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Potencial do mercado de óleos essenciais

Os óleos essenciais têm o potencial de transformar a aromaterapia em uma indústria de bilhões de dólares

Ageu da Silva Monteiro Freire
ageufreire@hotmail.com

Kyvia Pontes Teixeira das Chagas
kyviapontes@gmail.com
Doutorandos em Engenharia Florestal – Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Janaina Monteiro de Souza Cabral
Mestra em Química – Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
jana.seg@hotmail.com

Os óleos essenciais são utilizados desde a antiguidade, provenientes de plantas aromáticas com propriedades terapêuticas. São compostos voláteis que possuem baixo peso molecular, ou seja, quando expostos ao ambiente podem passar rapidamente do estado líquido ou sólido para o estado gasoso, se espalhando pelo local.

Possuem ocorrência natural, sendo encontrados em várias plantas e em diversas partes delas, como nas sementes, cascas, caules, raízes e flores. Comumente, as plantas conhecidas pelos óleos essenciais são denominadas aromáticas medicinais, mas o aroma específico e a intensidade variam de acordo com presença e a concentração de centenas de substâncias voláteis.

Produção de óleos essenciais e seus múltiplos usos

A concentração do óleo essencial varia dentro de indivíduos de uma mesma espécie e também em composição, quando dentro de gêneros e de famílias botânicas. Essa variação ocorre independente dos óleos essenciais coletados serem puros.

Isso porque sua composição pode variar de acordo com a hora de coleta, a estação do ano, a localização geográfica, o método e a duração da extração e o clima, tornando cada passo do processo de produção um determinante no produto.

Por meio do processo de extração é possível catalogar os óleos essenciais, como por exemplo: destilação a vapor e prensagem a frio. Além disso, também podem ser organizados de acordo com suas características aromáticas e sensoriais, que incluem categorias como: cítricos, florais, etc.

Ação dos óleos

Na natureza, a principal função dos óleos essenciais está relacionada com os polinizadores, onde a planta, por meio das glândulas, secreta os aromas que atraem os insetos polinizadores das flores.

Além dessa função, a humanidade vem fazendo uso dos óleos de diversas formas, como na fabricação de perfumes e aromatizantes, produtos medicinais e na indústria alimentícia.

Atualmente, os óleos essenciais estão sendo muito utilizados em práticas de aromaterapia, por meio da inalação desses compostos, ajudando a lidar com problemas como insônia, por exemplo.

Na indústria farmacêutica, os óleos possuem utilização voltada para o tratamento de doenças, sendo testado quanto à atividade antibacteriana, antifúngica, anti-inflamatória, ansiolítica, antidepressiva e antiviral.

Extrativismo

Com todas essas possibilidades de utilização, as espécies que possuem óleos em elevada quantidade estão sofrendo cada vez mais com o extrativismo. Principalmente as que apresentam mais concentração em suas estruturas vegetativas (ex: caule e casca), pois no processo de coleta, grande parte dos indivíduos são intensamente danificados, gerando um risco do ponto de vista de sobrevivência.

Além disso, muitas espécies conhecidas possuem porte arbustivo/herbáceo, cuja coleta ocorre de maneira mais prática, com o corte raso das plantas, muitas vezes resultando na morte.

Ainda, devido a práticas extrativistas, diversas espécies arbóreas se encontram ameaçadas de extinção, e esse número aumenta quando se fala sobre arbustivas e herbáceas, que normalmente são menos conhecidas, estudadas e, muitas vezes, sofrem mais intensamente com os efeitos antrópicos.

Nesse sentido, essas práticas reforçam a importância de estratégias conservacionistas mais eficientes, que auxiliem na redução do extrativismo e incentivem o plantio com foco em comércio e colheita.

Essas práticas comerciais, além de promoverem uma maior proteção dos recursos ambientais, podem auxiliar na otimização dos processos produtivos.

Óleos essenciais em destaque

Entre os principais óleos essenciais utilizados pela população, está o limão siciliano/Citrus limon, extraído por prensagem da casca do limão, com procura para problemas digestivo, respiratório e imunológico.

Seu uso leva ao bem-estar, quando inalado, podendo ser usado em difusor, que é um equipamento responsável por difundir as partículas do óleo. A maior parte é composta pelo Limoneno, que muitas vezes varia em decorrência da região em que houve a colheita, sendo importante analisar por meio de cromatografia e espectrometria de massas.

Outro óleo muito utilizado é o da copaíba (Copaifera ssp.), com procura para auxílio nos sistemas cardiovascular, imunológico, digestivo e respiratório. É antioxidante, ajudando a relaxar e acalmar o sistema nervoso, sendo seu principal constituinte o β-cariofileno.

Já o óleo de hortelã-pimenta (Mentha piperita) tem procura para problemas respiratórios, como também ação de repelir insetos, possuindo como principais constituintes o mentol e eucaliptol.

O óleo de lavanda (Lavandula angustofolia) pode reduzir os sentimentos de ansiedade, aliviando a tensão, promovendo melhorias no sono e diminuindo irritações na pele. Seus principais constituintes são acetato de linalila e linalol, sendo importantes para o sistema nervoso e pele.

Por outro lado, o óleo de mirra (Commiphora myrrha) possui propriedades de limpeza da boca e garganta, além de promover equilíbrio emocional e bem-estar. Seus principais constituintes são o curzereno, furanoeudesma e 1,3-dieno, agindo no sistema digestivo e pele.

O óleo de orégano (Origanum vulgare) atua como agente de limpeza e purificação, e também no sistema imunológico, respiratório e digestivo, sendo antioxidante, quando digerido. É muito utilizado para desparasitação, principalmente por causa de seus constituintes, como o carvacrol.

Outro óleo essencial muito utilizado pelas pessoas é o do breu branco (Protium ssp.), plantas nativas e amplamente distribuída pelo país, com propriedades benéficas para o sistema nervoso, respiratório, cardiocascular e imunológico.

Seus principais constituintes são α-felandreno, α-Pineno, p-cimeno e E-cariofileno. Além disso, já se tem ampla aplicação de seus compostos na indústria química e farmacêutica.

Produção de óleos essenciais no Brasil

O Brasil, por apresentar elevada biodiversidade, tem grande potencial de aumentar o mercado de óleos essenciais, existindo no país grande diversidade de plantas aromáticas, algumas que até mesmo não foram estudadas e comercializadas.

O pico da quantidade de óleos essenciais importados foi em 2001, diferindo nos anos seguintes, em que a quantidade de exportação subiu. Isso demonstra que o mercado de óleos essenciais cresceu no Brasil, e os produtos passaram a serem comercializados em outros países, sendo interessante para aquecer a economia nacional.

Já o valor de exportação também aumentou, devido à quantidade de produtos exportados, sendo os valores de importação também elevados, mesmo com a diminuição da quantidade.

Figura 1. Panorama da quantidade e valor de importação e exportação de óleos essenciais no Brasil de 1997 a 2020. (Fonte: SNIF).

Pesquisas

Os autores Bizzoa e Rezende, em um trabalho intitulado “O mercado de óleos essenciais no Brasil e no Mundo na última década”, fizeram um levantamento dos dados econômicos dos óleos essenciais no país e no mundo.

Eles explicam que tal mercado representou mais de US$ 10 bilhões em 2021, com tendência de crescimento, sendo os EUA, China, Índia, França e Brasil, os países com maior crescimento.

Os autores mostram, no trabalho, que os principais óleos essenciais no mercado internacional são o de laranja (Citrus sinensis (L.) Osbeck e outras); menta japonesa (Mentha arvensis L.); eucalipto (Eucalyptus globulus Labill.); limão siciliano (Citrus limon (L.) Osbeck); hortelã-pimenta (Mentha x piperita L.); cravo, folhas (Syzygium aromaticum (L.) Merr. & L.M.Perry); menta (Mentha spicata L.); cedro da Virgínia (Juniperus virginiana L.); e citronela (Cymbopogon winterianus Jowitt ex Bor).

No Brasil, os óleos essenciais mais importados são o de Mentha arvensis, laranja, limão siciliano e eucalipto. Já os mais comercializados no país são o de limão siciliano, limão tahiti, petitgrain, eucalipto, menta, vetiver, pau-rosa e outros.

Mercado promissor

Como observado ao longo do texto, o mercado de óleos essenciais vem crescendo no Brasil, porém, muitas das plantas aromáticas dos principais produtos não são nativas. Em se tratando de um país rico em diversidade de plantas, é necessário mais investimento em pesquisas para obtenção de dados, como os químicos para uso farmacêutico e terapêutico.

Além disso, são necessários estudos ecológicos para que haja a conservação das plantas, visto que muitas áreas naturais já foram perdidas, consequentemente, afetando muitas plantas aromáticas.

Por isso, é necessário realizar técnicas silviculturais, como produção de mudas e plantios de espécies aromáticas, que poderão ser utilizadas pela população e por empresas de fabricação de óleos essenciais.

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