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quinta-feira, janeiro 27, 2022
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Algas marinhas: Proteção contra doenças?

Autores

Tais Santo Dadazio
Engenheira agrônoma, mestra, doutora em Proteção de plantas e professora de Fitopatologia – FIB e Unisalesiano
tais.dadazio@hotmail.com
Roque de Carvalho Dias
Engenheiro agrônomo, mestre em Proteção de Plantas e doutorando em Agronomia -UNESP/FCA
roquediasagro@gmail.com
Leandro Tropaldi
Engenheiro agrônomo, mestre em Agricultura, doutor em Proteção de Plantas e professor – UNESP – Dracena
l.tropaldi@unesp.br

As algas marinhas são utilizadas há milhares de anos na agricultura como bioestimulantes e fertilizantes naturais. Elas agem na proteção natural dos vegetais contra pragas e doenças, além de favorecerem a vida microbiológica do solo e tornarem as plantas menos vulneráveis às variáveis abióticas, como temperatura, raios ultravioletas, salinidade e seca.

Existe uma grande variedade de espécies que podem ser empregadas na agricultura, tais como a Ascophyllum nodosum, Ulva fasciata, Laminaria digitata, Lithothamnium calcareum, Ecklonia máxima, Sargassum spp. e Macrocystis pyriferait.

Proteção contra doenças

De maneira geral, as algas marinhas são ricas em glicoproteínas, vitaminas e aminoácidos, que podem funcionar como bioestimulantes vegetais, e ainda como bioestimulantes naturais, como as auxinas (hormônio de crescimento, responsável pela divisão celular), giberilina (induz a floração e o alongamento celular) e as citocininas (hormônio da juventude que retarda a senescência).

Além disso, algumas espécies de algas apresentam substâncias que aumentam a resistência a doenças, por estimularem a formação de elicitores, apresentando efeitos supressores sobre os organismos fitopatogênicos.

Elicitores são moléculas que podem ter origem biótica ou abiótica e são capazes de estimular respostas de defesa nas plantas. Os extratos de algas têm se mostrado eficientes na ativação da resistência de plantas a patógenos.

Culturas beneficiadas

Das algas marrons, como a Laminaria digitata, se extrai o polissacarídeo laminarina, que leva respostas de defesa a doenças de plantas, enquanto a alga Ascophyllum nodosum estimula a síntese da fitoalexina capsidiol em plantas de pimentão, aumentando a resistência das plantas a Phytophtora capsici. A mesma alga ainda proporciona a redução no número de juvenis de M. incognita e M. javanica em tomateiro.

Para a cultura da cenoura, com a utilização de formulados contendo algas observou-se uma maior resistência à incidência da podridão das raízes, pragas foliares, além de reduzir a severidade de ataques de nematoides.

Contudo, é de suma importância lembrar que produtos à base de algas não impedem problemas fitossanitários, mas apresentam efeito preventivo e induzem resistência às plantas. Caso seja bem manejado, pode auxiliar o produtor dentro de um manejo integrado de doenças e pragas.

Forma de aplicação

Produtos contendo extratos de algas podem ser utilizados na adubação ou ainda na semeadura em irrigação, aos 30-50 dias de idade, sendo que a dose varia de acordo com o formulado escolhido.

Os benefícios da aplicação de algas se estendem durante todo o ciclo dos citros, melhorando o desenvolvimento das raízes, a floração, granação, pegamento, formação e maturação dos frutos. Também gera uma maior resistência aos fatores abióticos, como temperaturas desfavoráveis, déficit hídrico e salinidade.

Por promoverem a divisão celular, favorecem a formação de raízes e, consequentemente, um melhor aproveitamento de água e nutrientes presentes no solo. Alguns compostos presentes nas algas favorecem a produção de clorofila, importante para a fotossíntese, responsável por toda a estrutura da planta.

Extratos dessas algas podem melhorar as propriedades físicas, químicas e biológicas dos solos, melhorando a retenção da umidade e melhorando o desenvolvimento de microrganismos benéficos ao solo, como as micorrizas. Espécies de algas como Lithothamnium calcareum são empregadas como corretivo de acidez de solo, visto que são ricas em cálcio.

Formulações contendo algas podem melhorar o estabelecimento inicial das plantas, aumentar a resistência aos estresses abióticos e bióticos (pragas e doenças), garantindo maior desenvolvimento das raízes e elevadas produtividades.

Quando se pulveriza mudas de citros com a alga marinha Ascophyllum nodosum, elas podem ser uma alternativa para auxiliar na uniformidade da produção de porta-enxertos e redução do tempo de produção de mudas de citros de alto padrão para serem levadas a campo.

Os benefícios da aplicação de algas se estendem durante todo o ciclo dos citros:

  • Melhora o desenvolvimento das raízes, a floração, granação, pegamento, formação e maturação dos frutos.
  • Também gera uma maior resistência aos fatores abióticos, como temperaturas desfavoráveis, déficit hídrico e salinidade.
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