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quarta-feira, fevereiro 21, 2024
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Nutrição cafeeira

Marina Scalioni Vilela marinasv3p@gmail.com

Alisson André Vicente Camposalissonavcampos@yahoo.com.br

Engenheiros agrônomos e doutorandos em Agronomia/Fitotecnia – Universidade Federal de Lavras (UFLA)

Ademilson de Oliveira AlecrimEngenheiro agrônomo e pesquisador da UFLA e Embrapa Caféademilsonagronomia@gmail.com

Adubação – Fotos: Alisson Campos

Formulações de suspensão concentrada (SC) são formadas por um ingrediente ativo disperso em água. As soluções concentradas têm se tornado mais populares devido aos benefícios, como a ausência de pó, facilidade de uso e maior eficácia quando são comparadas com outros tipos de formulações, como concentrado emulsionável (EC) e formulações de pó molhável (WP). Para formular uma SC estável, o ingrediente ativo deve permanecer insolúvel em diversas condições de temperatura.

A adubação foliar com fertilizantes em suspensão concentrada pode aumentar os teores de nutrientes nas folhas e disponibilizar os mesmos de maneira gradual, corrigindo deficiências não reparadas pela aplicação via solo e minimizando as perdas. Com isso, promove o equilíbrio nutricional das plantas, consequentemente maior crescimento e produtividade.

A nutrição adequada das plantas também está ligada à maior resistência a doenças, como a cercosporiose do cafeeiro, a qual é favorecida por desordens nutricionais. Além disso, os fertilizantes em suspensão concentrada são menos passíveis da ocorrência de incompatibilidade nas misturas em tanque, sendo assim, interessantes alternativas para otimizar as operações de pulverização, reduzindo custos e o número de entradas necessárias na área, o que irá proporcionar melhor eficiência de aplicação e absorção dos produtos associados.

Resultados da pesquisa

A pesquisa avaliou a aplicação foliar das fontes fertilizantes de óxido de zinco, borato de zinco e borato de cálcio, ambas em suspensão concentrada, em plantas jovens de cafeeiro da cultivar Catuaí Amarelo, em condição de casa de vegetação.

O estudo comprovou que houve um aumento significativo nos níveis dos nutrientes nas folhas e ramos que receberam a pulverização e, consequentemente, aumento no crescimento proporcional às doses ótimas aplicadas.

Além disso, também se verificou a existência de maior atividade de enzimas ligadas ao sistema antioxidativo, bem como maior incremento na biomassa total das plantas.  Demonstram de forma precisa que os nutrientes foram absorvidos e exerceram seu papel metabólico na planta.

Manejo de aplicação

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Para implantar a técnica é necessário fazer a adoção de uma boa tecnologia de aplicação, sendo esse um dos principais fatores, pois se não for feita uma aplicação adequada o produtor pode perder dinheiro em função do desperdício dos fertilizantes, além de não suprir a demanda das plantas.

Nesse sentido, deve-se atentar principalmente ao tamanho das gotas, uma vez que a água, por ser um líquido volátil, pode evaporar no trajeto entre o pulverizador e o alvo visado. Em dias de alta temperatura, o fenômeno da evaporação das gotas de pulverização é bastante problemático, agravando-se principalmente nos dias secos.

As aplicações com gotas médias a pequenas, muitas vezes não chegam a atingir o alvo, evaporando antes. Assim, o tamanho da gota é um dos mais importantes fatores para a eficácia da aplicação. O tamanho da gota aplicada é diretamente relacionado à penetração do produto, à uniformidade de distribuição e à efetividade de deposição, sendo que o bico é a peça final do pulverizador e tem por função formar gotas. O bico recomendado é o tipo cone, para esse tipo de aplicação.

Benefícios para o café

O boro e o zinco são nutrientes importantes para a cultura do cafeeiro. O boro atua na formação da parede celular e na divisão e alongamento das células. Sua deficiência causa morte da gema terminal e formação de folhas e frutos deformados.

O zinco possui papel importante na síntese de carboidratos e auxina, hormônio responsável pelo alongamento das células, e sua deficiência é uma das mais limitantes para o cafeeiro, pois prejudica o desenvolvimento dos ramos e o vingamento da florada, ocasionando a formação de frutos pequenos.

Portanto, ressalta-se a importância desses nutrientes na produção do cafeeiro, pois o fornecimento dos mesmos, por meio da adubação foliar com fertilizantes que otimizem os processos de absorção pelas plantas, irá proporcionar ganhos de produtividade ao cafeeiro.

A eficiência da adubação foliar de forma complementar ao fornecimento de nutrientes via solo promove incrementos no crescimento, desenvolvimento e produtividade do cafeeiro. De forma geral, os fertilizantes foliares mais utilizados fornecem micronutrientes, que em muitos casos são requeridos em menor quantidade pelas plantas.

Em campo, nota-se maior vigor das plantas, maior tolerância a pragas e doenças, bem como maior tolerância às adversidades climáticas, e isso tudo resulta em lavouras mais produtivas.

Obstáculos

Os erros mais frequentes na adubação foliar são a época errada de aplicação, o que irá prejudicar a eficiência de absorção dos nutrientes pelas plantas; não observar a previsão do tempo, pois chuvas após a aplicação podem lavar das folhas o produto aplicado, sendo essa lavagem dependente do tempo de absorção de cada nutriente.

Também, a ideia de que a adubação foliar substitui o fornecimento de nutrientes via solo pode prejudicar o desenvolvimento da cultura, principalmente em relação aos macronutrientes, os quais devem ser fornecidos via solo e aplicados nas folhas de maneira complementar.

Outro problema, apesar do uso dos nutrientes em suspensão concentrada ser menos propenso a isso, é a incompatibilidade em ocasião da mistura em tanque com outros produtos fitossanitários.

Acertando o alvo

O correto posicionamento dos fertilizantes foliares é fundamental para o seu desempenho, observando-se o estádio fenológico do cafeeiro, tecnologia de aplicação e condições climáticas.

A eficácia de fertilizantes foliares, principalmente aqueles com altas tecnologias, como as suspensões concentradas, auxilia na melhor absorção do produto por meio de fontes mais estáveis, com fertilizantes moderadamente solúveis e menores tamanhos das partículas, facilitam a liberação e posterior absorção, fornecendo nutrientes por maior período, sem causar injúrias às folhas. São recomendadas em torno de quatro a cinco aplicações por ano.

Na calculadora

As receitas de fertilizantes foliares corresponderam a aproximadamente R$ 5,29 bilhões, com participação de 8,2% da cafeicultura no mercado de fertilizantes, segundo dados da Abisolo. Levantamentos de custos médios de aplicação de fertilizantes foliares na região do Cerrado Mineiro indicam percentual de 4,75% sobre o custo de produção, muito inferior em relação às adubações via solo, que respondem a 32% do custo.

Embora gere um custo extra, as aplicações de fertilizantes foliares podem garantir incrementos de produção de 2,0 a 4,0 sacas por hectare.

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