22.6 C
Uberlândia
sexta-feira, novembro 22, 2024
- Publicidade -spot_img
InícioArtigosGrãosCRISPR - Nova tecnologia de melhoramento genético

CRISPR – Nova tecnologia de melhoramento genético

Crédito Shutterstock
Crédito Shutterstock

A ferramenta revolucionária de biotecnologia conhecida por CRISPR/Cas é uma técnica de edição do genoma que tem o potencial de promover a inovação, melhorando a qualidade das plantas e dos grãos de soja. “Essa técnica de engenharia genética nos permite uma precisão cirúrgica em nossas ações, com rapidez inigualável e maior economia de recursos“, comemora o pesquisador Alexandre Nepomuceno.

Nos laboratórios da Embrapa Soja, em Londrina (PR), há oito meses a tecnologia CRISPR/Cas está ajudando os pesquisadores a desenhar algumas construções gênicas para angariar características diferenciadas à soja. A cultura está presente em 33 milhões de hectares no Brasil, que é hoje o segundo produtor mundial do grão.

Soja melhorada

Um dos usos da ferramenta CRISPR/Cas vem sendo conduzido pela pesquisadora Liliane Henning, da Embrapa Soja, que pretende melhorar a qualidade das sementes. De acordo com a pesquisadora, o objetivo dessa pesquisa é desativar genes que favoreçam a melhoria em características associadas à qualidade de grãos e de sementes de soja. No caso dos grãos, o foco é a alteração de rotas metabólicas que reduzam a ação dos fatores antinutricionais na soja.

A soja é uma leguminosa que apresenta alto valor nutricional. Em média, possui 38% de proteínas, 20% de lipídios (óleo), 05% de minerais e 34% de carboidratos. Por causa das suas características, a soja passou a ser amplamente utilizada na alimentação humana e animal.

Apesar de suas características benéficas, os grãos contêm alguns fatores antinutricionais que podem diminuir a disponibilidade de nutrientes e a absorção de aminoácidos. “Utilizando a tecnologia CRISPR/Cas para desligar genes dos fatores antinutricionais, como os inibidores de tripsina, por exemplo, podemos aumentar a digestibilidade da soja“, avalia Liliane Henning.

Qualidade do óleo

Também faz parte das ações de pesquisa previstas pela pesquisadora o aumento dos teores de ácidos oleicos na soja. Nesse caso, a ideia é tentar desligar genes, por exemplo, que alteram a rota metabólica do ácido linolênico e aumentar o teor do ácido oleico, que é reduzido na soja. “Nosso objetivo é melhorar a qualidade do óleo de soja“, diz.

“Com relação às sementes de soja, nosso objetivo será desligar genes que aceleram o processo de deterioração, tanto na pré-colheita quanto durante o armazenamento“, conta.

Tolerância à seca

Alexandre Nepomuceno, pesquisador da Embrapa Soja - Crédito Pedro Crusiol
Alexandre Nepomuceno, pesquisador da Embrapa Soja – Crédito Pedro Crusiol

O pesquisador Alexandre Nepomuneco, da Embrapa Soja, está trabalhando para desativar genes envolvidos no metabolismo do etileno, hormônio vegetal que interfere nos mecanismos de aumento de tolerância à seca. “O gás etileno está envolvido na maturação da soja e quando interferimos nesse metabolismo, podemos ampliar o tempo que a planta suporta períodos de seca“, conta Nepomuceno.

O pesquisador também está tentando desenvolver uma planta de soja não transgênica e que tenha resistência ao herbicida da classe das imidazolinas. “Nossa ideia é lançar mãoda tecnologia CRISPR/Cas para usar os genes ahas da própria soja e não de outra espécie, o que resultaria em uma planta não transgênica“, explica Nepomuceno.

Disponível no mercado desde 2015, a tecnologia Cultivance, que é resistente ao herbicida da classe das imidazolilonas, possui o gene ahas transferido de plantas de Arabidopsis. “Como a característica foi introduzida no genoma da soja via outra espécie vegetal (Arabidopsis), esta é considerada uma soja transgênica“, diz. “Queremos agora ativar o gene ahas que atualmente fica silenciado no genoma soja e assim acelerar um processo que poderia levar muitos anos para acontecer espontaneamente na natureza“, conta.

Ferrugem da soja

A tecnologia pode ainda ser utilizada na Embrapa em pesquisas, cujo foco seja melhorar a resposta da soja aos seus principais patógenos, como, por exemplo, o fungo causador da ferrugem asiática, a mais severa doença da cultura.

Trabalhos conduzidos nesta linha pela pesquisadora Francismar Correa Marcelino, da Embrapa Soja, identificaram genes relacionados à patogenicidade que são expressos pelo patógeno no momento da infecção e transferidos para a soja, que tem como alvo regiões do DNA da planta. “Identificar tais regiões e posteriormente promover alterações pontuais via CRISPR/Cas que impeçam tal ativação ou desligamento de genes da soja pelo patógeno pode contribuir para o desenvolvimento de novas alternativas de controle da doença“, explica a pesquisadora.

Essa matéria você encontra na edição de novembro 2017 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua.

ARTIGOS RELACIONADOS

Efeito dos bioestimulantes em mudas de alface

Fernando Simoni Bacilieri Engenheiro agrônomo e doutorando em Fitotecnia - ICIAG-UFU ferbacilieri@zipmail.com.br Roberta Camargos de Oliveira Engenheira agrônoma e doutora em Fitotecnia robertacamargoss@gmail.com Ernane Miranda Lemes Engenheiro agrônomo, fitopatologista e doutor...

Bacterioses – Terror da alface no plantio de verão

Marina Guimarães Pacifico Engenheira agrônoma, mestre em Fitopatologia e doutoranda em Proteção de Plantas (UNESP Botucatu) ma_pacifico1@hotmail.com   O período chuvoso, aliado às altas temperaturas e umidade, é...

Ibrafe realiza V Fórum do Feijão, Pulses & Colheitas Especiais

Maior evento relacionado ao cultivo de Feijão do Brasil reúne representantes de toda a cadeia produtiva Após o sucesso de público e de repercussão do...

Digitaria insularis – Planta invasora de difícil controle

José Luis da Silva Nunes Engenheiro agrônomo, doutor em Fitotecnia, corpo técnico do Badesul Desenvolvimento e Agência de Fomento do Estado do Rio Grande do...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!