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Microbiologia do solo: como usá-la a favor dos citros

A microbiologia do solo é uma aliada poderosa no cultivo de citros, proporcionando nutrientes e proteção às plantas.

Risely Ferraz Almeida
Doutora e professora – MBA Agronegócio USP/ESALQ
risely.ferraz@gmail.com

A microbiologia do solo impacta diretamente no desenvolvimento das plantas e na produtividade. O solo é um habitat de grande diversidade de microrganismos que atuam na ciclagem de nutrientes, fluxo de energia, decomposição da matéria orgânica e fixação biológica de nitrogênio.
Quando equilibrada, a microbiota se torna uma forte aliada na defesa das plantas de citros contra doenças e outras fontes de estresse, resultando em altos índices de produtividade e lucratividade.

Foto: Shutterstock

Atividade no solo

Para o cultivo dos citros e demais plantas cultiváveis, o aumento da atividade dos microrganismos do solo influencia diretamente na ciclagem de nutrientes, em especial de nitrogênio e fósforo, com a decomposição da matéria orgânica do solo.
Os citros compreendem um grande grupo de plantas do gênero Citrus spp. (como laranja, tangerina, mexericas, limões, toranjas e outras) e outros gêneros correlatos (Fortunella e Poncirus).
O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de suco de laranja, sendo o cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro as principais regiões produtoras de laranja, com uma produtividade média dos pomares variando entre 40 a 50 toneladas hectare.

Pequenos grandes notáveis

Os microrganismos são caracterizados como um conjunto de organismos em tamanho não-visível aos olhos. No solo, esses microrganismos podem ser encontrados como vírus, bactérias, fungos e algas que atuam nas variadas condições e atividades biológicas do solo.
Dentre esses microrganismos, os fungos têm maior predominância no solo, com cerca de 1.000.0000 de fungos em 1,0 grama de solo. Esses microrganismos, assim como os macrorganismos, atuam nos nichos ecológicos e nas funções do solo.

Nitrogênio

O nitrogênio é o nutriente mais exportado pelos citros, com a extração de 1,9 a 2,4 kg de nitrogênio exportado para cada tonelada de fruto colhido. No solo, ele é encontrado na forma orgânica e inorgânica.
As formas orgânicas do nitrogênio no solo são componentes da matéria orgânica do solo (na fração proteica da matéria orgânica), que pode rapidamente ser mineralizado. Na forma inorgânica, o nitrogênio pode ser encontrado na forma de amônio (NH4+), nitrito (NO2-), e nitrato (NO3-), principalmente.
Os principais microrganismos associados ao ciclo do nitrogênio no solo são:
(I) Bactérias diazotróficas (actinobacteria, clostridia, cianobacteria e proteobacteria), responsáveis pela fixação do nitrogênio.
Reação de fixação do nitrogênio: N2 → NH3
(II) Bactérias oxidantes de amônia AOA (AOA) e arquéias oxidantes de amônia (AOA), responsáveis pela nitrificação.
Reação de nitrificação: NH4+ → NO2-
(III) Bactérias, arqueias e alguns eucariotos, responsáveis pela desnitrificação.
Reação de desnitrificação: NO3- → NO2- → NO → N2O → N2

Fósforo

A exportação de fósforo pelos citros é baixa, comparada com a exportação do nitrogênio, com uma extração de 0,15 a 0,21 kg de fósforo exportado para cada tonelada de fruto colhido. No solo, o P é pouco móvel devido à alta tendência à adsorção em óxidos de Fe e Al, tornando o P deficiente na maior parte dos solos brasileiros.
As formas de fósforo encontradas no solo são na fração orgânica (Po) e inorgânica (Pi), representada principalmente pelo fosfato (H2PO4-), predominante assimilável pelas plantas.
Alguns microrganismos do solo podem solubilizar o fósforo que se encontra adsorvido aos óxidos, denominados solubilizadores de fósforo no solo. Entre as bactérias, os gêneros Bacillus, Micrococcus, Pseudomonas, Burkholderia, Rhizobium, Agrobacterium, Azotobacter e Erwinia produzem ácidos orgânicos que liberam o fósforo para a solução do solo.
Os gêneros Aspergillus e Penicillium são os representantes de fungos mais conhecidos na produção de ácidos orgânicos e são eficientes solubilizadores de fósforo.
Tais microrganismos têm a capacidade de liberar as fosfatases, que são enzimas extracelulares que catalisam monoésteres, classificadas como fosfatases ácidas (pH ótimo em torno de 6,5) ou fosfatases alcalinas (pH ótimo em torno de 11).

FBN

Algumas bactérias fixadoras de N, como os rizóbios do feijão, apresentam grande capacidade de produzir fosfatases, quando em condições de deficiência de P, a fim de manter altas concentrações de P nos nódulos em virtude da alta necessidade desse nutriente para a fixação biológica de nitrogênio.
Sistemas de cultivos que promovam o acúmulo de resíduo vegetal em pomares de citros, via consórcio com outras espécies (como Urochloa decumbens e Urochloa ruziziensis) na semeadura no início do plantio dos citros contribuem para aumentar a biomassa, com impactos positivos na produtividade e nos indicadores microbiológicos do solo.
O aumento da atividade biológica do solo promove a maior ciclagem e disponibilidade de nutrientes no solo para as plantas e, por consequência, uma maior resistência às doenças e pragas.

Equilíbrio nutricional

A trofobiose se baseia no equilíbrio nutricional das plantas para maior resistência das plantas ao ataque de pragas dos citros, representando um grande avanço ecológico para solucionar esses problemas em um agroecossistema mais sustentável, econômica e biologicamente.
Uma forma de manejar as áreas de citros para aumentar a atividade biológica do solo é pelos bioinsumos, assim como manejos de rotação com culturas que promovam a atividade biológica.
A aplicação de fertilizantes minerais também contribui para o aumento da atividade biológica do solo devido à maior disponibilidade de nutrientes no solo. Os biofertilizantes e os compostos orgânicos também são alternativas para aumentar a atividade microbiana no solo, impactando diretamente na produção dos citros.
A aplicação de resíduos orgânicos no plantio fornece nutrientes para a planta e promove a capacidade de retenção de água pelo solo, com a melhoria do desenvolvimento do sistema radicular.
Os biofertilizantes são compostos bioativos, resíduo final da fermentação de compostos orgânicos, que contêm células vivas ou latentes de microrganismos (bactérias, leveduras, algas e fungos filamentosos) e por seus metabólitos, além de quelatos organominerais.
Também podem ser definidos como compostos biodinâmicos e biologicamente ativos, produzidos em biodigestores por meio de fermentação aeróbica e/ou anaeróbica da matéria orgânica. Esses compostos são ricos em enzimas, antibióticos, vitaminas, toxinas, fenóis, ésteres e ácidos, inclusive de ação fitohormonal.

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