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A ramulária no algodoeiro: danos que podem ser evitados

Foto: Nelson Suassuna

João Augusto Dourado Loiola
Graduando em engenharia Agronômica – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
joaoaugustodourado@gmail.com
Júlio César Ribeiro 
Engenheiro agrônomo, doutor em Agronomia, pesquisador e consultor
jcragronomo@gmail.com

O algodão é cultivado em diversas regiões do País, com áreas de cultivo em expansão nos últimos anos, principalmente para o suprimento da indústria têxtil. Em muitas regiões do Brasil, o cultivo do algodoeiro é feito de forma contínua em macro áreas.

A ausência de cultivares resistentes, atrelado à alta incidência de inóculos iniciais, favorece a prevalência de doenças no campo e epidemias contínuas, dificultando o estabelecimento do algodão, além de tornar o manejo da cultura uma peça fundamental para contornar as injúrias causadas por doenças e pragas.

Danos

A mancha da ramulária causava danos irrisórios à cultura do algodoeiro, sendo comum danos ao final do ciclo da cultura, sendo considerada, desta forma, uma doença secundária. Porém, a doença ganhou destaque pela sua disseminação em grande parte das áreas de cultivo do Brasil, sendo recentemente considerada uma doença primária.

A doença é responsável por cerca de 30% de danos na produção de algodão na região do cerrado. Em outras regiões, os danos podem atingir cerca de 75% de perdas na produção em decorrência a redução na produção e transporte de fotoassimilados para a formação das maças do algodoeiro, induzindo a má formação das estruturas florais, bem como, a abertura precoce dos capulhos, causando expressiva perda de fibras.

Ocorrência

A ramulária é causada pelo fungo Ramularia areola (Atk.), doença relatada pela primeira vez no ano de 1890 em diversas regiões agrícolas do mundo. Em áreas onde não se utiliza a prática de rotação de culturas, é notória uma maior frequência e intensidade de ocorrência sucessiva da doença. 

O fungo ocorre em todas as regiões produtoras de algodão no Cerrado, sendo conhecido como míldio, oídio, falso-míldio ou mancha de ramulária. A disseminação das estruturas reprodutivas ocorre de forma rápida, causando a infecção e danos primários consideráveis para a cultura do algodão.

Alerta

A propagação da doença pode ser intensificada com o manejo inadequado da destruição da soqueira, onde a presença de tiguera e/ou plantas perenes de algodão nas proximidades da área de cultivo, bem como implementos agrícolas contaminados auxiliam na propagação do patógeno.

A propagação do fungo ocorre pelos conídios, que estão contidos nos conidióforos, apresentando forma fasciculada, cilíndrica e hialina, isto é, não apresentam coloração, sendo translúcidos.

A conformação dos conidióforos facilita a propagação por vento, água de chuva e de irrigação, implementos agrícolas, dentre outros. A propagação do fungo é, ainda, favorecida por noites úmidas e dias secos, com amplitude térmica entre 12 a 32°C.

O fungo desenvolve-se melhor na faixa entre 25 a 30°C, com umidade relativa de 80%. O patógeno penetra o hospedeiro através dos estômatos, tanto na parte adaxial quanto abaxial das folhas, independente do estádio fenológico. Após a inoculação, os conídios do fungo levam 12 horas para germinar em umidade e temperatura ideais.

Sintomas, danos e prejuízos

Geralmente, os sintomas do ataque fúngico ocorrem entre o início da fase reprodutiva até a abertura da primeira flor. Os sintomas da doença são bem característicos, apresentando-se na forma de lesões com formato angular, localizado entre as nervuras das folhas do algodão.

As lesões iniciais medem geralmente de 1,0 a 3,0 mm, com coloração branco-azulada. Com o avançar do ataque do patógeno ocorre a sua esporulação, passando as lesões para a coloração amarelada e pulverulenta.

Após o término da esporulação do patógeno, as células vegetais invadidas são eclodidas, tornando-se lesões necróticas, com forte coloração marrom-escuro. As lesões vão progredindo, causando déficit de folhas sadias (desfolha intensa) e redução da área foliar fotossinteticamente ativa, e consequentemente, uma menor produção de fotoassimilados.

Formas de controle

A maioria das cultivares de algodão no Brasil não apresenta resistência vertical para a doença. Porém, recentemente vem ocorrendo o lançamento de cultivares resistentes à ramulária.

A cultivar BRS 437 B2RF é transgênica e possui resistência a diversas doenças, dentre as quais, a ramulária. A nova cultivar lançada pela Embrapa possui tecnologia Bollgard II Roundup Ready Flex (B2RF0), com tolerância às principais lagartas que atacam a cultura, e também tolerância ao herbicida glifosato.

O manejo com fitossanitários, rotação de culturas, bem como limpeza de restos culturais são empregados para maior eficácia preventiva e no controle da doença. A redução da incidência e ataque do patógeno nas lavouras deve ter como princípio básico o conhecimento do histórico de ataque na região, devendo-se realizar manejo preventivo.

Prevenção

O manejo preventivo consiste em realizar a limpeza da área, eliminando soqueiras e restos culturais que podem ser foco da doença. O monitoramento constante da lavoura faz-se necessário a fim de identificar infecções, pois a dispersão das estruturas reprodutivas ocorre em poucas horas.

Com isso, a aplicação de fungicida para o controle do patógeno deve ser iniciada no momento em que se identificam as primeiras lesões nas folhas. Geralmente são realizadas de três a oito aplicações de defensivos durante o ciclo da cultura. Contudo, é importante salientar que não ocorre a erradicação da doença na área.

Dentre os defensivos utilizados no controle da doença, pode-se destacar os principais grupos químicos utilizados: os triazois e estrobilurinas. É indicada a combinação de diferentes produtos, visando reduzir a resistência dos fungos ao longo do tempo.

Erros mais frequentes

Em geral, os erros cometidos estão relacionados à época de semeadura, local de cultivo, manejo inadequado com maquinários, implementos, equipamentos e acessórios agrícolas, manejo de eliminação de restos culturais, fitossanitários, bem como a utilização de cultivares inadequadas e pouco resistentes à doença.

Obter eficiência no manejo não é uma tarefa fácil no campo, isso porque o ataque de pragas e doenças ocorre de forma dinâmica e demanda planejamento agrícola. Manejos empregados de forma conjunta são benéficos na redução da doença, bem como estabelecer o nível de ataque abaixo do nível de controle.

Atenção

O manejo com fungicidas não deve ser efetuado em períodos que estejam ocorrendo precipitação e elevada velocidade dos ventos. Outro ponto importante a ser observado é a regulagem dos equipamentos a serem utilizados na aplicação dos fungicidas.

Os equipamentos devem estar regulados para que a aplicação seja realizada de forma homogênea, devendo ainda sua aplicação ser feita em períodos sem a presença de vento, evitando-se, assim, a perda de produto por deriva.

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