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quinta-feira, agosto 11, 2022
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Lagarta Spodoptera frugiperda – Todo cuidado é pouco

Autor

Germison Tomquelski
Engenheiro agrônomo, doutor e pesquisador da Fundação Chapadão
germison@fundacaochapadao.com.br

Créditos Germison Tomquelski

A Spodoptera frugiperda é uma praga polífaga que ataca diversas culturas, levando a prejuízos de até 100%. Seus principais danos são a desfolha ocasionada pela sua alimentação no estádio de lagartas. É considerada por muitos técnicos e pesquisadores a principal praga no milho.

Atualmente, suas infestações são crescentes na cultura da soja, atacando as diversas regiões produtoras. Na cultura do algodoeiro é uma praga que em determinados anos o produtor tem levado o produtor a realizar em torno de seis aplicações, mesmo com a adoção das plantas transgênicas (Bt).

Não confunda

Como diferenciar a Spodoptera frugiperda das demais lagartas? Esta praga apresenta um Y característico na sua cabeça e quatro pontos equidistantes ao final do seu corpo, quando mais desenvolvidas.

As lagartas nos primeiros instares apresentam coloração esverdeada, com a cabeça de cor preta. Após passarem do 2º instar podem evoluir para coloração marrom. Uma lagarta bem desenvolvida pode medir 5,0 cm de comprimento, sendo que a duração da fase de lagarta pode durar entre 12 e 30 dias.

Linhas longitudinais dorsais branco-amareladas, com pontos pretos no corpo, também são características pontuais. O adulto é uma mariposa que mede 3,5 cm de envergadura, com asas anteriores mais escuras e desenhadas que as posteriores, lembrando que os adultos de machos e fêmeas são diferentes.

A postura é de forma aglomerada (massas), com pelos em cima da massa de ovos. A massa de ovos pode ter várias cores, mas na maioria as posturas são acinzentadas.

Culturas prejudicadas

A Spodoptera frugiperda é uma das principais pragas na cultura do milho, soja, algodoeiro, feijão, cana-de-açúcar, pastagens, entre outras, com menor área cultivada em relação às citadas.

Os prejuízos podem chegar a 100%, em determinadas culturas. Seu ataque na fase inicial pode levar à ressemeadura. Em culturas como as pastagens, é frequente a ocorrência desta praga levando a este prejuízo. O mesmo tem ocorrido com as culturas de soja, milho e algodão nos últimos anos.

O prejuízo mais comum é a desfolha nas culturas, que no milho pode levar a prejuízos na ordem de 60% (Experimentos da Fundação Chapadão). Em algumas, culturas como o algodoeiro e a soja, esta praga se adaptou atacando as estruturas reprodutivas (maçãs e vagens – grãos).

Na cultura do milho, seu ataque ao final do desenvolvimento das plantas de milho por ocasião do enchimento dos grãos, nas espigas, pode ainda comprometer a qualidade do produto colhido, em função da abertura para doenças que porventura podem vir a se instalar, levando a um maior número de grãos ardidos.

Sintomas

A desfolha pode ocorrer desde a fase inicial das culturas. No início são pequenas raspagens, e com a expansão do tecido foliar levam a grandes aberturas. A desfolha das culturas leva à menor fotossíntese que, posteriormente, leva ao menor enchimento de grãos e menor produtividade.

No milho, uma de suas características é que nesta fase ela raspa apenas um lado da folha, deixando o outro sem dano. Na medida do tempo sem controle, podem destruir o cartucho das plantas.

Em algodoeiro, podem atacar os ponteiros, estruturas reprodutivas, mesmo se alojando nos botões florais, dificultando seu manejo. Em soja, esta última safra a foi de maior ocorrência de S. frugiperda haja vista as maiores populações, que levam à desfolha nas folhas novas, e estas, ao se expandirem passam por grandes desfolhas.

Nesta cultura, como relatado anteriormente, ela pode ainda atacar as vagens, levando à queda, quando do ataque no pedúnculo, ou mesmo aos grãos, quando da sua formação.

Regiões afetadas

De modo geral, no Brasil é frequente a ocorrência dessa praga nas diversas regiões, no entanto, no Centro-Oeste, Norte e Nordeste tem se verificado altos surtos em função do sistema de produção, com diversos hospedeiros alternativos.

A duração do seu ciclo populacional tende a diminuir com o aumento da temperatura, levando a mais gerações da praga no ano (regiões mais quentes – MS, MT, GO, BA, MA, PI, PA, MG e DF) e, consequentemente, maiores prejuízos.

Favorecimento da ocorrência

Gramíneas, de modo geral, tendem a ser bons hospedeiros da praga, no entanto, a adaptação tem algumas culturas dicotiledôneas também como hospedeiras. É interessante relatar que o milho “tiguera”, plantas remanescentes da cultura anterior, tem feito com que a praga aumente sua população.

Um dos fatos é a entrada da tecnologia RR (resistência a glifosato), em que o produtor muitas vezes não consegue suprimir bem estas plantas. Outros fatores, como temperaturas médias maiores, favorecem a diminuição do ciclo da praga e, consequentemente, o maior número de indivíduos.

A praga coloniza também diversas plantas daninhas, em virtude da adaptação a diversos hospedeiros, e, desta forma, o manejo nas áreas tende a influir na dinâmica populacional.

Controle preventivo x curativo

Esta praga apresenta diversas estratégias para o seu manejo. A primeira é a utilização de inseticidas junto a atrativos para o controle de mariposas, diminuindo a pressão da praga. Após a instalação da praga nas lavouras, as lagartas são controladas com diversos inseticidas químicos e também biológicos.

No manejo químico, o produtor deve se atentar à questão de resistência e à utilização de inseticidas com melhor controle da praga, buscando alternar os mecanismos de ação. Neste quesito, o produtor deve acompanhar o posicionamento dos técnicos das empresas (palestras-cursos-dias de campo) de como estão reagindo regionalmente os diversos produtos.

O produtor e técnico podem, ainda, acompanhar no site do IRAC-BR (https://www.irac-br.org/) para verificar como rotacionar os mecanismos (grupos químicos), além de outras informações importantes no manejo.

 No controle biológico, as últimas ferramentas desenvolvidas foram os vírus específicos a esta praga, que têm apresentado resultados interessantes no manejo. Ainda, tem-se os inseticidas à base de Bt (Bacillus thuringiensis), que podem ser pulverizados as plantas, e até o momento não apresentaram problemas no aspecto de resistência.

Nos inseticidas à base de Bt existem algumas diferenças que podem aumentar a eficiência sobre o controle desta, em virtude de alguns produtos serem mais específicos.

Tecnologia

Falando em Bt, a estratégia que mais contribuiu para o aumento de produtividade no Brasil foi a biotecnologia. Plantas transgênicas apresentam a expressão da proteína Bt, que, como os inseticidas citados anteriormente, promovem controle desta praga formando esporos-cristais no interior do inseto, que levam à morte das lagartas.

Esta tecnologia tem evoluído nos últimos anos, haja vista que a praga tem se adaptado às ferramentas, levando ao processo de resistência e exigindo novas proteínas com novos sítios de ação.

Entre as novidades estão os novos químicos e feromônios, estes últimos tecnologias no monitoramento que podem ajudar na detecção dos primeiros indivíduos, além da ideia do comportamento da praga.

Na área da biotecnologia, os últimos lançamentos em milho são as tecnologias que apresentam a tecnologia Vip3A – uma proteína vegetativa que tem atuado muito bem no controle das lagartas de S. frugiperda.

Já em soja, teremos nos próximos anos a tecnologia que apresenta mais de uma proteína no controle desta praga, além da 2ª geração que terá maior controle de S. frugiperda. Em algodoeiro temos as que ainda têm uma boa supressão, vindo já nesta safra como pré-lancamento a tecnologia Vip3A, que irá aumentar o controle desta praga. Porém, o produtor deverá se atentar à questão do refúgio estruturado, monitoramento e entender a biologia da praga para não perder a ferramenta.

Novos inseticidas (moléculas) têm sido avaliados para o controle da mesma, além de ferramentas conhecidas, vindo a ser utilizadas em misturas prontas. Este estudo tem uma grande importância, em virtude da morosidade no processo de registro no Brasil, sendo que um inseticida leva em torno de sete anos para ficar pronto para o mercado. Desta forma, traçar estratégias para o futuro é fundamental para a continuidade do manejo integrado desta praga.

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