragas já existem e são utilizadas em plantios. Como exemplos, pode-se citar as cultivares desenvolvidas pela Embrapa, como a ‘BRS Princesa’, um híbrido de banana “maçã” resistente ao fungo causador da murcha de fusarium, a ‘BRS Conquista’, que é resistente à sigatoka negra e amarela, à murcha de fusarium e é tolerante a nematoides.

A ‘BRS Tropical’ é resistente à murcha de fusarium e a ‘BRS Vitória’, resistente às sigatokas e à fusariose, além de também ser resistente à antracnose pós-colheita, com maior qualidade de fruto e tempo de prateleira.

Pesquisas comprovaram a eficiência da resistência de alguns genótipos, especialmente ao fungo da sigatoka negra. Entre esses genótipos, pode-se citar: ‘Farta Velhaco’, ‘Caipira’ e ‘BRS Garantida’.

Em 2024, o projeto de melhoramento de bananeira da Embrapa entra na sua terceira fase de desenvolvimento e encontra-se em andamento, com previsão de conclusão em 2025.

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