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Algas marinhas potencializam nutrição das plantas

Potencializando o crescimento e desenvolvimento das plantas, as algas são uma solução natural e sustentável para a agricultura moderna.

Samuel Henrique Braga da Cunha
Doutorando em Fitotecnia – Universidade Federal de Lavras (UFLA)
samuelhbraga@gmail.com

Daiane dos Santos Soares
soares.agronomia@gmail.com

Ana Cristina de Souza
acstina@yahoo.com.br
Doutoras em Fitotecnia – UFLA

Existem evidências do uso de algas marinhas em benefício das lavouras desde muito tempo, e nas mais diversas culturas. Atualmente, vem se ampliando o campo de estudos nessa área visando seu uso como bioestimulante para as plantas.

Foto: Shutterstock

As culturas que mais têm se beneficiado são as perenes, principalmente frutíferas. Existe, também, um grande interesse e crescente aplicação em culturas olerícolas e café. Observa-se, ainda, em culturas anuais, no tratamento de sementes de trigo, soja e girassol, por exemplo. 

Condições químicas do solo

Produtos à base de algas marinhas possuem uma grande potencialidade na nutrição de plantas, pois elas atuam diretamente na saúde do solo e na absorção de nutrientes.

Quimicamente falando, as algas marinhas atuam no fornecimento de nutrientes, sendo eles alguns macro (Ca, K e P) e alguns micronutrientes (Cu, Zn, B, Mn, Co e Mo), encontrados em maiores quantidades.

Além de fornecerem esses nutrientes, liberam também compostos fitohormônios que ocasionam um gama grande de benefícios no sistema solo-planta, os quais acarretam aumento da atividade de enzimas do solo, como ureases e fosfatases. Dessa forma, a disponibilidade de nutrientes também é aumentada.

Biologia do perfil

As algas marinhas favorecem a vida microbiana no solo, inclusive na agricultura orgânica. Algas e extratos de algas marinhas também melhoram a saúde do solo, bem como a capacidade de retenção de umidade e promoção do crescimento de microrganismos benéficos do solo.

As algas podem beneficiar o solo com polissacarídeos sulfatados e mucilagem, as microalgas. Em seu metabolismo, fixam o nitrogênio atmosférico, tornando-o biodisponível às plantas em formas de amônio.

Estudos apontam que o extrato de algas marinhas usado como fertilizante melhora a estrutura física e as comunidades bacterianas do solo, aumentando a umidade do solo e fornecendo nutrientes, o que pode promover o crescimento e desenvolvimento das plantas.

Efeito da aplicação de algas + NPK

As algas pardas são manuseadas como adubo verde (adição de algas para enriquecimento nutricional do solo com nitrogênio), e são excelentes condicionadores do solo, por sua riqueza em micronutrientes (Fe, Cu, Zn, Mo, B, Mn e Co), macronutrientes (Ca, K e P), vitaminas, hormônios de crescimento e propriedades quelantes.

O alginato, presente na parede celular das algas pardas, melhora as condições químicas e físicas do solo, é um promotor quelante e atua aumentando a disponibilidade de minerais, a aeração e a capacidade de retenção do solo.

A mucilagem presente na parede celular de algumas algas permite maior concentração e mobilização de macro e micronutrientes que, então, podem ficar disponíveis às plantas por meio de exsudação, autólise e decomposição microbiana.

Dentre os benefícios ocasionados pelo uso dos extratos de algas nas plantas por meio de aplicação foliar ou no solo podem ser observados um maior enraizamento, brotação e florescimento, melhora na tolerância a estresses bióticos (doenças) e abióticos (geadas, baixa disponibilidade de água).

Produtividade das lavouras

A aplicação de algas marinhas tem mostrado potencial para uso em diferentes áreas, e consequentemente para aumentar a produtividade das lavouras. Existem três mecanismos que fazem, principalmente, com que as produtividades das lavouras aumentem, que são: controle direto de fitopatógenos pela atividade antimicrobiana, indução de mecanismos de defesa vegetal e promoção de crescimento das plantas.

As algas marinhas são capazes de produzir auxinas, giberelinas e citocininas, hormônios que atuam no crescimento das plantas, e a produção desses compostos estimula a produção dos mesmos de forma natural.

Além disso, esses estímulos se dão também em vias metabólicas de fitohormônios, como ácido jasmônico, ácido salicílico e etileno, que ativam genes de resistência das plantas. O uso dessas algas também aumenta a absorção e aproveitamento dos nutrientes no solo.

Dessa forma, seu uso atua direta e indiretamente na produtividade das lavouras, uma vez que age na nutrição das plantas e no controle de fitopatógenos, que atualmente são fatores limitantes para a produção.

Qualidade das lavouras

A qualidade das lavouras se relaciona com os efeitos positivos que aumentam a produtividade. A melhoria nas condições de solo proporciona, também, um maior crescimento radicular lateral e em profundidade, consequentemente, ocorrerá maior aproveitamento da água do solo.

Em estudos com o uso de algas, também foi observado o aumento no número de folhas, de brotos, da respiração, fotossíntese e conteúdo de clorofila, além de promoção da absorção de íons e produção de ATP em diversas culturas.

Outro fator importante que deve ser considerado qualidade da lavoura é a redução do uso de fertilizantes químicos, uma vez que os produtos à base de algas marinhas são biodegradáveis, portanto, tornam a lavoura mais sustentável.

Atividade microbiana no solo

Os polissacarídeos e mucilagem das microalgas atuam como fonte de carbono utilizável para a comunidade microbiana heterotrófica do solo e plantas adjacentes, estando envolvidos também no aprisionamento físico e químico de nutrientes, possibilitando o aumento de atividade microbiana benéfica ao solo.

Ao mesmo tempo, as microalgas conferem ao solo uma propriedade selante, o que, em conjunto com a formação dos macroagregadores, permite a criação de um microambiente umedecido que retém a água por períodos mais duradouros

Tipos de algas

Existe uma enorme diversidade de micro e macroalgas catalogadas sendo organizadas em três grandes filos: Phaeophyta (algas marrons), Rhodophyta (algas vermelhas) e Chlorophyta (algas verdes).

Dentre esses grupos, destaca-se o uso de algas marrons, com potencial uso para matéria-prima de produtos com ação bioestimulante na agricultura. Dentre as algas marrons, os grupos Aschophyllum, Fucus e Laminaria são dominantes nos estudos e produtos já lançados com ação fertilizante.

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