30.2 C
Uberlândia
domingo, fevereiro 25, 2024
- Publicidade -
InícioDestaquesNovas variedades de soja

Novas variedades de soja

Emerson TrogelloEngenheiro agrônomo e professor – IF Goiano Campus Morrinhosemerson.trogello@ifgoiano.edu.br

Ricardo Souza LimaEngenheiro agrônomo e coordenador de sementes – Complem Agrícola – Morrinhosricardo.lima@complem.com.br 

Francisco José LevinskiEngenheiro agrônomo e representante comercial – Sementes Oilema francisco@sementesoilema.com.br

Soja – Créditos: shurtterstock

A cultura da soja continua a avançar em importância dentro do setor agropecuário. Segundo o último relatório da Conab, de abril de 2021, estimou-se uma área semeada de aproximadamente 38 milhões de hectares, com uma produtividade média de 3.523 kg ha-1, culminando em uma produção de 135 milhões de toneladas de grãos. A produtividade vem aumentando gradativamente, ano após ano, o que nos torna competitivos em relação a outros mercados.

A produtividade da cultura da soja depende de inúmeros fatores, mas podemos resumi-los como sendo a interação da genética com o ambiente. Desta forma, é imprescindível escolher uma variedade de soja adequada para seu ambiente, fazer com que esta variedade chegue com potencial de germinação e vigor de sementes, e garantir o melhor ambiente produtivo para que a mesma expresse seu potencial. Vários destes fatores ambientais, infelizmente, não conseguimos controlar.

A genética

As sementes sempre foram o insumo primordial para se ter uma colheita de sucesso, o pontapé inicial de uma jornada desafiadora que em média, atualmente, se resume entre 100 a 120 dias (Cultura da Soja).

O melhoramento genético vem trabalhando incansavelmente para buscar materiais que atendam as demandas do campo. Uma das principais conquistas deste processo de melhoramento foi a seleção de materiais com período juvenil longo, o que contribuiu para que a cultura da soja se expandisse para o centro-oeste brasileiro, e agora para as novas fronteiras agrícolas.

[rml_read_more]

Atualmente, com o advento das novas tecnologias, as sementes trazem em seu DNA, além da função básica de perpetuar a espécie, uma série de melhorias genéticas, como: controle dos principais insetos pragas para a cultura, resistência às principais doenças, seletividade a herbicidas que controlam plantas invasoras e tolerância ao déficit hídrico.

Tais melhorias genéticas possibilitaram uma ampla adaptabilidade da cultura e, consequentemente, o atingimento de tetos produtivos nunca antes imaginados, colocando o Brasil como o maior celeiro mundial da cultura da soja.

Como se não bastasse, o incremento de soluções ao DNA das plantas, a pesquisa de forma incansável se atentou para o desenvolvimento de novos indivíduos (cultivares), por meio de cruzamentos diversos em busca de características como o ciclo de vida do material, configurações morfológicas desejáveis (arquitetura de plantas, tamanho e formato de folhas), tudo com a finalidade de otimizar o cenário produtivo, possibilitando a implementação de uma segunda cultura dentro do período chuvoso e a extração máxima do potencial fisiológico.

As novas tecnologias

Atualmente autorizado pelo mercado regulador para produção e comercialização, possuímos três tecnologias de soja que são denominadas como:

þ Convencional: cultivares mais antigas que não possuem em seu DNA adoção de transgenia.

þ RR: a soja RR possui um evento transgênico que confere tolerância ao herbicida glifosato, tecnologia desenvolvida pela Monsanto. O glifosato é um herbicida pós-emergente, não seletivo, de amplo espectro de controle de plantas daninhas, com ação sistêmica.

þ  Intacta RR2 PRO®: um dos principais e exclusivos benefícios da tecnologia é a proteção contra as principais pragas da cultura da soja. A resistência a lagartas é conferida por uma proteína Bt (Cry1Ac), que possui alta eficácia contra a lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis), a lagarta-falsa-medideira (Chrysodeixis includens), a broca-das-axilas (Crocidosema aporema) e a lagarta-das-maçãs (Chloridea virescens). Confere também tolerância ao herbicida glifosato.

Para as próximas safras, novas tecnologias prometem chegar ao mercado, ampliando leques de resistência e sendo mais uma ferramenta de manejo para o produtor, apenas aguardando liberação do mercado regulador.

Assim, a Intacta 2 Xtend é a terceira geração de biotecnologia de soja – a segunda com tecnologia Intacta – que a Bayer traz ao mercado brasileiro. Além das pragas-alvo da tecnologia Intacta 2 Xtend (falsa-medideira, lagarta-da-soja, lagarta das maçãs e broca-das-axilas), o lançamento oferece proteção adicional contra Helicoverpa armigera e Spodoptera cosmioides.

A Bayer informa que o amplo controle de plantas daninhas na cultura da soja é um dos pilares da nova Plataforma Intacta 2 Xtend. Este benefício complementa a tolerância ao glifosato com a tolerância ao dicamba. O herbicida auxilia no controle de plantas daninhas de folha larga e pode ser aplicado antes da semeadura ou até no plantio da soja.

Implementando a tecnologia

Tão importante quanto a tecnologia embarcada nas cultivares de soja, o conhecimento técnico dos materiais e seu posicionamento assertivo são fatores extremamente relevantes na busca por melhores produções.

A grande gama de cultivares disponíveis no mercado possibilita um posicionamento in loco, exigindo a interpolação de diversas variáveis como nível tecnológico de manejo empregado no solo, capacidade tecnológica para aplicações de produtos fitossanitários, histórico de chuvas da região, histórico de doenças e pragas.

O técnico responsável pelos posicionamentos de plantio tem uma grande responsabilidade para que se obtenha sucesso na lavoura. Uma atualização constante e observação ininterrupta a campo são imprescindíveis.

As novas tecnologias serão posicionadas como mais uma ferramenta no controle de insetos-pragas e plantas daninhas, entretanto, é importante que o manejo desta tecnologia seja integrado a outros métodos de controle, visando ampliar a duração desta tecnologia e não selecionar populações resistentes de bióticos.

Recomendações

Para o sucesso na implementação das novas tecnologias, precisamos seguir um passo a passo:

Œ O primeiro passo é conhecer as cultivares disponíveis para serem alocadas;

 O segundo passo é entender a necessidade do agricultor no que se refere ao ciclo de vida do material ou grupo de maturação;

Ž O terceiro passo é entender a capacidade tecnológica do agricultor e saber que nem todo agricultor está apto a plantar todos os materiais disponíveis. Existem níveis de exigência específicos para a extração do maior potencial de cada cultivar;

 O quarto passo é conhecer as características edafoclimáticas da região e coincidir com o nível de exigência dos materiais. Buscar históricos de precipitação, luminosidade e temperatura na região de semeadura é fundamental para a escolha e posicionamento da genética;

 O quinto passo, e talvez mais importante, é que a escolha da genética deve levar em conta a área do produtor, sua fertilidade natural e sua capacidade de investimento, bem como a incidência de doenças e época de plantio, e a presença de nematoides deve ser levada em conta pela recomendação de variedades adequadas a determinado produtor.

‘ O sexto passo é: de posse do mapa de fertilidade das áreas, posicionar as populações adequadas de plantio. Um plantio com estande abaixo do que é necessário acarreta risco produtivo se não interpolado com a característica morfológica de engalhamento da planta, densidade de grão e rusticidade do material. Já um plantio com estande acima do necessário expõe as plantas a uma competição por luz, vegetação excessiva, maior pressão de doenças e maior tendência a acamamento. Existem pré recomendações populacionais, entretanto, para extração do máximo potencial são necessários ajustes de acordo com cada situação.

Equívocos

Neste processo de implementação, um dos principais erros é generalizar as recomendações, sem considerar as características do produtor, da área e da região. Determinado material está indo muito bem no vizinho, o que não quer dizer que de regra irá bem em sua área. É necessário observar capacidade tecnológica e o nível de exigência das cultivares.

Este erro pode ser minimizado com a contratação de profissionais capacitados para o posicionamento dos materiais. É importante, ainda, qdquirir sementes de origem inquestionável e parcerias com sementeiras idôneas que entregam sementes com qualidade.

Custo da tecnologia

Enfim, muitos agricultores reclamam que os custos com insumos estão cada vez maiores, e que as margens de lucratividade diminuíram. Estes custos variam de acordo com o preço do grão, que é o principal componente formador de preço.

A precificação é feita tendo como base o germoplasma e os royalties. Germoplasma é a semente propriamente dita e o royalty é a taxa paga pelo uso da tecnologia inserida nas sementes a seus desenvolvedores. Aumentando o custo do grão, como vimos nesta safra 2020, teremos em si um incremento no custo de semente, o que também observamos.

Nesta safra, o custo ha-1 estará girando entre R$ 500 e R$ 800, variando de acordo com o consumo de cada de material. O agricultor deve analisar, no entanto, não somente o valor numérico, mas a relação de “troca” entre o grão colhido e a semente comprada.

Como referência, a alta no custo médio por hectare de uma cultivar iPRO da safra 2020/21 para a safra 2021/22 é de aproximadamente 40 a 50%. Entretanto, a relação de troca deverá ser 10 a 15% menor.

É extremamente importante assim, analisar o perfil do produtor e as características da área, para que a recomendação seja o mais assertiva possível e que se consiga extrair o maior potencial produtivo do material genético para aquele ambiente proporcionado.

ARTIGOS RELACIONADOS

Desafio de máxima produtividade

Nos últimos dez anos, a produtividade média do Brasil apresentou um ...

Baldan disponibiliza lançamentos durante a Agrishow

Empresa, que completou 95 anos em 2023, revitaliza design dos produtos, inicia construção de nova planta industrial e investe em geração de valor para o produtor rural

Adubação potássica: Essencial para milho e soja

O potássio (K) é um nutriente essencial para as culturas, sendo o segundo elemento mais absorvido pelas plantas por estar associado a estresses bióticos e abióticos, à qualidade de sementes e grãos, resistência a doenças fúngicas e outras funções, o que o torna determinante para a produtividade.

Crotalária reduz incidência de nematoides na soja

  Amanda Negreiros de Miranda amandamiranda_91@hotmail.com Heitor Antônio de Araújo Oliveira heitorbjp@hotmail.com Pedro José Nascimento Cintra pedro_nascimento.c@hotmail.com Graduandos em Agronomia pela Universidade Federal de Lavras " UFLA e...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!